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Proteção em silos: sem soterramento nem explosão

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Bombeiros furaram o silo para escoar os grãos de soja (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

No início de julho, dois trabalhadores de uma cooperativa ficaram soterrados por mais de três horas em um silo de grãos de soja, em Paranapanema (SP). As duas vítimas, de 25 e 38 anos, chegaram quase a ficar ‘afogados’ numa montanha de soja de mais de 10 metros. Durante o resgate, os bombeiros escutaram os funcionários gritarem que “não queriam morrer”. Meu Deus, que drama que esses rapazes passaram. Felizmente, as vítimas foram resgatadas com vida.

Mas abro este post com esse acidente para voltar a expor sobre os riscos de explosão em silos, um tipo de acidente bastante recorrente. O perigo que a poeira de grão oferece é grande quando encontra as condições ideais (oxigênio e uma fonte de ignição). Para manter a segurança em silos é necessário, primeiramente cumprir a norma da ABNT NBR 16.385, que define os requisitos para a fabricação, processamento e manuseio de partículas sólidas combustíveis. Também deve-se atender às disposições da NBR 15.662, que trata do programa de gerenciamento de riscos de explosão de projetos industriais.

O silo é um espaço confinado, ou seja, um local que não foi projetado para a ocupação humana e que contém ventilação insuficiente. Para armazenar grãos, ele precisa ter um projeto de análise de risco específico, que proteja o ambiente contra explosão, uma vez que a poeira de grão é formada por aproximadamente 75% de matéria orgânica e 25% de matéria inorgânica. A análise de risco é importante para que se possa mensurar o ‘tamanho’ da atmosfera explosiva.

Profissionais envolvidos com atmosferas explosivas recomendam que a concentração máxima de poeira de grãos seja de 4 g m-3 de ar. A faixa mais perigosa para gerar uma explosão varia entre 20 e 4.000 g m-3 de ar. Há ainda outros parâmetros críticos para a explosão de poeiras de grãos, como o tamanho da partícula: < 0,1 mm; a concentração da poeira: 40 a 4.000 g m-3; o teor de umidade do grão no local: <11 %; o índice de oxigênio no ar: > 12%; a energia de ignição: > 10 a 100 mega Joule (mJ); e a temperatura de ignição: 410 a 600 oC.

Como se vê, o caráter técnico que envolve o risco de explosão em silo requer profissionais capacitados para elaborar soluções adequadas. Segundo Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, é recomendável propor a ventilação local exautora, que capta os poluentes da fonte, antes que se dispersem no ar. “Cada sistema de prevenção e proteção contra o risco de explosão em silo deve ser projetado especificamente a cada local. Não há com prevenir, achando que se vai cumprir a receita de bolo”, conclui Ranã.

 

 

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