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Vibração ocupacional sem proteção é pior do que a vibração do Carnaval

Por Emily Sobral

O Carnaval aproxima-se, e o brasileiro, especialmente no Nordeste, que gosta da folia não se faz de rogado, indo atrás do trio elétrico, principalmente porque ainda não morreu. Conheço bem a vibração e o barulho da estrutura de um trio elétrico: a sonorização e o palco são montados em cima de grandes caminhões, que saem percorrendo os chamados circuitos da cidade. Com o barulho dos instrumentos, imagino que os próprios músicos e os foliões que acompanham o veículo recebam uma carga enorme de sacolejos. Não sei como conseguem “desligar” depois de tamanha vibração. Ah, falando do Carnaval, posso inserir o tema dos riscos causados pelos agentes causadores de vibração, como os que ocorrem com os trabalhadores que operam britadeiras, lixadeiras, compactadores, motosserras, entre outros.

Sem proteção e controle adequado, a exposição ao risco de vibração pode levar a efeitos crônicos, que vão depender naturalmente da intensidade e do tempo em que o trabalhador fica exposto. Uma empresa que mantém equipamentos que provocam vibração precisa avaliar seu grau de risco, realizando uma perícia técnica no ambiente em que são realizadas as atividades. A partir daí, os riscos precisam ser relatados no PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), além de providenciar o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e no PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), medidas previstas em lei. A avaliação que, em geral, é conduzida pelo SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) da empresa, visa reduzir, controlar ou eliminar a exposição à vibração, devido aos equipamentos de trabalho.

Em atividades com tratores e caminhões, é o corpo inteiro do trabalhador que fica exposto a vibrações. Já as operações com ferramentas como marteletes, britadeiras e politrizes, são as mãos, braços e ombros que compõem a exposição de vibrações. Diante dos riscos, a empresa tem o dever de manter o trabalhador bem orientado sobre os riscos e quais efeitos terão sem a proteção adequada.

No caso desse agente de risco, a exposição à vibração necessita de contato, o que faz com que o corpo humano diminua a vibração e altere o fluxo em suas diferentes partes do corpo. O contínuo contato à vibração pode gerar problemas nas mãos e braços, com características de sintomas muscular, vascular ou até neurológico. Assim, o trabalho de engenharia de segurança para o controle dos riscos, juntamente com o correto uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), é prioritário para reduzir exposição tão danosa ao trabalhador. Pela legislação, as luvas de proteção antivibração devem possuir na região dos dedos as mesmas características de atenuação que a da região da palma das mãos. Estas devem atenuar frequências compreendidas entre 16 Hz e 1.600 Hz. Como todo EPI, a luva também deve ter o CA (Certificado de Aprovação), as normas aplicáveis ao produto. E as luvas para proteção contra riscos mecânicos devem possuir as certificações ISO 10819:1996 e a EN 388:2003, que atestam sua capacidade de proteção.

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