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Trabalho a céu aberto envolve riscos diversos. No verão, a situação é bem mais quente

A rua é um espaço público, mas também é um ambiente de trabalho. Segundo Roberto Damatta, estudioso da questão, “na rua, cada um olha por si e Deus olha por todos”. Agora, colocando o tema sob a ótica de saúde e segurança do trabalho, como ficam, então, os trabalhadores que exercem atividades a céu aberto e sob radiação solar? A rua é para carteiros e coletores de lixo, citando as categorias mais reconhecidas pela população, um ambiente de trabalho que oferece riscos ocupacionais específicos e, por incrível que pareça, algumas “vantagens”. “A questão da violência é extremamente negativa e tem sido alvo de estudos”, afirma Tereza Luíza Ferreira dos Santos, pesquisadora e chefe do serviço de Sociologia e Psicologia da Fundacentro.

Ainda com frequência, os carteiros e coletores de lixos sofrem com a hostilidade de cães ferozes, que mordem e acidentam. Por sua vez, o estigma de ser um profissional inferior afeta os coletores de lixo. Chamá-los de “lixeiros” reforça a estereotipia criada pela sociedade ao longo de épocas. Como exercem uma atividade diária que depende da capacidade física, em que correr e recolher os resíduos de porta em porta, é sua atribuição principal, os coletores de lixo costumam “voar” durante o trabalho. “Eles falam que é correr para voar mais cedo, o que significa correr para poder ser liberado mais cedo”, explica Tereza.

Mas, na prática, as empresas de coleta de lixo estipulam áreas enormes de varrição, e, em geral, por mais que os trabalhadores corram, literalmente, ultrapassam a jornada legal da categoria, que é de 7h20 diárias. “Quando estão trabalhando, eles correm e não andam, pois estão sempre buscando atingir a meta que é coletar a área determinada. Porém, há um fator positivo, que é o trabalho em movimento, que dá sensação de liberdade”, explica. Segundo a pesquisadora, a rua, de fato, possibilita ambiguidades. O contato com as pessoas, a relação com o outro na rua é importante, seja com a criança ou mesmo com o bandido. “A dona de casa, que dá café com leite ao carteiro, ou o dono do bar que libera uma dose de bebida  ao coletor de lixo. A interação é regulada pelos próprios trabalhadores, que fazem alguns ajustes entre eles de modo a possibilitar, por exemplo, uma paquera. Para eles, é bom trabalhar na mesma equipe e no circuito todo dia, pois já conhecem onde estão os sacos de lixo e sabem quem é a dona da casa que lhes dá água. Há esse aspecto positivo, que é a relação com o outro, em que é baseada na solidariedade”, explica.

A norma regulamentadora 21, que trata do trabalho a céu aberto, aborda a obrigatoriedade de haver abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger os trabalhadores contra as intempéries da natureza. Outro item da NR 21 estabelece a exigência de medidas especiais contra insolação excessiva, por causa do sol. Há calor, frio, umidade e ventos inconvenientes que os tornam expostos às doenças e aos acidentes. Contra as radiações UV, as empresas precisam dispor de protetor solar. O problema é que a proteção esbarra na inconveniência de precisar aplicar sobre a pele várias vezes durante o dia, na rua, quando termina seu efeito de proteção solar.  “Mas, sabemos que também não é adequado passar o produto na pele com a mão suada e sem lavar”, afirma. Com a chuva, a situação é ainda mais complexa, pois a capa de chuva de cor amarela, que é o equipamento de proteção individual, com certificado de aprovação pelo Ministério do Trabalho e Emprego, não é bem aceita pelos coletores que preferem utilizar um saco de lixo, “transformado” em capa, que não dificulta seus movimentos. “Eles têm a lógica de economia de tempo, principalmente para dar conta do setor ao qual foram designados para recolher os sacos de lixo”, explica. Segundo Tereza, a gestão desse trabalho na rua é feita pelo próprio trabalhador, o que dificulta resolver a questão da capa de chuva. “Cada tarefa desenvolvida na rua tem um componente afetivo, psíquico e subjetivo”. Quando esses trabalhadores burlam as prescrições de segurança, por exemplo, estão buscando um jeito de minimizar o desgaste do trabalho. Apesar de não ter uma chefia imediata, os coletores de lixo contam também com a vigilância dos munícipes, que ligam para reclamar se entenderem que o lixo não foi coletado. Mas essa pressão é compensada, pois a atividade oferece um componente lúdico, como uma criança que corre, tromba com os colegas, canta e grita pelas ruas. “O coletor de lixo é uma eterna criança, porque está sempre na rabeira do caminhão com a mão no saco…”, brinca. Além da exposição às condições climáticas, os trabalhadores sofrem com a ausência de um local para satisfazer suas necessidades fisiológicas. Até hoje não há uma resolução para essa questão tão óbvia que é haver sanitários onde o trabalhador possa fazer a necessidade número “um” ou “dois”.

Considerando as temperaturas do planeta que estão ficando cada vez mais elevadas, segundo relatórios de meteorologistas, esses trabalhadores sofrerão bastante, pois são os “sem-arcondicionados”. Em geral, nos escritórios, os trabalhadores encontram no ar condicionado, o refresco para o calor. Sabe-se que o trabalho no calor excessivo provoca mais cansaço e desgasta mais. O efeito natural da alta temperatura é a desidratação, que leva ao aumento da fadiga, e a consequência é o risco de acidente do trabalho pela perda de concentração, ainda que os coletores e os carteiros movimentem-se bastante.

O aumento do calor, somado à elevação da umidade do ar, torna mais difícil amenizar a temperatura corporal, o que pode levar a uma queda de produtividade nos meses mais quentes do ano em todo mundo. Trabalhar ao sol não é fácil mesmo. Além dos coletores de lixo e carteiros, os agentes de trânsito sofrem, pois o desgaste é maior nessa época, que chega a reduzir o ânimo.

Pioneira na fabricação de tecidos profissionais no Brasil e líder da América Latina, a Santista Work Solution desenvolveu a tecnologia em tecido contra os raios UV, com sua linha Coldblack, que reduz a absorção dos raios solares em cores escuras e promove melhor gerenciamento térmico. O produto reduz a temperatura em até 5 ºC e minimiza o desconforto causado pelo calor. O tecido é ideal para uniformes utilizados por trabalhadores que ficam expostos ao sol durante longos períodos do dia. Sem dúvida, a proteção contra os raios UV é muito importante.

Por Emily Sobral

11 Comentários

  1. Solange Galvão

    A criação dos tecidos com proteção UV foi um dos principais avanços nos últimos tempos, sobretudo para epi de várias categorias expostas aos raios solares.

  2. Maria do Carmo

    O aperfeiçoamento de equipamentos para uso destes profissionais torna-se fundamental para a qualidade de trabalho. E a proteção contra os raios UV é primordial.

  3. ROBERVAL JANELI SANTOS

    Existe muitos fatores de risco em trabalhos a ceu aberto.No trabalho do tapa-buraco por exemplo alguns trabalhadores da raça negra tinham problemas de pulmão,mas, não só pela poluição do ambiente mas também pela absorção UV.
    Sempre devemos pensar proteção coletiva ao invés da individual,a Engenharia e a Medicina devem se unir afim de estar sempre na frente do problema.

  4. sueli

    penso nisso sempre que vejo aquelas pessoas que trabalham nos cruzamentos entregando panfletos sob sol escaldante. ficam lá o dia inteiro. quem as protege? só Deus…

  5. Edeilton Barbo

    Interessantíssima essa tecnologia aplicada a tecidos que reduz a temperatura. Parabéns pela matéria, como sempre muito clara, instrutiva e direta.

  6. costa

    Importante observar que operadores e pessoal de manutenção de plantas petroquímicas também ficam expostos ao sol e calor quando estão na área, embora a lembrança dos coletores de lixo chama mesmo a atenção.

  7. Susana Hidas

    É um alento saber que a indústria nacional está empregando tecnologia de ponta na produção de tecidos de proteção contra raios UV. Com o aquecimento acelerado do planeta, não só quem trabalha a céu aberto, como também toda a população se beneficiará disso.

  8. Maria Angela Figueiredo

    As roupas com proteção Anti UV já são disputadas entre esportistas em geral, e a aplicação delas em uniformes e, num futuro próximo, às roupas em geral, são fundamentais à saúde humana. Parabéns por mais essa excelente abordagem que, embora específica, permite ampliar a discussão em tudo que tange à uma vida saudável e de qualidade à sociedade e seus cidadãos.

  9. jaciene araujo nery

    boa noite sou agente comunitária e trabalho fazendo visita trabalho tanto dentro como fora da clinica ganho insalubridade mais vejo que corremos perigo maio na rua do que na clinica a nr 21 seria essa para nos acs ?

  10. wendel dos santos

    Olá..
    Gostaria de saber quais as empresas que fabricam essas roupas com proteção UV.Pois trabalho na rua e estou muito preocupado com a exposição solar.
    Aguardo resposta..

  11. damacelio araujo

    realmente os trabalhadores dessas categorias deveriam utilizar os uniformes de proteção individual este parece se o material adequado parabéns pela matéria esta muito boa

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