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Professores: digam não ao adoecimento

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Saúde dos professores depende de muitos fatores ( Elza Fiuza/Arquivo/Agência Brasil)

Antes de encerrar outubro que, especialmente para mim, foi um mês de fortes emoções, faço minha homenagem aos professores com este post.

Antes que me exijam que adote um sentimentalismo em relação à profissão, já antecipo que prefiro ressaltar os aspectos objetivos sobre a segurança e saúde desses profissionais. Um dado preocupante e que já abordei em outro texto versa sobre afastamentos dos docentes em função de problemas de saúde.

Segundo uma matéria de O Estado de S. Paulo, em 2016, ocorreram 372 licenças por dia para professores no estado paulista. Será que esses afastamentos são por enfermidades adquiridas no ambiente de trabalho? As condições de trabalho a que os professores estão submetidos os levam mesmo ao adoecimento? São questões que não podem ser respondidas na base do achômetro. Cabe ao Ministério da Educação e Secretarias Estaduais e Municipais de Ensino assumir a responsabilidade de conhecer a realidade laboral dos professores em cada uma das unidades de ensino. Veja bem, não quero nem entrar no mérito das escolas particulares, porque sabemos que uma administração privada pode muito melhor gerir profissionais e detectar carências e vulnerabilidades. Restrinjo-me à educação pública, que é repleta de deficiências, em que tanto docentes como alunos sofrem com os desmandos políticos, que acabam por onerar toda a sociedade.

Muito tem se falado dos transtornos mentais que vêm atingindo fortemente a categoria dos professores, em razões das pressões e precariedades com as quais precisam lidar para transmitir conhecimento aos alunos. Outro tipo de adoecimento recorrente nos professores são os distúrbios da fala e da voz. Isso porque o ruído no ambiente da sala de aula exige que o profissional, por vezes, precise gritar. Não apenas o barulho produzido por jovens e crianças, mas também pela própria organização do trabalho, que impacta na voz do professor.

Mas se essas questões reais estão colocadas, resta à instituição de ensino, aos diretores e aos próprios professores irem em busca das soluções. A promoção da saúde dos professores deve ser um item de reivindicação dia após dia. As escolas devem criar grupos de discussão para a promoção da saúde e prevenção contra as doenças ocupacionais. Não adianta chorarem os recursos minguados à educação, culpando esse contexto por suas doenças. Os professores precisam ir à luta, identificando os fatores que os levam a adoecer, assim como sendo capazes de propor soluções possíveis, que lhes garantam melhoria das condições de saúde. Chegamos a tal ponto que, infelizmente, não adianta mais esperar que o estado olhe por nós.

 

 

Um Comentário

  1. ROBERVAL JANELI SANTOS

    No Japão os únicos súditos que não reverenciam o Imperador são os professores,veja aonde começa o respeito.
    Um filosofo chines orienta corrija as crianças e não precisará punir um adulto.Como nossa classe politica usa o seu poder em beneficio próprio ex: quanto ganha um senador por ano e quanto ganha um professor. Essa é a forma perversa de manter um pais rico de analfabetos funcionais.

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