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Por causa da tragédia da Samarco, pesquisadores vão estudar os riscos de mineradoras

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Que a tragédia da mineradora Samarco, que ocorreu no ano passado, em Mariana (MG), já entrou para os anais da irresponsabilidade e negligência, ninguém duvida. O caso está na Justiça, mas como se sabe, no Brasil, para que os culpados sejam punidos, e as vítimas ressarcidas, há um processo prolongado, com instâncias recursais, que dá vontade até de sentar e chorar. Mas, como na vida sempre é possível encontrar o lado positivo, mesmo sobre algo ruim, nesse caso não foi diferente. Vamos lá. Por causa desse acidente, a comunidade científica acionou o alerta para a necessidade de colocar uma lupa nas questões de riscos ocupacionais no setor de mineração. Afinal, no País, há quase 9 mil mineradoras espalhadas por todas as regiões, segundo dados de 2013, do Departamento Nacional de Produção Mineral.

Pois bem, os pesquisadores da Fundacentro, da Universidade Federal do ABC e da USP de Ribeirão Preto vão desenvolver um projeto de pesquisa em 2017 para avaliar a exposição dos trabalhadores da Samarco a elementos químicos presentes no ambiente da mineradora e os possíveis riscos à saúde desses profissionais. Logo após o acidente, a equipe realizou uma análise da lama tóxica derramada no rompimento da barragem, quando se identificou que, obviamente, havia concentrações de metais pesados acima do permitido pela legislação. Por isso, os pesquisadores entenderam que, de fato, havia evidências para que se investisse em um estudo mais aprofundado, como o que será feito no próximo ano.

Segundo Walter Reis Pedreira, chefe da Coordenação de Higiene do Trabalho da Fundacentro, na avaliação preliminar das amostras foram identificados níveis de concentração de materiais pesados como prata, bário, arsênio, manganês, ferro e chumbo acima do permitido pela legislação.

“Cada metal tem sua toxicidade característica, e os limites que encontramos estavam próximos dos níveis superiores de exposição. Acende-se aí um sinal de alerta, pois essas amostras foram coletadas alguns dias depois da tragédia. Obviamente, as análises não foram conclusivas, já que a atmosfera e a lama são dinâmicas, havendo uma migração dos metais acima e abaixo do rio”, afirma Pedreira. Com a pesquisa que será feita no próximo ano, a equipe fará um amplo monitoramento dos rejeitos lançados na região, por causa do acidente com a barragem.

Penso que o estudo é mesmo oportuno, pois abordará aspectos quanto à prevenção dos trabalhadores, até de outras mineradoras, que são expostos aos materiais químicos agressivos à saúde.

O pesquisador diz que, pelo estudo inicial, não é possível afirmar se a concentração dos metais que se apresentou há um ano vai causar um dano ao trabalhador. Mas, tendo mais elementos a partir dos estudos, pode-se concluir que podem causar. Segundo Pedreira, o que diz respeito à saúde e segurança ocupacional, a tragédia de Mariana aponta para a necessidade de se reavaliar medidas de prevenção efetivas para a atividade em todo o País.

“Do ponto de vista da Fundacentro e da saúde ocupacional, esse acidente foi um alerta para que rediscutamos a saúde e segurança do trabalho nesse ramo. Sobre a eventual exposição aos elementos químicos, não importa se são metais ou não metais, em caso de rompimento, devemos repensar uma avaliação de risco sobre o potencial de danos aos trabalhadores expostos aos rejeitos químicos. Como se prevenir? Uma vez que eles entraram em contato com essa lama rica em metais pesados, quais são os potenciais riscos de agravos à saúde deles? O assunto não vai se esgotar, mas pretendemos dar uma resposta, principalmente sobre alguns elementos metálicos que têm potencial de causar danos à saúde do trabalhador”, diz. A pesquisa faz muito sentido. Agora, é ‘bola’ pra frente.

 

4 Comentários

  1. Ruth Chaves

    Excelente a abordagem e o tema da pesquisa. O setor minerador contém muitos riscos. Então, quais são as medidas de prevenção? Parabéns!

  2. Adélia Fonseca

    As empresas no Brasil fazem o que querem, não se preocupam com os investimentos em prevenção e, pra piorar, a justiça é lenta e omissa. Infelizmente!

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