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Vamos combater, no trabalho, o preconceito e o estigma em relação ao transtorno bipolar

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Uma hora, alegre. Noutra, triste. É assim o transtorno bipolar(Foto Pixabay)

Vez ou outra qualquer pessoa pode ter alteração de humor. As pressões e demandas do trabalho ou do campo pessoal são desencadeadoras das oscilações do estado emocional de todos nós. Mas, evidentemente, são situações que não afastam ninguém do trabalho, ainda que “nesses dias”, os colegas sofram com as grosserias.

Há, porém, um problema de ordem psicológica que tem se tornado contumaz e afetado empresas e trabalhadores. Trata-se do aumento de casos de transtorno bipolar em profissionais que estão na ativa. Parece até que o termo transtorno bipolar virou moda! Quem não já ouviu a expressão, ‘fulano tem transtorno bipolar, haja saco para aguentá-lo’. Independentemente da chatice, o caso requer atenção, especialmente dentro das organizações de trabalho. Pois bem, o distúrbio bipolar caracteriza-se por oscilações entre períodos de bom humor, até excessivo, e momentos de irritação e depressão. Lidar com a situação envolvendo um funcionário no ambiente de trabalho é um novo desafio que surge nos novos tempos.

Só quem passa por tantas alterações de comportamento sabe o quanto a caminhada é difícil. Imagine ter que lidar com frequentes flutuações entre extrema felicidade e extrema tristeza! Num período, a pessoa tem uma vontade incontrolável de ver gente, ir à rua e abraçar o mundo. Noutro momento, sente-se em tristeza profunda, em que tudo perde o sentido e não se quer fazer mais nada nem ver ninguém. Os sintomas estão relacionados às substâncias (serotonina e dopamina) do cérebro, responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Assim, na fase de euforia há uma hiperativação dessas substâncias do cérebro. Daí, o indivíduo fica mais agitado, impulsivo e falante. Na depressão, ocorre exatamente o oposto. Por outro lado, a hipoativação da substância resulta em inibição, desânimo e tristeza.

Em geral, o distúrbio manifesta-se em função de grandes mudanças na vida da pessoa, seja por um novo emprego, casamento ou chegada de um filho. Para que seja caracterizado, o transtorno deve provocar crises crônicas de humor, permanecendo pelo menos por cinco dias. O mal-estar psicológico deve-se à falta de estabilidade para lidar com inúmeras situações da vida. No ambiente de trabalho, outros fatores desencadeadores, principalmente pressões excessivas por resultados, podem trazer à tona o transtorno bipolar.

Antes que o preconceito e a discriminação prevaleçam no ambiente laboral, o empregado deve ser encaminhado ao psiquiatra para que, a partir do diagnóstico e tratamento, seja possível controlar a doença. A conscientização no ambiente de trabalho e o entendimento da doença são fundamentais. É possível ter o transtorno bipolar e ainda assim manter vida funcional e social normal. A pessoa só não vai estar bem durante a crise e, para voltar à sua estabilidade, precisará tomar medicamento prescrito pelo médico.

A transparência entre o trabalhador e a chefia pode facilitar o tratamento da bipolaridade. Mas, os empregados com sintomas do distúrbio devem, antes de abrir o jogo na empresa, refletir bem. Num setor em que se percebe que a chefia será preconceituosa, o ideal é não falar, buscando apenas a ajuda dos familiares. Em outro contexto, ele pode falar que é bipolar, que será bem aceito.

Para prevenir que os sintomas da doença manifestem-se, além da medicação, são recomendados alguns hábitos, como ter um mínimo de oito horas de sono, refeições saudáveis, prática de atividade física, não usar drogas e não ingerir bebidas alcoólicas. Manter uma rotina de forma mais regular e acompanhamento psicoterapêutico são imprescindíveis.

Com a medicação e bons hábitos, as crises tornam-se cada vez mais espaçadas. Há pacientes que ficam até dez anos sem crise. Por isso, vamos, no ambiente de trabalho, lidar e combater o estigma do transtorno bipolar.

 

3 Comentários

  1. Sílvia Neves

    É muito difícil os colegas aceitarem pessoas com transtorno bipolar. Por isso, é importante não deixar de tomar a medicação.

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