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Peão de rodeio é uma profissão de risco. Há medidas de prevenção ao trabalhador?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Foto ilustrativa ( Freepik)

Sempre que o tema exige, apresso-me a explicar que este blog não é um espaço para contar vítimas de acidentes de trabalho, nem expor membros decepados. Aqui, quem me segue encontra análises aguçadas sobre segurança ocupacional, sem bolodório (vou direto ao ponto) e com imparcialidade.

Meu objetivo é abrir a questão à importância da prevenção contra doenças e acidentes de trabalho. Faço esta abertura porque vou divergir da linha editorial do blog, para considerar, neste post, sobre um acidente grave, com sangue e morte. Trata-se do falecimento de Webert Cordeiro, de 30 anos, pisoteado durante uma apresentação de rodeio em uma exposição agropecuária, no município de Juara. Ocorre que Cordeiro exercia a profissão de peão de rodeio, e o caso está sendo tratado pelo delegado que estava de plantão no dia do fato, Albertino Félix de Brito, inicialmente, como acidente de trabalho, porém o inquérito vai apurar suas causas.

Por mais que ache de mal gosto a profissão, sei que há riscos inerentes e óbvios nessa atividade. Penso que um engenheiro do trabalho que fizesse uma análise preliminar de risco sobre a função de peão de rodeios anotaria uma lista extensa. Mas, é claro, independentemente do engenheiro, os próprios profissionais que escolhem essa atividade sabem do risco que é montar num touro. Há, inclusive, uma legislação que estabelece o profissionalismo dos rodeios que ocorrem pelo País afora. Os peões sabem que podem ocorrer acidentes. Na verdade, o peão de rodeio passou a ser considerado um atleta profissional no ano de 2001, de acordo com a Lei no 10.220. A legislação estabelece que o contrato com a entidade pública ou privada deve conter a forma de remuneração, prêmios, gratificações, entre outros requisitos, obrigatoriamente. Por ser uma profissão de risco, a entidade que contratar um profissional de rodeio também é obrigado a fazer um seguro de vida para o caso de acidentes. Se houver morte ou invalidez permanente, o valor da indenização deve ser, no mínimo, de R$ 100 mil. Sim, esse procedimento faz parte, mas, assim como toda análise de risco ocupacional, o objetivo principal é apresentar medidas preventivas, como as de proteção coletivas (que nesse caso, não creio que haja), como as de proteção individual. Por meio de imagens do acidente que já foram vistas, Cordeiro estava usando colete. Então, segundo o delegado, esse acidente do trabalho estava normalizado. Será?

 

5 Comentários

  1. Juliana Carmo

    Está mais do que na hora desse tipo de atividade ser banida. os animais não existem para isso. sinto pelo peão, mas ele sabia dos riscos, não?

  2. José de Arimatéia

    Essa atividade sempre existiu e a segurança do profissional deve ser levada em conta, sim. Hoje, as pessoas gostam mais dos bichos do que de gente.

  3. Francisco Holand Neto

    Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu gosto dos bichos. O peão sofre porque quer, mas o bicho não.
    Gostei muito da matéria, mas acho que o peão tem mais é que arrumar um trabalho digno.

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