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Radioatividade na indústria não deve ser subestimada

A exposição a agentes radioativos está presente na indústria pesada, por conta das análises e procedimentos que usam a radiação nuclear. Chamada de gamagrafia, a tecnologia que utiliza raios gama, nada mais é do que uma inspeção radiográfica, que permite detectar defeitos, imperfeições e corrosões em grandes equipamentos e tubulações. Por exemplo, na construção do gasoduto Brasil-Bolívia, a técnica foi utilizada para garantir a integridade da tubulação. Não se pode negar que essa ciência eleva os ganhos de produtividade e coloca o Brasil num patamar das grandes nações. Mas é preciso entender também que esse procedimento envolve o uso de radiação e pode causar efeitos nocivos graves ao ser humano, se houver contato direto. É nessa hora que a segurança em trabalhos de radiografia industrial deve priorizar as ações máximas de prevenção, seguindo à risca as normas e legislação. Até porque, o potencial de contaminação em um acidente com utilização de fonte radioativa pode colocar não apenas trabalhadores em atividade com a técnica, mas cidades inteiras em risco. Além disso, no País, os irradiadores de gamagrafia industrial são equipamentos em uso há cerca de 25 anos. Com isso, há uma real necessidade de renovação dos instrumentos e capacitação dos operadores, pois sua origem é estrangeira e os manuais não estão em português.

Esses equipamentos em operação no Brasil têm funcionamento do tipo “panorâmico”, o que significa que a fonte irradiadora sai e retorna para a blindagem protetora. Portanto, a renovação dos equipamentos deve ser prioridade, para reduzir o risco de exposição dos trabalhadores. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, a radiografia industrial é responsável por quase 50% de todos os acidentes relacionados com a indústria nuclear. Esse tipo de acidente tem potencial de causar sérios danos aos operadores, podendo até matá-los. Há duas principais causas para os acidentes. A primeira, relaciona-se ao uso incorreto e à ruptura nos equipamentos, obrigando o operador a se expor para recuperá-los. A segunda, diz respeito a roubo ou perda da fonte, ou ainda acidente no transporte. Nesse caso, de alguma forma, o operador manuseia a fonte irradiadora sem proteção. Se é fato a gamagrafia no setor industrial, é também necessário seguir todas as prescrições de segurança e higiene do trabalho. E quais são? Seguir a norma regulamentadora 5, de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, ou NR 22, que trata da Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração. Além disso, também é exigido o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e o Programa de Gerenciamento de Riscos, para mineração. Há ainda a exigência da Análise Preliminar de Risco, sem contar a observância dos dispositivos de proteção individual e coletiva. O trabalho de gamagrafia deve obedecer também às normas de proteção radiológica. Parece exagero de proteção? Alguém é louco de dizer que sim?

Por Emily Sobral

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