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Poeira agrícola em silos pode ser mortal

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

silo
Em silos, medidas contra explosão devem ser tomadas (Foto: Pixabay)

A safra brasileira de grãos 2015/2016 pode alcançar 213,5 milhões de toneladas, superando os números de 209,5 milhões, da safra 2014/2015. Como sempre, o agronegócio dá uma força à economia do país. Apesar dos gargalos do campo, o aumento da eficiência da porteira para dentro das propriedades rurais contribui para performance no setor. No entanto, quem é produtor rural que mantém silos para armazenamento de grãos continua alheio a um perigo que ronda os negócios agrícolas: a explosão. Não é possível dar de ombros para um risco tão real, que pode causar tragédias, com destruição de bens materiais e mortes de trabalhadores. O perigo que a poeira de grão oferece quando se encontra em suspensão no ar ou em camadas precisa ser compreendido para que medidas de proteção sejam tomadas.

Vamos lá: os riscos em armazenagem de pós vegetais existem porque a poeira de grão é formada por cerca de 75% de matéria orgânica e 25% de matéria inorgânica. Os grãos são voláteis e perigosos. Ou seja, em temperatura ambiente, transformam-se em gás ou vapor. Como partículas sólidas, as poeiras são geradas mecanicamente por manuseio, moagem, esmerilhagem, raspagem, impacto rápido e denotação. O silo, que é um espaço confinado, não projetado para ocupação humana, que possui meios limitados de entradas e saídas, contém ventilação insuficiente e pequenas concentrações de oxigênio, como forma de prevenir a ação de organismos patológicos aeróbicos que possam danificar os grãos. As poeiras depositam-se pela ação da gravidade e tornam-se vilãs quando suas dimensões vão de 0,5 a 10 mg/m3 (milhões de partículas por pé cúbico de ar).

Fico aqui pensando se os gestores do agronegócio não conhecem as normas de segurança, como a NR 33, de requisitos para o trabalho em espaços confinados. A NR 33 cita as medidas de prevenção, administrativa, pessoais e de salvamento, para garantir permanentemente ambientes com condições adequadas ao trabalho. Logicamente, como ambiente hostil, o silo requer cuidados especiais. Uma providência básica é verificar se há poeira em suspensão. Inicialmente, os grãos passam por vários processos depois da colheita. Em uma unidade processadora, os grãos são submetidos à pré-limpeza, para a retirada de impurezas. Há também a fase de secagem, em que os grãos são submetidos a correntes de ar aquecido por geradores de calor. Para ser transferido ao interior do silo ou armazéns graneleiros, o produto é levado por meio de correias transportadoras.

Para diminuir o risco de explosões em silos, algumas medidas de proteção devem ser tomadas. Segundo instrução técnica do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, a poeira deve ser coletada em todos os pontos de produção de pó dentro da unidade armazenadora e instalação de movimentação como na admissão ou descarga de transportadores de correias, despoeiramento ao longo dos túneis, balanças de fluxo, elevadores e máquinas de limpeza. Deve-se ter especial atenção aos pontos de transferência de grãos, nas moegas rodoviárias e ferroviárias, assim como no carregamento em caminhões e navios. A poeira coletada deve ser filtrada e armazenada em silo situado fora do local de risco, devendo ser equipado com dispositivo corta-fogo no duto de conexão e provido de dispositivos de alívio de explosão. Os dutos de transporte de poeira deverão ser dotados de sistema de detecção e de extinção de faísca. Todos os locais confinados devem ser providos de ventiladores à prova de explosão, com acionamento manual ou automático, devidamente dimensionados para permitir a retirada de poeira e gases e a renovação do ar. Recomenda-se ainda que os silos de pó e coletores no interior dos quais a poeira fica confinada, sejam dotados de alívio explosão, devidamente dimensionados, de acordo com as normas técnicas.

Segundo Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, fabricante de produtos com tecnologia contra atmosferas explosivas, a adoção de medidas preventivas são estratégias eficazes para amenizar os fatores de formação de uma atmosfera explosiva em silos. “Os sistemas de ventilação ajudam a reduzir os danos de uma deflagração contida”, afirma Raña, acrescentando que a empresa fabrica janela de alívio contra explosão com cúpula para aplicação em coletores de pó, com tecnologia que aumenta o ciclo de vida do produto.

6 Comentários

  1. Romulo Peres

    Além do perigo de explosão, os trabalhadores que operam em silos de grãos estão expostos a vários riscos à saúde, como lesões no aparelho respiratório e também e do globo ocular.

  2. Victor Jr.

    Fazer proteção em armazéns de grãos está em norma. o problema é que os gestores consideram os custos altos. ledo engano. as tragédias são bem mais caras.

  3. Maria Eliana Alvarenga Martins

    O problema é que muitas pessoas que lidam com silos não tem a noção do mal que os gases liberados e que podem 0até matar e causar à saúde. Infelizmente.

  4. Maria Eliana Alvarenga Martins

    Quais as medidas a serem tomadas qdo uma pessoa que manuseia a silagem tem crises de tosse e falta de ar?

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