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Trabalhador de limpeza de hospital está vulnerável aos acidentes

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Descarte inadequado de agulhas em hospital coloca em risco trabalhadores da limpeza (Foto Pixabay)

Sei que há uma gritaria por parte dos trabalhadores e sindicatos contra a terceirização de serviços, que dizem provocar a precarização do trabalho. Não entro no mérito da questão hoje, mas trago, sim, o assunto da terceirização das atividades-meio, voltada aos serviços de limpeza em hospitais. Já adianto que o problema não é a contratação de empresas que emprestam sua mão de obra para trabalhar na limpeza nos serviços de saúde, mas a negligência do contratante (o hospital) e do contratado, empresa terceirizada, em relação à prevenção de acidentes com as categorias de profissionais que não pertencem às atividades-fim, no caso médicos e enfermeiros.

Embaso minha análise sobre o tema trazendo o estudo feito pela perita em engenharia de segurança do trabalho do Ministério Público do Trabalho, Caetana Taveira. A pesquisa aponta que funcionários da limpeza são os que mais se acidentam com material perfurocortante. O estudo avaliou as causas das ocorrências e o tratamento dado pelas prestadoras de serviços aos acidentados. Sabe por que isso acontece? Primeiramente, de forma displicente e irresponsável, os médicos e enfermeiros do hospital descartam os materiais perfurocontantes, favorecendo os acidentes envolvendo os funcionários da limpeza, que são terceirizados. Será que se estes fossem empregados do próprio hospital, ou seja, não fossem terceirizados, o problema existiria do mesmo jeito?

Também há a omissão do prestador de serviços que não informa ao hospital a ocorrência do acidente. Se isso não acontece, o hospital passa a não implementar medidas para evitar novos casos. O fato gerador do acidente é o material descartado inadequadamente, e a empresa de limpeza não tem nenhuma gestão sobre isso. Diante do problema que afeta o pessoal de limpeza, é claro que a terceirizada e o hospital precisam trabalhar em conjunto, para que a questão de prevenção não seja totalmente ineficaz. A terceirizada, quando informa os acidentes, o hospital passa a identificar as situações de risco, e não ignora que estes ocorrem.  Agora, a situação de descaso com os trabalhadores é bem pior por parte das terceirizadas, que não adotam as medidas de prevenção como, por exemplo, a vacinação das equipes que atuam em hospitais e a falta de tratamento adequado dos acidentados. Não há, por exemplo, um esquema de vacinação contra hepatite B. Se houvesse, caso eles se acidentassem, teoricamente, não precisariam fazer o acompanhamento contra esse tipo de hepatite.  Além disso, não existe um controle em relação ao retorno médico dos trabalhadores acidentados com perfurocortantes. O acompanhamento do acidente de trabalho é responsabilidade da empresa prestadora de serviços, mas o hospital também é responsável pela gestão de SST de seus trabalhadores terceirizados. Assim, os empregados “espetados” pelas agulhas não têm atenção por parte da empresa prestadora de serviços nem pelo hospital. Quando o assunto é treinamento, a terceirizada demonstra desprezo pela saúde dos empregados, que passam por curso voltado às questões de qualidade do serviço, e nenhum para questões de segurança e saúde. Inclusive, nos treinamentos, pouco se fala sobre o uso do equipamento de proteção individual.

Para finalizar, a pesquisadora lembra e recomenda que a norma regulamentadora 32, que trata da segurança em serviços de saúde, inclua um anexo com requisitos claros de proteção ao pessoal terceirizado, que faz limpeza. Afinal, são seres humanos, não?

4 Comentários

  1. Elisete Almeida

    O que acontece com os trabalhadores de limpeza dos hospitais prova que a terceirização precariza a relação de trabalho, sim

  2. Luiz Alberto Teixeira

    evidentemente, se o contratante do serviço de limpeza fosse o hospital, o tratamento aos faxineiros seria bem diferente. que tristeza!

  3. Melody

    Gostei da matéria. Mas faltou falar dos dispositivos de segurança para os materiais pérfuro cortantes.
    O ministério da saúde possui o dado de que quem mais se acidenta ainda é o contingente da enfermagem. Os trabalhadores acidentados são acompanhados pela epidemiologia dos municípios e são criteriosamente acompanhados.

  4. celia wada

    Eu tenho dito que é necessário e URGENTE FORMATARMOS UM CURSO PROFISSIONALIZANTE para o setor de Organização e Limpeza e isso é muito sério.
    Não tem profissionais especializado na área e daí, além de ser um setor sem “responsáveis” habilitados e capacitados para os diferentes tipos de limpeza, desinfecção, etc…, é um setor onde os trabalhadores correm riscos imensos mais ainda pelo desconhecimento e seus orientadores
    Nem mesmo treinamentos básicos são feitos para os profissionais…enfim…

    O ASSUNTO É MAIS SÉRIO DO QUE SE PODE IMAGINAR….

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