• Vakinha
    Vakinha
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Pesquisa mostra que agricultores estão sendo contaminados por agrotóxicos

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Cultura do tomate…
vem contaminando os agricultores por causa dos agrotóxicos (Fotos Pixabay)

Agricultores de tomate do município de São José de Ubá, do Rio de Janeiro, estão sofrendo alterações da função respiratória, devido ao uso excessivo de agrotóxicos.

A ocorrência dos sintomas foi verificada pela pesquisa de mestrado de Rafael Junqueira Buralli, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Segundo o pesquisador, a região montanhosa contribui para a mobilização dos agrotóxicos aplicados nas plantações. Segundo o estudo, a maioria da população está exposta aos agrotóxicos, inclusive os filhos menores dos agricultores. Foram avaliadas 82 pessoas, sendo 48 trabalhadores rurais e 34 familiares. Entre os produtores, 81,3% afirmaram ter contato com agrotóxicos na fase da pesquisa, sendo que 77,1% dos trabalhadores rurais e 94,1% dos familiares estiveram expostos no âmbito doméstico aos defensivos agrícolas. Com renda familiar de até dois salários mínimos, os produtores têm baixa escolaridade, e disseram que nunca receberam orientação para manipular os agrotóxicos.

Pela base de dados oficiais de morbidade e mortalidade, as principais causas de morte em São José de Ubá, entre 2004 e 2010, estiveram relacionadas aos aparelhos circulatório e respiratório, neoplasias, causas externas, transtornos mentais, doenças do sistema digestivo e disfunções endócrinas e metabólicas.

Segundo Buralli, os cânceres mais frequentes, seguidos de morte, foram os de pulmões, estômago e laringe. O estudo avaliou as principais internações nos serviços de saúde do município, entre janeiro de 2008 e agosto de 2015, constatando que as causas foram as doenças do aparelho circulatório, respiratório, geniturinário e digestivo, além de neoplasias e transtornos mentais. Buralli explica que todas essas doenças já foram associadas à exposição aos agrotóxicos em outros estudos.

O pesquisador propõe como primeira providência para contornar o infortúnio, melhorar o apoio técnico e atenção à saúde dos trabalhadores que manipulam esses defensivos agrícolas, fornecendo treinamento para lidar com os químicos, bem como organizar o sistema de saúde para atender as queixas específicas dos grupos expostos. O objetivo é criar ações preventivas e direcionar os tratamentos dos doentes relacionados à exposição aos produtos químicos.

Segundo o pesquisador, a cidade não conta com um banco de dados com registros de morbidade e mortalidade por causas ocupacionais, nem programa de vigilância, promoção de saúde, prevenção e redução de danos físicos das populações expostas.

Para Buralli é imprescindível a implantações de políticas públicas que restrinjam a comercialização dos defensivos agrícolas. Hoje, o Brasil lidera o consumo de agrotóxicos e ainda por cima comercializa substâncias que são proibidas no mundo. O risco tanto aos produtores rurais como para quem vive em áreas de plantio ou consome produtos envenenados não pode ser menosprezado pelo poder público.

4 Comentários

  1. Altino Chaves

    O pesquisador propõe criar ações preventivas e direcionar os tratamentos dos doentes relacionados à exposição aos produtos químicos. Como esse pesquisa não muda a vida de quem se expõe ao risco?

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.