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Trabalhador idoso ainda tem lenha para queimar, mas com programa específico para essa “garotada”

Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, em 2040, 57% dos profissionais terão mais de 45 anos. Atualmente, a força de trabalho já conta com uma grande quantidade dos maduros. Tanto que, segundo o Sindicato Nacional dos Aposentados, já existem sete milhões de aposentados de volta ao batente, e o setor de saúde e segurança do trabalho não pode dar bobeira sobre esta realidade. Hoje, em 2015, não há política pública no País sobre a questão do envelhecimento nas empresas. Como sempre, a discussão começa entre os especialistas, que precisam se adiantar para encontrar soluções aos problemas.

E daí? Todo mundo sabe dos efeitos perniciosos do envelhecer. Traduzindo: o idoso tem uma série de perdas físicas e sensoriais. Doença crônica é típica da idade, como hipertensão, problemas da tireóide, diabetes e propensão à obesidade. Se ele adquiriu quadros de distúrbios físicos é porque, anos antes, não teve preocupação com hábitos saudáveis. Uma coisa puxa a outra e não há uma solução mágica. O que importa é o olhar dos profissionais do setor de saúde e prevenção de acidentes, enxergando em curto, médio e longo prazos, já que o trabalho de cultura de saúde nas organizações precisa começar com o empregado jovem.

O médico do trabalho e especialista em ergonomia, Hudson Couto, afirma que, com a idade, perdemos no raciocínio, na capacidade de tomada de decisão, na velocidade de detecção visual e percepções motora e cognitiva. Parece a decadência total, que pode levar ao completo desinteresse do empregador em contratar pessoas mais velhas. Na vida real, não é bem assim, e  não é preciso cair em desespero, porque, se em muitos aspectos a saúde do profissional idoso é vulnerável, há também pontos fortes do envelhecer que contribuem no contexto das tarefas laborativas. No entanto, as empresas precisam começar a se preocupar em fazer avaliações da saúde dos trabalhadores mais velhos, implantando no Programa Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) ações específicas para eles.

Não é porque começa a ficar com a certidão de nascimento antiga que o profissional perde a capacidade de compreensão. Só se ele tiver com diagnóstico de demência, o que não é o caso de um profissional ativo e capaz de realizar plenamente suas funções. Um ponto positivo, segundo Couto, é que quem é mais maduro tem a capacidade de formulação de modelos aumentada. Exemplo: um gerente de processo produtivo com muitos anos de “janela” capta melhor problemas do setor. A organização do trabalho é uma qualidade mais peculiar do profissional maduro. E qual é o patrão que não quer um empregado organizado? Além de que sua experiência ajuda os colegas mais jovens. Sobre segurança e prevenção do trabalho, o empregado idoso é sempre mais preocupado com segurança e está sempre pronto a alertar os jovens sobre a importância de usar equipamentos de proteção individual em funções de risco.

Logo, o papel do médico do trabalho é orientar o empregado que já passou dos trinta anos, mostrando que se pode envelhecer bem. Já há ginástica para o cérebro, para o físico e, sobretudo, é preciso ficar atento aos problemas musculoesqueléticos. O serviço de medicina do trabalho  deve gerenciar a saúde do indivíduo para evitar as patologias que limitem a produtividade do profissional. Afinal, não se pode esquecer uma situação inevitável constatada pela pesquisa. Em 2040, 57% da força de trabalho terá mais de 45 anos.

 Por Emily Sobral

5 Comentários

  1. Maria

    E sem falar que a população do país está mesmo envelhecendo. Logo não poderemos ficar sem esta mão de obra com mais experiência. Por isto a preocupação com a segurança e a saúde desta galera vem bem a calhar.

  2. Rosana Leite

    O trabalhador idoso deveria ser mais valorizado devido a sua experiência e conhecimento, mas o que vemos é a que a idade é um fator de exclusão nas entrevistas, onde o empregador opta por mão de obra jovem, em função de baixa remuneração e pela falta de vícios. Concordo que investindo na prevenção de sua saúde, damos ao trabalhador idoso condições de se manter por mais tempo no mercado, e como você disse com muita lenha ainda pra queimar.

  3. hetore

    Esse país ou estado de sp não valoriza as pessoas mais velhas, só um exemplo: Posso utilizar transporte gratuito pela CMTU em São Paulo até Arujá, pela via Dutra Arujá, com a carteira de identidade p/ acima de 60 anos. Depois de Arujá vale só para pessoas com idade igual ou superior a 65 anos pela mesma CMTU. Para se utilizar um onibus intermunicipal saindo da estação rodoviária do Tiête, é possível viajar de graça para o interior de sp, apresentando o doc com idade igual ou superior a 60 anos, mas é nescessário agendar a viagem 5 dias antes, sómente no guichê. pessoalmente, isso é uma chatice, pois poderia ser feito o agendamento pelo telefone ou e-mail: Descaso e um tô nem aí das empresas para as dificuldades que um idoso enfrenta para chegar na rodoviária Tiete com os onibus e metros lotados.

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