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Por que há trabalhador que simula doenças?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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No ambiente de trabalho há uma situação que todos conhecem, mas que, entre colegas, só é falada veladamente. Por parte da empresa, a área de medicina do trabalho é quem se responsabiliza por resolver a questão. Trata-se daquele empregado que, com frequência, ausenta-se por motivo de doença. O afastado, como se encontra Dilma Rousseff por causa do impeachment em andamento no Senado, está sempre trazendo um atestado médico. No caso dela, parece-me que não simula doença, pois o mal é outro.

Mas volto ao tema deste blog, que é a saúde e a segurança do trabalho. De fato, a possibilidade de o empregado simular doença não pode ser descartada, assim como não são justas insinuações maldosas, sem base em comprovação legal. Além do mais, o problema é de gestão de pessoas, definida a partir de uma política legalista e responsável. Não se pode incriminar um empregado de forma leviana. Nas empresas, a questão deve ser tratada com a máxima responsabilidade. Sempre parto do princípio, de que ninguém gosta de ficar doente. Daí, fingir estar doente é o fim da picada. Trago esse assunto para análise hoje, por causa do 9º. Congresso de Reabilitação Profissional e Gestão dos Afastamentos, a ser realizado em junho de 2016, que terá o painel “Como motivar as pessoas a não simularem doenças”.

Denise Cantarelli, assistente social e consultora em RH, diz que, realmente, há trabalhadores que simulam doenças para faltarem ao trabalho. Para ela, ser pressionado pelo chefe ou colegas, às vezes, torna-se para a pessoa insuportável trabalhar, e a “doença” termina sendo uma saída, ainda que paliativa. “Outra possibilidade é o funcionário com má índole, que encontra na “doença” um caminho para seu absenteísmo ou presenteísmo. Acredito que insatisfação profissional, por problema pessoal, ou até de caráter pode levar o funcionário a “simular” diversas doenças”, afirma.

A falta de comunicação e os ambientes hostis também levam a certos comportamentos, como, por exemplo, a simulação ou mesmo a ‘somatização’ de doenças, quer emocionais ou físicas.

Marcos Zimmerl Moreno, psicólogo e diretor da Libertat, que fará a palestra durante o congresso, não vai enfocar os casos em que há simulação, mas, os de doenças reais, e como a empresa deve ajudar para que o empregado volte às funções que exercia antes do afastamento da melhor maneira possível. Moreno considera que as empresas devem participar do processo de ‘resgate’ dos funcionários afastados, tendo políticas genuínas para que eles voltem, e voltem bem. Para analisar o problema de afastamento laboral pelo empregado, Moreno prefere discorrer sobre a natureza humana. “As pessoas não têm satisfação quando não estão sendo mais desafiadas. Assim, quando se afastam, elas param de se sentir produtivas”, explica.

Para fundamentar o tema, Moreno vai abordar Douglas McGregor, criador da teoria X e Y, em que explica duas condições: o trabalho sendo desagradável e coercitivo e o trabalho desenvolvido em um ambiente natural e agradável. “Na teoria de McGregor, o X é representado pelo tipo de pessoa em que a motivação é exclusivamente a remuneração, promoções e recompensas e, de repente, a única forma de criatividade que tem é burlar as regras da empresa, usando-a para o próprio benefício. Já o tratado da teoria Y expõe o que seriam as pessoas em que a motivação humana seria compreender até onde podem ir com o seu potencial, utilizando sua capacidade cognitiva, competências técnicas e profissionais, A pessoa, segundo a teoria Y, é motivada pelo seu desenvolvimento”, explica. O tipo de pessoa Y, da teoria McGregor, estaria bem menos propensa a simular doenças para afastar-se do trabalho. Daí, o papel da empresa é também o de criar um ambiente e estimular pessoas motivadas e honestas com elas próprias e com a organização para o qual trabalham.

 

3 Comentários

  1. ROBERVAL JANELI SANTOS

    Enquanto se entender o trabalho como algo pesado ,enfadonho e obrigatório vai ser muito difícil mudar esse paradigma.
    Trabalho por dinheiro,trabalho pois necessito sustentar minha família.E´minha obrigação trabalhar todos dependem do meu esforço. etc…… essas são as frases mais ouvidas quando faço as pericias nas empresa.
    O trabalho deve ser entendido com aquilo que mais nos ensina, portanto quem não trabalha está desaprendendo,isso é REAL.
    O cantor Caubi disse antes de morrer que Cantaria mesmo sem receber só pelo prazer de Cantar.
    Eu acredito que o sucesso pessoal equilíbrio financeiro dos trabalhadores, estão na razão direta do entendimento e manifestação para que serve o trabalho.
    BOM TRABALHO A TODOS.

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