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Manutenção em ‘linha viva’ não admite falhas de execução

Se neste verão as chuvas ajudarem a encher as usinas hidrelétricas, os riscos de apagão elétrico diminuem. Mas com a crescente demanda de energia no Brasil, as concessionárias precisam cumprir metas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entre essas, destaca-se a realização de serviços de manutenção em rede elétrica energizada, também chamada de “linha viva”. Afinal, conservar o sistema elétrico é manter o fornecimento de energia aos clientes, sem que haja interrupção. Além de auxiliar no restabelecimento de energia sem que haja prejuízos ao sistema, é preciso manter os índices de qualidade exigidos pela Aneel.

Se não há o que fazer com a birra que ‘São Pedro’ vem fazendo com a população brasileira em não mandar uma quantidade suficiente de água da chuva para equilibrar a matriz energética, hoje bastante dependente das usinas térmicas, só resta ao trabalhador das companhias realizar sua tarefa com extrema competência e segurança. Quem é eletricista em concessionárias de energia se depara com uma série de riscos. E antes de tudo, trabalhar executando serviços em ‘linha viva’ exige experiência e controle emocional. Pela tabela para enquadramento de taxa de acidentes do trabalho, segundo o código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), o grau de risco do setor elétrico é três. Ou seja, considerado grave. O CNAE estabelece as alíquotas para contribuição das empresas em relação aos acidentes de trabalho.

Segundo Cíntia Souza da Silva, engenheira de Segurança do Trabalho da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a principal dificuldade em se fazer a gestão de segurança em rede aérea energizada durante manutenção é lidar com a natureza dessa atividade, que não admite falhas. “Tem também variações das condições das redes que não são iguais, pois há novos padrões e estruturas que dificultam as atividades e, consequentemente, a gestão de segurança”, explica.

Os principais riscos dessa atividade são queda de altura, choque elétrico e exposição ao arco-elétrico decorrente de curto-circuito na média tensão. Além desses, há riscos adicionais como acidentes de trânsito, em função dos locais de trabalho, vespeiros, árvores, calor e assaltos.

Diante de tantos desafios, o bom estado físico e psicológico do trabalhador que atua nessa atividade é de extrema relevância. Por isso, durante a seleção e contratação, deve-se garantir que o perfil do trabalhador se enquadre aos quesitos básicos para compor a equipe na metodologia de “linha viva”. “Organização e disciplina, atenção concentrada e difusa, habilidade para trabalho em equipe, maturidade emocional, capacidade de supervisão, capacidade de liderança bem como os pré-requisitos médicos são fundamentais”, explica Cíntia.

Esses fatores são elementares para que o eletricista esteja apto para intervir na rede energizada de forma segura. Qualquer alteração desses fatores decorrentes do dia-a-dia e que são identificados pela equipe durante a análise de riscos ou indicados pelo próprio eletricista é motivo de impedimento para que exerça a função no dia de trabalho. Em casos mais complexos, o eletricista é encaminhado ao serviço médico-psicológico para avaliação.

Nessa atividade é preciso cumprir rigorosamente normas e procedimentos específicos, além de autorização para a execução de suas atividades, conforme o disposto na norma regulamentadora 10. Os procedimentos para a segurança dos eletricistas visam a assegurar perfeitas condições de saúde e psicológicas por meio de inventários periódicos. Todos os integrantes da equipe devem ser treinados e capacitados dentro da metodologia.  Antes de qualquer intervenção em rede energizada, deve-se efetuar, por escrito, a análise de riscos, juntamente com o planejamento da tarefa.

Durante o serviço, sejam os eletricistas diretamente ligados à intervenção no Sistema Elétrico de Potência, como também os eletricistas de apoio no solo, deve-se ter um supervisor para cada caçamba de serviço.

Ainda pela metodologia, deve-se assegurar que os equipamentos utilizados, como cesta aérea, andaimes e plataforma estejam testados em perfeitas condições.

Mesmo com todos os procedimentos preventivos existem situações que podem levar a acidentes. Qualquer condição de risco que não tenha sido identificada e controlada durante a análise de riscos e planejamento da tarefa pode levar a pique nos condutores, rompimento, má conexão, isoladores danificados, postes trincados ou madeira podre, condições adversas do ambiente, cruzeta podre, para-raios com problemas, irregularidades em estruturas adjacentes, falha de montagem da rede, falha mecânica de equipamentos, não cumprimento das instruções e normas adotadas pela empresa, falha no equipamento de proteção de retaguarda, falha na dupla isolação e mudança no planejamento.

Ainda que o equipamento de proteção individual seja considerado o último recurso de doenças e prevenção de acidentes, no trabalho de linha viva, são fundamentais e ligados diretamente à integridade física. A não utilização ou utilização de equipamento comprometido pode ser fatal. Por exemplo, as luvas isolantes e mangas isolantes devem ser das classes dois e três, para garantir o duplo isolamento do eletricista quando no trabalho ao contato.

O cinto de segurança para a sustentação do eletricista. O EPI conhecido de ‘cordão umbilical’, que evita queda em caso de falha do equipamento, além de uniforme resistente às chamas para resguardar o eletricista de ferimento graves de queimaduras decorrentes de arco elétrico são importantes. E, também, os óculos de proteção e o capacete são essenciais. Tanto os EPIs como os equipamentos de proteção coletiva (EPC) devem ser utilizados de forma correta, dentro da função a que se destina, assegurando que todos estejam devidamente testados e em condições de utilização.

Por fim, são procedimentos de trabalho seguro na ‘linha viva’ manter dois níveis de isolamento, não aproximar cesto ou braço de pontos aterrados, mantendo uma distância mínima de 50 centímetros, e não trabalhar à noite, sob chuva, neblina ou trovoadas.

Em meio a tantos riscos e procedimentos, será possível que há concessionária que não tenha a segurança como um valor? “Na linha viva, acredito que não”, responde Cíntia. Na Cemig, segundo garante, tanto ela quanto os técnicos de sistema elétrico de campo, Bernardo de Castro e José Estevam Amaral, estão comprometidos com a segurança da equipe.

Por Emily Sobral

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