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Salvem os bombeiros. Eles também precisam de socorro

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

São Paulo - Bombeiros procuram mulher soterrada nos escombros de igreja da Assembleia de Deus que desabou na tarde de ontem (dia 15) em Diadema, no ABC Paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Bombeiros procuram mulher soterrada nos escombros de igreja da Assembleia de Deus que desabou na tarde do dia 15, em Diadema, no ABC Paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Intenso trabalho e anos de dedicação ao ofício são fatores potenciais para o surgimento de diversas doenças relacionadas às atividades. Como, por exemplo, lombalgia com ciática, transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatia, problemas internos de joelho, episódios depressivos graves com sintomas psicóticos e a dor lombar. Quem vai querer uma profissão dessas? Pois é, não quero desestimular a atividade que conta com a simpatia da população e é uma verdadeira unanimidade: bombeiro.

É no combate aos incêndios e às diversas ocorrências de emergência que o profissional mais amado do Planeta pode desenvolver essas cinco patologias. Esse achado preocupante é resultado da pesquisa de mestrado em Saúde Pública pela ENSP do Rio de Janeiro, realizada pelo cabo bombeiro militar, Luiz Antonio de Almeida. O estudo compreendeu um universo de 2.454 trabalhadores.

Jogar confete na categoria, que realiza uma atividade essencial à sociedade, todo mundo sabe. Agora, será que a academia e as forças públicas de segurança querem discutir esse assunto, para descobrirem que as funções dessem profissionais geram riscos à saúde?

Ao executar uma missão laboral, os bombeiros estão expostos às cargas excessivas físicas, químicas, mecânicas, biológicas, fisiológicas e psíquicas. No âmbito da pesquisa, Almeida mapeou a participação do Corpo de Bombeiros, totalizando 25 unidades com cerca de 2.454 trabalhadores. Essas unidades foram responsáveis por 51,5% de todos os atendimentos realizados em 2015, num total de 173.532 casos de assistência à população que precisou de bombeiros.

Segundo o estudo, os trabalhos de maior demanda pela população carioca foram realizados por 860 bombeiros. Almeida apurou junto ao Centro de Perícias Médicas e Saúde Ocupacional um total de 16.898 registros de atendimentos médicos, com e sem afastamentos. Com a pesquisa, chegou-se a seguinte conclusão: o acúmulo de atividades, efetivo reduzido e grande demandas pelos serviços reúnem as condições ideais ao desenvolvimento das doenças de trabalho para os bombeiros.

“O amplo espectro de doenças pode possuir relação direta com as atividades de trabalho desenvolvidas pelos bombeiros. Por isso, faz-se necessária a reposição do efetivo, o enxugamento das atividades de trabalho e o estabelecimento de uma atenção à saúde com ênfase na prevenção”, afirmou o cabo bombeiro.

Faço aqui minha análise, se os bombeiros executam funções altamente cansativas e arriscadas, não seria um dos motivos de tanto apreço do povo com a categoria? Eles dão, durante um combate contra o fogo, resgate e salvamento de pessoas, até o último suor do corpo, sem a devida contrapartida de prevenção e segurança. É claro que a população tem todo o direito ao serviço de emergência prestado pelos bombeiros. Agora, quem é que resgata o bombeiro quando este se encontra combalido por anos de dedicação? O Sistema Único de Saúde? Tenha dó!

2 Comentários

  1. Valmira Miranda

    Emily, tem um aspecto importante, que é os bombeiros gostarem tanto do que fazem. O trabalho é considerado missão. Mas que a vida deles fica vulnerável, não tenha dúvida. e quando morrem em combate? parabéns.

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