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“Piloto automático” na execução de tarefas pode provocar acidentes

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Agir com o ‘piloto automático’ é arriscado para a segurança (Foto Pixabay)

Piloto automático é um instrumento que automaticamente guia aviões, navios e, até mais recentemente, automóveis. Mas há um sistema de piloto automático também em seres humanos, que pode ser responsável por acidentes de trabalho em ambientes com elevado potencial. Como assim? Explico: atividades habituais no trabalho já assimiladas pela mente costumam ser entregues nas mãos do nosso “piloto automático” mental.

É aí onde mora o perigo. Segundo a consultora e especialista em segurança comportamental, Andreza Araújo, em entrevista ao site Podprevenir, todas as vezes que delegamos a uma terceira pessoa que achamos que está dentro de nós mesmos assumir uma atividade, em geral, rotineira, e que, pelo nosso critério, tem baixo valor agregado, nós a confiamos ao “piloto automático”.

Alguns especialistas chegam a dizer que a realização das tarefas das pessoas são 45% no “piloto automático”. Andreza explica que o risco é que a atuação nesse “piloto” resulta em hábitos inseguros. Esse mecanismo decorre principalmente da autoconfiança, que trás uma falsa sensação de segurança. Ora, vamos ao exemplo: um operador de máquina que esteja cansado, mas que já realiza por anos a fio aquela função, poderá temporariamente perder sua capacidade de percepção de risco, e executar a função delegando-a ao seu “piloto automático”. Por um segundo, algo pode se transformar numa tragédia laboral. Hoje, já há dados que comprovam que 98% dos acidentes acontecem por conta de pequenos detalhes.

Num estado de “piloto automático”, em que o trabalhador não está efetivamente enxergando a gradação da tarefa, especialmente se for operacional, em que tudo começa a virar paisagem, que são os hábitos inseguros, acrescentando a isso a repetitividade, a pressa e o improviso, um vacilo pode resultar num acidente.

Apesar da dificuldade, segundo a especialista, é preciso aprender a desligar o “piloto automático” para que fatos importantes não passem despercebidos. “Um acidente não é algo inesperado, ele tem um histórico e uma rota. Então, desligue o “piloto automático”, porque, muitas vezes, estamos numa rota, construindo um acidente e não nos damos conta disso. O trabalhador deve fazer o esforço de estar consciente de não ficar no “piloto automático” e de olho na tarefa, mantendo-se sempre no controle”, explica.

Para ela, há utilidade no “piloto”, que é economizar neurônios em tarefas assimiladas pelo cérebro para dar lugar a novas experiências. “O desafio é ser seletivo, sabendo o que não pode ser delegado ao piloto automático, quando se torna um personagem de risco. É preciso ter sempre uma percepção de risco aguçada, já que o “piloto automático” nos deixa fora de nós mesmos”, finaliza.

 

 

3 Comentários

  1. Maria Alice Fuji Soares

    Adorei o post de hoje! A gente precisa se policiar sempre para não baixar a guarda quando está executando tarefas de rotina.

  2. LM

    O piloto automático deve ser utilizado para benefício da proficiência e não da negligência. Como dita a velha regra de SST: “Excesso de confiança, potencialização de incidentes e acidentes”.

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