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Profissionais de saúde são infectados por HIV e hepatite, após acidentes de trabalho

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Parece óbvio que a cultura de segurança contra doenças e acidentes de trabalho já esteja incorporada entre os profissionais de saúde. Mas, hoje, quem ousa fazer essa relação automática está sendo ingênuo. Pelo contrário, a NR 32, norma regulamentadora publicada em 2005, que trata das diretrizes de medidas de segurança à SST dos trabalhadores dos serviços de saúde, foi criada justamente porque essa é uma das categorias profissionais que mais se acidenta.

Dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), vinculado ao Ministério da Saúde, mostram que, em 2015, acidentes ocupacionais infectaram com o vírus do HIV e da hepatite 31 trabalhadores da área de saúde na Bahia. O número é elevado, ainda mais se for considerado que 91% dos casos não são notificados. A situação é preocupante. Esse problema no setor de saúde não é uma bobagem sem importância, especialmente porque muitos hospitais ainda descumprem a NR 32. Resultado: os acidentes com perfurocortantes levam à contaminação de doenças graves como a AIDS e hepatite. Segundo a enfermeira e especialista em Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde da empresa Sol-Millennium, Karine de Araújo, em entrevista ao Bahia Notícias, os profissionais de saúde deveriam usar equipamentos e medidas de segurança como, por exemplo, uma seringa que não permite o contato com a agulha contaminada. Não importa que esse tipo tenha um custo mais oneroso. A doença do profissional será muito mais dispendiosa, além de que a saúde não tem preço. Quer dizer, deveria não ter. Mas sabemos como são as coisas no Brasil. Além do mais, quando o profissional sofre um acidente com agulha contaminada, precisará ser afastado e tomar medicação, como estratégia profilática. Depois de um acidente, como passa a correr risco de contrair HIV, hepatite e mais de 20 patologias transmitidas pelo sangue, o trabalhador termina entrando num clima angustiante e estressante.

Nitidamente a fiscalização no País não dá conta de averiguar e até punir as unidades que são negligentes com seus profissionais. “O hospital fica esperando a fiscalização, levar advertência para depois procurar se adequar à norma, sendo que deveria ser pensado não apenas seguir a norma, mas proteger a saúde do trabalhador, que está na linha de frente, mas adoece na sua profissão”, afirmou Araújo. Vê-se que uma das saídas também para a redução desse quadro é a capacitação dos profissionais que, aliás, atuam diariamente com a saúde da população. Vai entender uma contradição dessas!

2 Comentários

  1. RAFAEL CAMARGO

    Importante esta abordagem contínua que você está fazendo referente aos acidentes com os profissionais de saúde visto que como citado, grande parte dos acidentes com exposição à material biológico infelizmente não é notificado, em grande parte devido negligência do (a) trabalhador (a) acidentado, que não o comunica à sua chefia imediata, impossibilitando assim não só a notificação mais também a adoção das medidas seguidas nos fluxos de atendimento ao trabalhador exposto à material biológico, agravando o risco de chances de contaminação.

  2. Katarina Saldiva

    Emily, como sempre você repercute os principais assuntos do setor. já tinha lido sobre esses dados que foram divulgados. parabéns

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