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Qual é o risco da nanotecnologia para a saúde dos trabalhadores? Nem os pesquisadores sabem ainda

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Nanotubo de carbono (Foto Pixabay)

Não há perigo maior contra as ações de prevenção de acidentes e doenças do trabalho do que a falta de conhecimento.

Como vocês sabem, o setor de construção civil é um dos que mais acidenta trabalhadores. Objetos em queda, alergias e complicações e tombos de altura são algumas das situações que o setor reconhece como arriscadas e, portanto, precisam de ações preventivas. Engenheiros, técnicos e médicos do trabalho que atuam em obras de engenharia sabem como ninguém quais elementos devem constar no Programa de Controle Médico de Saúde e Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

No canteiro de obras, até eu sei que para o risco de objetos em queda, a postura preventiva é o uso adequado de equipamento de proteção individual, como capacete. Contra as alergias ao cimento, por exemplo, a proteção se dá pelo uso de máscaras e luvas. Já sobre os tombos, entre outras ações, a conscientização do operário para caminhar em vez de correr em lugares com materiais pelo caminho, é uma medida que previne acidentes.

Mesmo no caso do setor de construção, que é conhecido e de tradição, ainda há tanta dificuldade para prevenir acidentes de trabalho. Voltemos à falta de conhecimento sobre os riscos. Pois é o que os profissionais de saúde e segurança do trabalho vêm enfrentando com a chegada da nanotecnologia. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), até 2020 cerca de 20% de todos os produtos manufaturados no mundo serão baseados no uso da nanotecnologia.

Afinal, quais serão os riscos dessas novas tecnologias? Há muito pouco saber científico sobre os perigos envolvendo produtos que utilizam processos da nanotecnologia. Hoje, muitos insumos e produtos intermediários são utilizados na indústria, como dióxido de titânio, fulerenos, nanopartículas de ouro, nanopartículas de prata, nanotubos de carbono e polímeros, assim como produtos finais, como chips eletrônicos, displays, filtro solar, roupas inteligentes e sensores gustativos, entre outros, são produzidos com o método da manipulação da matéria numa escala molecular e atômica.

A nanotecnologia já está presente na indústria, e os trabalhadores certamente estão expostos aos efeitos ambientais e de saúde dessas tecnologias. Na hora de propor medidas de prevenção, a verdade é que o setor de saúde ocupacional está diante de um novo desafio, pois pouco se sabe sobre os impactos para a saúde dos trabalhadores causados pela nanotecnologia, não é mesmo? Nesse caso, não se trata de prevenir uma queda de altura, quando o risco foi mapeado e a solução encontrada. Como lidar com os nanotubos de carbono, por exemplo, que são úteis para indústrias de materiais plásticos, nas conduções térmica e elétrica, quando se sabe preliminarmente, que alguns tipos de nanotubos de carbono de paredes múltiplas possuem potencial cancerígeno semelhante ao do amianto?

Agora, estamos falando de matéria que é manipulada em escala atômica e molecular, e não adianta mais chamar o professor Pardal. Só há uma saída: mãos à obra os pesquisadores do mundo, se quiserem utilizar os benefícios e avanços da tecnologia, com segurança ao trabalhador.

3 Comentários

  1. Leonardo Santos

    Concordo, o maior risco da nanotecnologia é a falta de conhecimento da comunidade científica, que ainda é superficial. Com isso, os trabalhadores ficam à mercê das graves consequências sobre sua saúde.

  2. Carmem Silva

    Ora, já se sabe que o material em escala nano tem propriedades diferentes do material em escala maior. Há vários estudos indicando a facilidade das nanopartículas em penetrar em células do organismo. Isso pode resultar em câncer no futuro.

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