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Quatro anos da tragédia da Boate Kiss e a briga continua

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Fachada da boate Kiss. Falta de justiça até hoje (Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Hoje faz quatro anos da tragédia de Santa Maria. A Justiça, como todos sabemos, é lenta. Assim, o processo que apura as 242 mortes no incêndio arrasta-se no Tribunal. Como tratamos neste blog sobre proteção contra incêndio, escrevo hoje como uma homenagem às vitimas e também para falar do imbróglio entre famílias das vítimas e Ministério Público.

Primeiro, faço um apanhado do caso na justiça. Inicialmente, das 28 pessoas responsabilizadas pela polícia, o Ministério Público denunciou quatro bombeiros. Um foi absorvido e dois condenados pela Justiça Militar por descumprimento da expedição das leis de alvarás, e outro foi condenado pela justiça comum por fraude processual. Todos cumprem pena em liberdade. Outras quatro pessoas foram denunciadas por homicídio, sendo os donos da boate, o músico e o produtor do grupo que fazia o show naquele dia fatídico. Todos respondem em liberdade.

Atualmente, o caso está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça. A boate permanece do jeito que estava logo após o incêndio, inclusive ainda se veem sobre as mesas, os nomes dos jovens que haviam feito suas reservas. Como se não fosse triste às famílias ver que a justiça é, por causa dos recursos, algo pendente, ainda há o tal embaraço com alguns parentes das vítimas sendo processados por promotores por calúnia e difamação. Desde a primeira vez que escrevi sobre a tragédia, fiz a pergunta: “por que os pais das vítimas e o Ministério Público, que deveriam estar do mesmo lado, estão brigando na Justiça?”

Para entender esse processo deve-se relembrar que, durante o inquérito que apurava as causas do incêndio, descobriu-se que o Ministério Público da cidade havia firmado, antes da tragédia, um termo de ajustamento de conduta (TAC) com os sócios da boate, por causa de reclamação de vizinhos devido ao som alto da casa. Na ocasião, o Ministério Público indicou um engenheiro que determinou mudanças no estabelecimento. No entanto, como o problema não tinha sido resolvido, os sócios da boate decidiram instalar a espuma, que foi a responsável pela produção da fumaça tóxica que matou a maioria das vítimas. Então, seus pais alegaram que os promotores conheciam as irregularidades e não tomaram medidas necessárias para que isso fosse regularizado e para que boate fosse fechada.

Ocorreram trocas de acusações entre pais e promotores, que, sentindo-se agredidos, resolveram entrar com a ação contra esses pais, que alegam evidência da blindagem e corporativismo.

Que situação inusitada! O Ministério Público, que deveria buscar a responsabilização da tragédia, movendo um processo contra as vítimas. Será uma inversão de valores? Pelo que conheço de alguns desses pais, a resistência vai longe…

8 Comentários

  1. Susana Hidas

    E pensar que os familiares dos presidiários mortos na rebelião que ocorreu recentemente já foram indenizados! Inversão de valores total!

  2. Jéssica

    E pensar que os familiares dos presidiários mortos na rebelião que ocorreu recentemente já foram indenizados! Inversão de valores total! (2)

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