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Experiência mais displicência são iguais a acidentes em tratores

 

No trânsito das cidades há motoristas de carros imprudentes que excedem a velocidade, especialmente quando embriagados. Eles atropelam, matam e matam-se. Ficamos chocados com a frequência com que acontecem. No campo, o trator é o veículo que oferece mais riscos aos trabalhadores. Por ter maior fonte de potência para acionar os implementos agrícolas, o trator provoca acidentes de trabalho graves. Esses também chocam, mas escondem-se na rotina da atividade laboral. É como se carros fossem celebridades que despertam interesse, e tratores, anônimos que não provocam a atenção.

Para se ter ideia dessa realidade, um estudo da Universidade Federal do Ceará comparou proporcionalmente o número de carros e tratores. O resultado mostrou que tratores fazem mais vítimas do que automóveis de passeio. Na pesquisa, considerando-se a escala entre o número de carros, motos e tratores, as máquinas agrícolas são responsáveis por 9,39% de vítimas fatais, motocicletas por 1,69% e automóveis, por 0,58% de acidentes com mortes. O pior é que, na maioria das vezes, o acidente com o trator se dá por causa da negligência do operador. O descuido é fruto da facilidade com que interage com a máquina. Ele se adapta muito rapidamente à mecânica do equipamento. Além de que as operações feitas com o trator são as mesmas durante todo o ano. São as repetições das atividades que tornam os trabalhadores displicentes com os procedimentos de segurança. É no momento de desatenção que o acidente tende a ocorrer. Leonardo Monteiro, coordenador do Laboratório de Investigação de Acidentes com Máquinas Agrícolas (Lima), da universidade do Ceará, diz que os estudos apontam essa tendência com muita ênfase. “Quanto mais tempo a pessoa já trabalha com o trator, mais fica suscetível aos acidentes”.

Subir e descer do trator, que são práticas rotineiras e banais, resultam em 15% dos acidentes com trator, segundo o estudo. Independentemente do tamanho da máquina não se pode esquecer que há um vão livre alto em relação ao solo. Logo, o procedimento para descer deve ser sempre de costas, segurando nos puxadores dos degraus. Com o tempo e para ganhar tempo, o operador não cumpre com essa regra básica de segurança. Já por causa do excesso de confiança, há tratorista que ao transpor um aclive ou declive de terra com difícil acesso decide trocar de marcha, levando o veículo a desgovernar-se. “Há também a negligência por não usar o cinto de segurança”, diz o pesquisador. Em caso de capotamento, por exemplo, o operador pode ser projetado para fora e morrer esmagado.

Como mudar essa realidade?  Treinamento para promover a capacitação adequada à operação do equipamento deve ser uma regra. O que hoje não é. Segundo o pesquisador, existe um número significativo de trabalhadores do setor rural que não se qualifica para operar um trator.

Sem contar que, em regiões agrícolas do País de intenso calor, há milhares de trabalhadores que operam os tratores vestidos de bermuda, camiseta e chinelos. Monteiro informa que nas grandes indústrias agrícolas regidas pela legislação de saúde e segurança do trabalho, que investem em prevenção e qualificação dos operadores, percebe-se uma nítida redução dos acidentes com tratores. Mas o setor rural como um todo, a pequena propriedade e a agricultura familiar são onde os acidentes vêm acontecendo.

Outro tipo comum de acidentes com trator envolve os eixos rotativos que conectam os implementos para corte de grama. O tratorista precisa seguir a recomendação de desligar o motor ao se aproximar do eixo. Os danos desse tipo de acidente são chocantes por aprisionar roupas, cabelos ou partes do corpo com mutilação e morte. O Ministério do Trabalho e Emprego atua em cima das denúncias que recebe, fazendo trabalho de fiscalização nas médias e grandes empresas agrícolas. E no campo, as tragédias que acontecem com tratores poderiam ser evitadas com um item escasso: conscientização.

Por Emily Sobral

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Conscientização é a chave

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Ganhe o livro de Flávio Peralta e entenda por que a prevenção de acidentes do trabalho é tão importante

 

“Minha maior alegria foi ter um filho. Quando Jane engravidou, estávamos casados havia dois anos e ainda era um período de adaptação para nós e nossas famílias… Ao voltarmos para casa percebi que o fato de não ter mais os braços seria bastante complicado. Quando eu me sentava, Jane colocava o bebê em meu colo por alguns minutos.

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Dois S e um T – ranking das principais doenças do trabalho

Muito espanta que trabalhadores de empresas relacionadas ao meio de prevenção de acidentes não saibam do que se trata SST. É claro que isso ocorre com funcionários que exercem funções administrativas ou comerciais. As indústrias e o chão de fábrica mantêm suas estruturas com o serviço especializado de engenharia e medicina do trabalho e conseguem semear a prevenção de saúde no ambiente laboral.