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Vida de motorista envolve riscos. Vida de motorista-mulher, então!

Publiquei um texto sobre a lei que regulamenta a profissão de motorista no Brasil, que já completou três anos. A lei assegura a motoristas rodoviários e de passageiros um descanso de 11 horas a cada 24 horas, além de 1 hora de pausa para refeição e de 35 horas de descanso semanal remunerado. Mas o médico do trabalho Antonio Ricardo Daltrini, coordenador de Saúde no Trabalho da Fundacentro, fez algumas ponderações sobre a matéria e como 25 de julho é o Dia do Motorista, julgo valer um novo post. Primeiramente, ele lembrou uma questão importante: o transporte de carga no Brasil é, no mínimo, mal resolvido, pois em países desenvolvidos a produção é escoada pela malha ferroviária. A deficiência das estradas brasileiras gera um nó na logística da infraestrutura de transportes, em que um dos grandes sacrificados é o motorista terrestre. Esse foi, na verdade, um ‘aperitivo-irônico’ das observações de doutor Daltrini.

Voltando ao conjunto de problemas do transporte de carga rodoviário, ele lembrou que se deve considerar o trinômio estrada X estado dos veículos X motoristas. Uma boa estrada é ter bom asfalto e pavimentação adequados, com boa sinalização em conformidade para torná-la segura. E esta é a realidade brasileira? No caso do estado de veículo, os que circulam pelas rodovias são novos e estão em bom estado de conservação, respeitando o limite de peso? A última perna do trinômio, segundo o médico, é o motorista-trabalhador. Será que este foi bem habilitado a exercer a função? Será que o profissional recebe bom treinamento, tem boa saúde, não usa álcool e drogas, repousa adequadamente e recebe um bom salário? No quesito ambiente de trabalho, o motorista de carga perigosa ou de ônibus tem que enfrentar ruído, calor, agentes biológicos, poluição, riscos de acidentes provocados por outros motoristas e os riscos ergonômicos de que muito se fala, mas pouco se respeita. Finalmente, doutor Daltrini levanta a questão da falta de estudo que contemple o sexo feminino no exercício da função de motoristas nas estradas brasileiras. “Particularmente tenho visto que o dito sexo frágil tem se saído melhor que o dito sexo forte em muitas atividades. Mas será que teríamos de tomar cuidado como uma motorista de caminhão no período de tensão pré-menstrual (TMP)?”, pergunta. Está brincando ou falando sério, doutor Daltrini? Realmente, faltam estudos sobre a mulher-motorista de caminhão, esse ‘bicho esquisito’, dirigindo pelas estradas esburacadas do País, justo naqueles dias…

Por Emily Sobral

3 Comentários

  1. Diego Belzunces Pedrosa

    São tantos os fatores contrários a boa pratica do transporte rodoviário, que seria uma utopia
    imagina-lo de maneira diferente dadas as condições existentes independente de qual sexo
    esteja ao volante

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