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Sem explosões: poeiras industriais requerem avaliação e medidas de prevenção

Fazer controle de poeiras explosivas não é coisa simples, mas bastante necessária. A higiene ocupacional, ventilação industrial e controle de poeiras explosivas são requisitos básicos para prevenir acidentes de grandes proporções. Para isso, há uma dupla inseparável: critério técnico e investimentos. Imagine um tipo de poeira produzida no dia a dia das plantações de grãos, como arroz, feijão e vegetais que o Brasil dispõe em suas terras férteis. Na hora em que se vai escoar a produção agrícola até os silos, as poeiras acumuladas e transportadas com os grãos em dutos e esteiras são verdadeiras cargas explosivas. Se esse material chega por caminhões ou trens, descarregado em esteiras e passando por túneis debaixo da terra que são espaços confinados, os riscos desses pós-combustíveis serem detonados, causando acidentes graves, são palpáveis e devem ser prevenidos. Sim. Vou bater numa tecla: critério técnico e investimentos.

“Por ser um ambiente fechado com resistência mecânica, no caso de haver uma explosão vai arrebentar tudo pela frente e, às vezes, a destruição pode ser de uma indústria inteira. Aqui, no Rio Grande do Sul, já houve um caso de perda total”, afirma Ary de Sá, engenheiro especializado em controle de poeiras explosivas. Como o cereal viaja quilômetros por debaixo da terra e vai largando pó em toda a extensão, preso e confinado entra em combustão num determinado ponto. Se um trabalhador que vai operar a carga tiver uma atitude de desatenção, por exemplo, acendendo um maçarico, a explosão vai acontecer fatalmente, e o estrago será lamentável. Vidas de trabalhadores podem ser perdidas e ambientes produtivos fechados. “Quando acontece a explosão em uma unidade agrícola pequena, em silos de proprietários rurais individuais, o estrago pode não ser grande nem tão catastrófico, mas quando ocorre numa indústria, o acidente vai ser feio”, diz o especialista.

O critério técnico ao qual me refiro no início do post é a preocupação que as indústrias precisam ter em fazer o levantamento da área onde são transportados os produtos que geram poeiras explosivas. Deve-se fazer um apanhado de todas as máquinas e equipamentos que estão presentes na indústria e locais por onde os materiais particulados viajam com os grãos, por exemplo. É indispensável à gestão da empresa contar com especialistas que levantem os riscos e projetem equipamentos de ventilação industrial. O pó que vai sendo depositado no chão, paredes e em locais de difícil acesso acaba formando uma bomba pronta para ser detonada se estes tiverem características de espaços confinados. “É preciso identificar todos os pontos por onde os pós e poeiras mudam de direção, entrando em suspensão. Essa poeira fina como talco, encrostada em cima das esteiras e transportada junto com o produto agrícola em um túnel, às vezes, de 100 ou 200 metros, está pronta para entrar em combustão. A avaliação técnica permite projetar equipamentos que vão capturar e conduzir as poeiras explosivas para fora do prédio”, explica.

Aí, diante dos riscos da operação, não é possível que as empresas dispensem e não invistam em ventilação industrial, para que as poeiras explosivas sejam dispersas para fora das instalações industriais. Não é um investimento de baixo custo, mas tem um ditado que diz que o barato sai caro, especialmente quando se fala em vida humana. Tudo vai depender do tamanho das instalações e quantidades de produtos transportados. Há filtros separadores, que funcionam soltando as poeiras do ar, e sistemas de exaustam com diversas capacidades. O projeto e instalação de equipamentos fazem com que o ar limpo volte à atmosfera e as poeiras fiquem dentro dos silos, retiradas posteriormente e servindo até de adubo aos agricultores.

“Projeto os equipamentos que mantêm a unidade limpa e por isso ela não explode, mesmo havendo imprudência dos trabalhadores acionando faíscas, pois não havendo quantidade suficiente de poeiras para entrar em suspensão nenhum foco de calor vai detonar uma explosão. As indústrias, às vezes, são refratárias a investir em um sistema de proteção porque consideram caro, mas, com certeza, fica mais caro depois terem que indenizar as famílias dos trabalhadores mortos por uma explosão ou perderem a fábrica inteira”, explica.

Os requisitos legais para avaliação dos riscos contra poeiras que norteiam as ações de prevenção levam em conta a qualificação e quantificação das partículas, conhecendo as características dos vários materiais. A medição que é feita em laboratório avalia a quantidade de poeira presente no ar que, em suspensão, pode levar a explosões. “Há poeiras que são explosivas, mas não oferecem muitos riscos. Já as poeiras dos cereais têm gradações descritas em tabelas. O problema é que não há no Brasil nenhum laboratório de ensaio com poeiras de cereais, e precisamos recorrer para o de fora do País. Quando envio as amostram para laboratório dos EUA, que devolve o resultado dos elementos, posso calcular quais devem ser os dispositivos, filtros e tubulações que protejam de riscos de explosões. Há poeiras, por exemplo, que o simples atrito dentro da tubulação pode gerar eletricidade estática e soltar uma faísca que resultará em combustão e levar ao acidente”, explica. Fui clara que não se pode negligenciar a gestão de poeiras explosivas?

Por Emily Sobral

6 Comentários

  1. Katarina Saldiva

    Ser empresário é ter que investir para a proteção de todos. afinal, quer ganhar dinheiro? só se for com segurança. emily, muito bem.

  2. José Augusto da Silva Filho

    Lembrar Emily que está matéria é importante e de extrema relevância e requer estudo, pesquisas e aplicabilidade de metodologias adequadas com relação ao princípio da explosividade, como também na questão da Higiene Ocupacional. Lembramos aos leitos que o Limite Inferior de Explosividade (LIE), é a concentração mínima de pó em suspensão, que
    propagará uma combustão. O LIE médio é de aproximadamente 0,065 onças por pé cúbico de ar, ou 0,059 gramas por litro.Os grandes danos são geralmente provocados por explosões múltiplas.
    A primeira explosão geralmente é fraca, porém provoca distúrbio suficiente para dispersar mais pó no ambiente e a explosão repete-se com maior intensidade. Alguma forma de controle das fonte que podemos citar para ilustrar, mas existe inúmeras, a título de prevenção, é o de aterrar os equipamentos para prevenir descargas eletrostáticas.
    Selecionar os sopradores e exaustores adequados e manter uma manutenção constante, para evitar o contato entre as pás e a carcaça. E por aí vai… Abraços e parabéns pela matéria!

  3. Maria

    Laboratório de ensaios de poeira de cereais. Tai uma área a ser explorada no Brasil. Capacidade nós temos, falta ser atrativo do ponto de vista financeiro. Tema muito bem levantado, parabéns.

  4. José Augusto da Silva Neto

    Excelente matéria, parabéns!
    Em relação ao empresariado ligado à este meio, está ciente ou deva estar com as condições e o potencial de risco. O Lado lamentável é a CARGA TRIBUTÁRIA, e a falta de infra-estrutura adequada, tendo em vista a importância do pais na produção, exportação de grãos, enfim. Não possuindo em território nacional laboratórios especializados para avaliação dessa quantificação / concentração. Tendo que exportar análise, encarecendo toda a análise e investimentos para o setor. De modo geral, parabéns pela matéria, e ao país um grande lamento pela irresponsabilidade na infra estrutura e absurda carga tributária.

  5. Smithc525

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