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EXCLUSIVO: Secretaria Municipal da Saúde de SP realiza programa de saúde do trabalhador de controle de zoonoses

É preciso ter respeito com os agentes de zoonoses, afinal de contas eles estão nas ruas, nas casas, nos terrenos baldios, no campo ou em uma casinha de sapé eliminando vetores. Animais como pernilongos, Aedes Aegypti, carrapatos, baratas, pulgas, mosquitos e ratos, entre outros, são vetores, responsáveis por transmitir parasitas e microrganismos ao homem e animais domésticos. Ao picar a vítima, esses “intermediários” causam dengue, malária, doenças de Chagas, leishmaniose, febre amarela, encefalites, filarioses, entre outras. Essas doenças constituem a causa de agravos à saúde quando não de mortes no Brasil e no mundo.

Volto aos profissionais de zoonoses, que realizam um trabalho de prevenção em saúde pública. Se, por um lado, eles estão agindo com medidas profiláticas em favor da população, por outro, são os próprios agentes de zoonoses expostos aos perigos “no campo de batalha”. Os riscos das atividades são, entre outros, desde ser picado pelo Aedes Aegypti ou animais venenosos e peçonhentos, até o envenenamento por intoxicação aguda ou crônica, que é devido ao contato insidioso com a substância para matar os vetores.

Diante desse quadro, a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo instituiu o Programa de Saúde do Trabalhador do Controle de Zoonoses e Animais Sinantrópicos, por meio de portaria há cerca de um ano. O diagnóstico, no entanto, começou a ser organizado em 2013 e visa entender como se processa o trabalho dos agentes e seus respectivos riscos ocupacionais. Quando o mapeamento estiver concluído, poder-se-á estabelecer protocolos e ações preventivas.

Segundo Sheila Duarte Pereira, médica sanitarista da área Técnica de Saúde do Trabalhador da secretaria, em 2005 já havia sido feito um diagnóstico amostral, mas sem muita sistematização do panorama nas sedes das SUVs (Supervisão de Vigilância e Saúde), onde ficam os agentes e os equipamentos nas regiões da cidade. A Vigilância em Saúde do Trabalhador está inserida na Gerência de Saúde Ambiental da Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA).

“Agora não estamos fazemos o recorte específico dos agentes de zoonoses, mas de todos os que trabalham com controle de vetores”, explica Pereira. Segundo ela, a função dos agentes abrange uma série de atividades. Quando o programa envolve a prevenção da dengue, por exemplo, os agentes vão aos bairros e casas para conversar com moradores. Verificam se há criadores do mosquito Aedes Aegypti. No primeiro semestre do ano, os agentes fazem a fumigação (aplicação de vapores químicos visando a desinfestação).

Em algumas regiões da cidade, os trabalhadores fazem todas as atividades inerentes ao processo de prevenção. Mas há também as SUVs onde ficam sediadas as equipes, em que as atividades são divididas e em que prevalece o esquema de rodízio de tarefas. Isso acontece devido à heterogeneidade do município de São Paulo. O Centro de Controle de Zoonoses está localizado em Santana, zona Norte da cidade, local onde são centralizadas as compras de insumos em grande escala, que são redistribuídos às seis regiões, num total de 26 SUVs. Cada um dos locais cuida das atividades que envolvem o controle de zoonoses do município.

Segundo diz a médica, o programa conta com duas áreas de atuação: “Primeiramente, vamos entender o que está acontecendo com esses trabalhadores para fazer um diagnóstico. A segunda parte é o monitoramento da saúde deles”, afirma. Ao dar início ao acompanhamento, verificou-se que há muito tempo não se fazia nenhum controle e os trabalhadores estavam sem fazer exames médicos. Assim, cerca de 1500 trabalhadores foram encaminhados aos exames periódicos. Esse registro busca com que se estabeleçam alguns parâmetros mínimos de conduta da prefeitura para tentar prevenir os riscos de seus agentes de zoonoses. “Eles estão vulneráveis sempre, pois é próprio da atividade, mas como está se processando e as ações ou não de prevenção é que aumentam ou diminuem os riscos”, explica Pereira.

A equipe que desenvolve o programa, que incluiu também os profissionais de vigilância ambiental, fez visitas técnicas nas SUVs, bem como em campo, juntamente com os agentes para verificarem os riscos in loco. Apesar de ainda não ter sido concluído, o programa vem recebendo os primeiros relatórios. Assim, por exemplo, já é possível determinar quantos agentes estão expostos à fumigação, um dos principais riscos da atividade. Inclusive, o químico Malathion, utilizado no combate à dengue, é prejudicial à saúde humana. Como o produto tem sido dissolvido em óleo, termina por penetrar no equipamento de proteção individual. “Isso implica que todos os trabalhadores que estão lidando com a dengue no País não estão sendo protegidos pelas roupas”, avalia Pereira.

Ela conta que, ao mesmo tempo em que se realiza o diagnóstico em campo, um grupo de trabalho foi montado para discutir um protocolo clínico de acompanhamento dos empregados expostos ao Malathion. Estes estão sendo encaminhados aos centros de referência de saúde do trabalhador (Cerest). Os trabalhadores que estão com alguma disfunção hepática e renal já são afastados.

Antes do trabalho final, Pereira diz que já é possível afirmar que as instalações das SUVs não são adequadas, pois não têm todas as estruturas necessárias para trabalhar com agrotóxicos e inseticidas. “Desde a guarda de uniformes, não há armários separados, lavagens das roupas até a guarda do lixo tóxico e sua remoção, pois são casas adaptadas”. Ao final desse programa e após um amplo diagnóstico, o relatório será levado às esferas municipal, estadual e federal.

EPIs: tecnologia “do bem”

EPIs são muito importantes aos agentes de endemias, como protetor facial, camisa e calça de brim, óculos de segurança e luva nitrílica. Pensando na séria ameaça que os mosquitos representam, a Santista WorkSolution, que fabrica roupas profissionais, oferece ao mercado um tecido com acabamento antimosquito, que age de três formas: mantém os insetos afastados e evita o contato com o tecido; caso ocorra o contato, o princípio ativo do acabamento atua de forma imediata, aquecendo os pontos de contato; e na situação de o mosquito permanecer em contato com o tecido, a substância ativa tem efeito paralisante e resulta na morte do inseto.

Por Emily Sobral

5 Comentários

  1. Susana Hidas

    Os agentes de zoonoses são verdadeiros heroís, que merecem toda a atenção e cuidados para minimizar os riscos a que estão expostos no dia a dia de trabalho.

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