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Profissional doente não pode cuidar de prematuros e não é preciso desenhar, não é?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Para trabalhar com recém nascidos é preciso ter saúde (Foto: Pixabay)

O mundo do trabalho é fascinante porque gera situações antagônicas. É bom trabalhar e sentir-se produtivo. Mas também esse ambiente provoca desgastes e até doenças.

Este blog trata todos os dias de segurança do trabalho que, ainda hoje, parece uma abstração aos patrões. Talvez nossa pretensão seja mesmo contribuir para trazê-los à realidade. Afinal, algumas empresas entendem que investir em prevenção é importante só quando são fiscalizadas e multadas. Então vou ao ponto do tema de hoje: em algumas situações, como em serviços de saúde, o fato de um profissional ir trabalhar sentindo-se doente pode levar a sérios riscos aos colegas e pacientes.

O presenteísmo, que se entende como o comparecimento do empregado ao trabalho, apesar de estar doente, foi estudado pela fisioterapeuta do Centro de Referência do Trabalho de Mauá, Adélia Meira de Faria. As conclusões foram preocupantes. A pesquisadora entrevistou 41 trabalhadores da saúde na unidade de terapia intensiva neonatal de um hospital materno infantil particular, da região da Grande São Paulo. Os profissionais do estudo lidam e prestam serviços aos recém-nascidos prematuros. Mesmo sendo seres humanos tão pequeninos, os pacientes necessitam que as equipes médicas e de enfermagem gastem enorme energia para tratá-los.

Com as entrevistas, Adélia descobriu que, no serviço, havia presenteísmo entre os profissionais e seus motivos. “Eles relataram, tanto aqueles que eram celetistas, como os terceirizados, que tinham um grande comprometimento com o trabalho, com os pacientes, com os demais colegas e com a própria instituição”, conta. Segundo ela, o comprometimento foi o principal fator que os levava a ir, muitas vezes, trabalhar mesmo com a saúde fragilizada. Pelas respostas, foi possível constatar que no setor havia subdimensionamento do efetivo de trabalho e alta rotatividade da equipe de enfermagem. Cientes desse contexto, os trabalhadores não se sentiam à vontade para faltar ao emprego, mesmo sentindo-se debilitados. “Eles evitavam faltar também porque estariam comprometendo não só o setor estudado, mas toda a unidade de neonatologia. Mas, identificamos outros motivos, como o medo de perder o emprego, ser mal avaliados pelas chefias, por haver dificuldade de substituição do profissional e por causa dos descontos nos salários”. Adélia destaca que havia ainda falta de percepção do trabalhador sobre seu próprio estado de saúde. As pessoas quando estavam com algum tipo de queixa de saúde consideravam que não era tão grave para faltar. Daí, elas iam trabalhar mesmo doentes. Muitas enxaquecas e cólicas de trabalhadores estiveram ameaçando o ambiente do setor de neonatal. “Isso pode representar um problema para a organização, por se tratar de uma unidade de terapia intensiva neonatal, em que a enxaqueca do profissional pode levar à diminuição de sua atenção e de sua concentração. E isso pode resultar em algum tipo de erro na administração do medicamento ao paciente, por exemplo”, afirma.

De acordo com Adélia, a melhoria das condições de trabalho e a adequação no número de profissionais para atender às demandas podem contribuir para reduzir a sobrecarga física e mental dos trabalhadores, minimizando o presenteísmo. E mais: adequar de forma mais justa os vínculos trabalhistas, para que os profissionais atuem com discernimento sobre seu estado de saúde, sabendo que serão cobertos nas tarefas por outros colegas. O trabalho de Adélia retrata bem o antagonismo que cito no início deste post.

 

5 Comentários

  1. Tiago Franco

    Excelente explanação do tema Emily!
    Inclusive, na minha região ocorreu uma fatalidade com uma trabalhadora de Enfermagem, onde ela administrou nela mesmo conteúdo letal, que pode ser justificado pelo stress e péssimas condições de trabalho que enfrentava.

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