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Quanto mais alto o PIB, mais acidentes em Mato Grosso. Incoerências do capitalismo tupiniquim

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Em Mato Grosso enquanto a produção cresce, os trabalhadores são negligenciados (Foto Agência Brasil)

Pois é… De janeiro a setembro do ano passado, a economia do estado do Mato Grosso cresceu 13,9%, enquanto a atividade econômica nacional registrou um aumento de apenas 0,6% no mesmo período.

No acumulado dos últimos quatro trimestres de 2017 em relação aos períodos anteriores, Mato Grosso apontou crescimento de 10,2% e no Brasil a redução foi de -0,2%. Como explicar que o desenvolvimento econômico de Mato Grosso possa vir acompanhado de aumento dos acidentes de trabalho graves, envolvendo trabalhadores do sexo masculino, registrados, que atingiram as mãos e a cabeça e em setores e atividades pesadas? Pode parecer lógico que o ritmo acelerado na produção em setores pesados resulte em mais acidentes com os trabalhadores. Mas não pode ser admissível, pois para mais desenvolvimento, mais prevenção, não é?

Porém, o Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), do setor da Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), levantou a ocorrência de 11.327 casos graves no estado no período de 2012 a 2016. A pesquisa do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) foi categorizada por faixa etária, sexo, raça, escolaridade, ocupação, local, tipo de acidente e, inclusive, as partes do corpo mais atingidas. Em 59,1% das ocorrências, os empregados são registrados, sendo que 67,2% dos acidentes ocorreram nas instalações do contratante e 82,4% durante a execução das tarefas laborais. A faixa etária de maior incidência é entre 25 a 34 anos, 88,4% das vítimas são homens das raças branca e parda, com nível de escolaridade entre o 1º e o 3º ano do Ensino Médio, que trabalham na zona urbana e na maioria dos casos encontram-se nos setores como agropecuário, construção civil e na operação de máquinas e equipamentos e veículos automotores.

Em vez de investimento em segurança do trabalho, os ambientes laborais de Mato Grosso mostraram o contrário, seja por jornadas de trabalho extensivas, tipo de organização do trabalho ou até falta de equipamentos de proteção coletiva e individual. Segundo o levantamento, as partes do corpo mais atingidas são os membros superiores (49,1%), principalmente as mãos, seguida dos membros inferiores (13,3%) e cabeça (11,8%).

Sobre os agravos, 40,9% obtiveram cura e 36,9% apresentaram incapacidade temporária, o que provoca o afastamento do serviço para tratamento. Dos 11.327 trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho de 2012 a 2016, 318 (2,8%) foram a óbito. A Taxa de Incidência (TI) dos acidentes de trabalho grave teve um aumento expressivo no período analisado, saindo de 120,2 em 2012 para 202,4 acidentes de trabalho para cada 100 mil habitantes em 2016.

Será que não é mais racional o PIB crescer e os acidentes caírem?

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

2 Comentários

  1. Keiti A. Bacaglini

    Na minha opinião, segurança do trabalho não tem uma relação “direta” com o PIB e sim uma relação INDIRETA, Segurança do Trabalho é uma questão Cultural e de Educação do povo brasileiro como um todo.

    Existe uma relação direta dos acidentes do trabalho com a precarização da mão de obra e com a faixa sócio econômica da população, os acidentes ocorrem com maior frequência e gravidade, nas camadas menos favorecida da sociedade, onde o trabalho é análogo a escravidão e não existe uma qualificação da mão de obra, trabalhadores braçais, a falta de uma fiscalização eficaz e de políticas públicas corroboram para este cenário caótico no Brasil e nos países do Bloco BRICS.

    Saude e segurança do Trabalho, assim como finanças pessoais, empreendedorismo, deveria ser matéria OBRIGATÓRIA na grade curricular nas Escolas de 1º e 2º Graus.

    Na minha modesta opinião falta uma cultura e educação nestas áreas, assim como no geral, a Educação no Brasil precisa ser repensada, além de Legislação e fiscalização mais rigorosas, o CRIME no Brasil compensa…!

    Acidentes e doenças profissionais tem reflexos no PIB de maneira NEGATIVA, uma vez que esta conta é paga por todos os brasileiros independentes da classe social, em especial pelos acidentes com afastamento e doenças profissionais incapacitantes, este é o famoso CUSTO BRASIL…!

    Enquanto estas mudanças estruturais não sejam modificadas, alguma coisa precisa ser feita; creio que o seu BLOG tem contribuindo muito para fomentar e apontar as distorções que vem acontecendo no Brasil, em especial na área de segurança e saúde ocupacional, fomentando uma cultura prevencionistas na sociedade, haja visto o poder, relevância e a penetração que as redes sociais tem hoje em dia em todas as camadas da sociedade.

    Parabéns pelo seu trabalho Emily.

    Keiti

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