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Será que Neymar sofre com os riscos de acidentes de trabalho ou é tudo simulação?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Assim como Neymar, os jogadores estão expostos aos riscos ocupacionais (Foto Reprodução)

Neste período de Copa do Mundo, virou mania opinar sobre o estilo cai-cai de Neymar. Para uns, ele simula faltas excessivas. Para outros, ele é vítima dos adversários que não suportam os dribles do craque, abusando de lances de jogo agressivos contra o brasileiro. Sobre Neymar, nem digo que sim nem que não, prefiro manter segredo. Apenas abro sobre esta polêmica futebolística para colocar em jogo um tema pertinente à categoria deste blog, que trata de saúde e segurança do trabalho.

Primeiramente, vale lembrar que a função de jogador de futebol está contemplada na nova Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), pelo Ministério do Trabalho. Logo, se é profissão, também há riscos envolvidos que precisam ser analisados. Leandro Melero, profissional com experiência em saúde ocupacional e higiene do trabalho, lembra que todo jogador está exposto aos acidentes “relacionados às disputas corpo a corpo entre os atletas, que podem resultar em lesões como entorses, fraturas e lesões resultantes de impactos”.

Quanto aos riscos ergonômicos, a situação é ainda mais significativa, tendo em vista que a exigência de alta performance dos atletas leva aos desgastes físicos, que podem resultar nos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e às lesões por esforços repetitivos. É evidente que nos milionários clubes do mundo ou mesmo do Brasil, a estrutura profissional com médicos e fisioterapeutas colocada à disposição dos atletas visa reduzir as doenças e acidentes provenientes da prática esportiva nos campos e fora deles. Essa equipe de medicina esportiva dos clubes de futebol acompanha os limites físicos dos atletas, buscando oferecer tratamentos terapêuticos de recuperação para os desgastes sofridos tanto pelos treinamentos como pelos jogos dos campeonatos.

Quando há o monitoramento especializado, com equipe multidisciplinar, os jogadores não sofrem tanto com os exercícios e contusões. Entretanto, há uma imensa maioria de atletas que laboram em times pequenos que não oferecem a estrutura adequada à prevenção de lesões musculares. Com isso, esses jogadores menos privilegiados ficam expostos ao chamado overtraining, devido ao excesso de exercício sem controle, levando-os a terem problemas como anorexia nervosa, bulimia, distúrbios do sono e até hormonais. Inclusive, o overtraining ocorre tanto em esportistas amadores quanto profissionais. Isso porque está relacionado ao mau planejamento dos treinamentos em termos de volume, intensidade e pausa de recuperação.

Agora, voltando aos privilegiados jogadores da Copa do Mundo. Eles também não estão imunes aos riscos, especialmente de acidentes. Este ano, não lembro ainda ter havido uma situação dramática envolvendo jogadores, mas, na Copa de 2006, houve um acidente com o zagueiro Materazzi, da Itália, que ficou inesquecível. Qual?  O francês Zinedine Zidane, já na condição de craque consagrado mundialmente, irritado, deu uma tremenda cabeçada no peito de Materazzi, pois se disse insultado pelo jogador rival. Sem dúvida, o zagueiro sofreu uma lesão digna de afastamento por acidente de trabalho. Bem, pior para o time francês, que perdeu a Copa daquele ano. Ah, amanhã, esperamos que Neymar jogue bola sem cair, fazendo gol, ou o Brasil volta para casa para recuperar o desgaste físico dos seus jogadores.

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

5 Comentários

  1. José Santos

    Jogar futebol em grandes clubes é poder contar com profissionais bem remunerados para mitigar os riscos. Mas, infelizmente, uma imensa maioria de jogadores vive na penúria, e não há nenhuma proteção aos riscos ocupacionais.

  2. Maria Cecília Dias Kfury

    Como sempre, seus artigos são excelentes e super atuais. E a foto de hoje é muito engraçada! Parabéns Emily!

  3. Leandro Melero

    Parabéns Emily! Texto com tema atual, integrando perfeitamente as perspectivas de saúde ocupacional e segurança do trabalho. Literalmente um show de bola!

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