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Quem vai querer comprar um iate? Se não há segurança na indústria naval, boicote esse sonho

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Não basta possuir uma lancha é preciso saber dos riscos da indústria naval (Foto: Pixabay)

Uma das últimas normas regulamentadoras produzidas pelo governo federal, no formato tripartite, que reúne representantes dos trabalhadores, empregadores e governo, a NR 34, que trata da industrial naval, foi publicada em 2010. Já há pouco, em setembro, a NR 34 sofreu alterações com a Portaria Nº 1.112/2016, que entre as principais considerações, adiciona a definição de “cabine de pintura”. Com o conceito, ficou claro que se refere ao local projetado por profissional legalmente habilitado, destinado exclusivamente para tratamento e pintura de superfícies, constituído de materiais incombustíveis ou resistentes ao fogo, dotado de sistema de ventilação/exaustão, filtragem e controles ambientais.

Mas, aproveito o gancho da nova portaria, para tratar sobre a NR 34, que até hoje não havia escrito neste blog. As atividades exercidas por trabalhadores da indústria da construção e reparação naval, dentro dos estaleiros, como também embarcações e estruturas, fazem parte do propósito dessa diretriz normativa.

Considerada uma indústria de grande porte, cabe à empresa do setor naval cumprir com as responsabilidades que levem à segurança dos trabalhadores. Numa área que parece admirável como a de construir navios ou que seja uma lancha (lembrei-me da cena de ação na lancha, que aparece no fim do filme em A Outra Face, do diretor John Woo), o passo a passo da segurança prevê atribuições claras das equipes.

Primeiramente, deve haver um responsável formal pela introdução da norma. Em seguida, é obrigatório que antes do início de qualquer atividade, devem-se garantir as medidas de proteção aos empregados. É preciso também suspender todos os trabalhos quando houver mudanças nos ambientes que gerem potenciais situações perigosas à integridade física e psicológica das equipes. A norma orienta ainda a execução da Análise Preliminar de Risco (APR), quando necessária, seguida de emissão de permissão de trabalho (PT). As atividades, o processo de trabalho, os riscos e as medidas de proteção devem ser tratados num documento assinado, antes do diálogo diário de segurança (DDS). Evidentemente, todas as informações devem estar sempre atualizadas, com suas medidas de controle completas. Enfim, todas as providências que prezam pelo cumprimento das medidas preventivas, inclusive junto às empresas terceirizadas, constam das diretrizes normativas.

A NR 34 orienta também as tarefas relacionadas ao trabalho em altura, exposição às radiações ionizantes, pinturas, movimentação de carga, montagem e desmontagem de andaimes, trabalho a quente, entre outras. Além de tudo, uma peça central na prevenção na indústria naval chama-se treinamento. O trabalhador deve ser instruído quanto às suas atividades, incluindo sinalização de máquinas e equipamentos, EPIs e ações a serem adotas em caso de incidentes. Como o setor abrange o trabalho em portos, navios e barcos, ou seja, mantém-se com características próprias, o plano de segurança precisa ser realizado de acordo com a realidade do ambiente. Técnico e engenheiro do trabalho fazem-se essenciais rumo à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

 

3 Comentários

  1. Luis Afonso

    Grandes estaleiros não podem se furtar de fazer uma boa gestão de segurança do trabalho. Mas a fiscalização do estado é importante também

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