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Setor de construção civil em Piracicaba expõe operários ao risco de acidentes. Está na hora de reverter esse descaso com a segurança do trabalhador

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Quando o operário de construção civil verá o sol, a lua e as estrelas sem correr riscos? (Foto Pixabay)

Vou confessar que, diferentemente de Eduardo Campos, não acredito no Brasil. Calma, não é crise de pessimismo, não! Estamos às vésperas das eleições para escolher o presidente, e a maioria dos candidatos causa mais desalento ainda. Tem chão pela frente para o País caminhar nos trilhos. Executivo, Legislativos e Judiciários também não nos deixam virar a chave mental que nos leve ao otimismo. Vou adotar o lema: “Brasil é o país do futuro”, distante, mas é.

Então, chego ao assunto deste blog: saúde e segurança do trabalho.  A equipe de vigilância do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) de Piracicaba, em São Paulo, flagrou 20 ambientes de trabalho em condições de risco grave e iminente. As irregularidades ocorreram entre os meses de junho, julho e agosto. Por isso, as atividades foram suspensas até a regularização dos espaços e dos procedimentos.

No Brasil é assim: há boa legislação, boas instituições, como é o caso do Cerest, que visa prover a Rede Nacional de Atenção à Saúde dos Trabalhadores (RENAST), integrando os serviços do Sistema Único de Saúde-SUS, voltados à Assistência e a Vigilância. Como não poderia deixar de ser, o setor de construção civil, segundo o boletim de Acidentes do Trabalho, do Cerest, continua ocupando a quarta posição entre os casos registrados de 2012 a 2016, totalizando 5.283 ocorrências no período. Quanto à gravidade dos infortúnios laborais, esse setor ocupa o topo do ranking. O trabalho em altura ou as escavações para fundação da obra continuam representando alto risco para os operários. O Cerest soltou uma nota, em que se diz preocupado, pois mesmo com várias atividades de conscientização e capacitação oferecidas pela instituição, nos últimos três meses, durante as inspeções e fiscalizações, foram encontradas 20 obras em condições de risco grave e iminente. Por que, então, as normas regulamentadoras para a segurança do trabalho, que não são poucas, num total de 36, assim como a específica para ser aplicada ao segmento de construção civil, a NR 18, de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, não são suficientes para mudar essa situação encontrada nos canteiros de obras de todo o Brasil? As atividades de inspeção do Cerest, juntamente com o sindicato de construção civil e do Ministério Público do Trabalho de Campinas, mostraram que, entre as empresas onde foram encontradas irregularidades, em Piracicaba, são executadas instalações de lojas de dois pavimentos. Isso indica que são construtoras de pequeno porte, incapazes de seguir os procedimentos e boas práticas de segurança.

Pelo que se vê, o Brasil ainda não chegou ao futuro.

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

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