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Caia na rede contra a contaminação biológica

Os acidentes de trabalho por contaminação biológica são um grave problema no ramo hospitalar. Cada vez que pauto o tema de SST dos serviços de saúde, o ‘ibope’ do blog cresce. Também por isso, mas não apenas por isso, interesso-me pelo assunto, pois acho uma assustadora contradição os profissionais que tratam das doenças de outros indivíduos ficarem sujeitos às patologias, justo onde trabalham. Foi com esse interesse especial que descobri o trabalho da Rede de Prevenção de Acidentes de Trabalho com Exposição a Material Biológico em Hospitais do Brasil, da Universidade de São Paulo. O trabalho da REPAT-USP é essencial, pois não se pode fazer prevenção sem haver pesquisa, estudo de casos e identificação das ocorrências de contaminação.

Manter uma base real de dados é o que orienta as medidas preventivas. O projeto da Rede surgiu em 2003 e consiste em registrar os acidentes ocorridos. Em doze anos de projeto, a Rede registrou 2.361 acidentes de trabalho com exposição a material biológico, considerados como a probabilidade da exposição a infecções ocupacionais aos Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV, Vírus da Hepatite B – HBV e o Vírus da Hepatite C – HCV. Os dados indicam que a maioria dos acidentes (78,6%) ocorreu por lesões percutâneas e contato com sangue, ocasionadas por agulhas. Os trabalhadores de enfermagem foram os que mais sofreram acidentes, pois é a categoria mais populosa nos hospitais. Em 18 pacientes envolvidos no acidente, o diagnostico foi por exames sorológicos. O vírus HIV positivo, em 26 pacientes, o vírus HBV, e em seis pacientes para o vírus HCV. Em dois trabalhadores foi diagnosticado o vírus HIV positivo, em cinco trabalhadores o vírus HBV positivo e em quatro trabalhadores o vírus HCV positivo. Atualmente, a Rede-USP conta com a participação de 64 membros, entre pesquisadores do Brasil e do exterior, alunos de graduação e pós-graduação, técnicos especializados e trabalhadores da equipe multiprofissional de saúde ocupacional. Participam 20 hospitais, localizados nos Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Alagoas, Mato Grosso e Distrito Federal, os quais trocam informações. Desses hospitais, quatro também registram os acidentes ocorridos. Para os casos serem registrados é preciso que mais hospitais entrem na Rede. Segundo Maria Helena Palucci Marziale, professora de enfermagem da USP de Ribeirão Preto e líder da Rede, foram feitos convites aos hospitais, mas não houve muita adesão. “Além das redes sociais, a melhor forma de arrebanhar novos integrantes é em eventos científicos”, diz.

Os resultados das pesquisas divulgadas nos artigos, apresentados em palestras têm oferecido à comunidade elementos que subsidiam a implantação de planos específicos pelos hospitais. Há também a estratégia educativa apresentada no website da Rede, em que são oferecidos treinamentos online para a adesão de medidas de prevenção contidas na NR32. “No entanto, sabe-se que a efetividade da prevenção de acidentes dessa natureza depende de um conjunto de fatores, no qual não basta ’educar’. São necessárias adequadas condições de trabalho, como número de pessoal, bons equipamentos e materiais e bom clima organizacional”. Ela explica que os serviços de saúde podem até saber aplicar os parâmetros de prevenção orientados pela NR 32. “O grande problema é que existem hospitais que não têm nem mesmo, devido à crise instalada, luvas para oferecer aos trabalhadores e muito menos disponibilizam agulhas com dispositivo de proteção em todas as áreas dos hospitais, como dita a NR 32. Além do que, há necessidade de orientação mais atenta aos controles de qualidade e ao uso dos materiais. A lei é muito bem construída, mas, infelizmente, ainda não é totalmente adotada em todos os hospitais. Devido a essas dificuldades de implantação das recomendações da NR32, em alguns dos hospitais em que temos estudado, não é possível afirmar sobre o êxito das ações, uma vez que nem todas as exigências normativas foram cumpridas pelos hospitais”.

Então, é assim: a aplicação da NR 32 está difícil devido à falta de dinheiro para a compra de materiais e de investimento das instituições em educação para uso de novos materiais, pois, como é indiscutível, não basta comprá-los, tem que ensinar a usar.

Por Emily Sobral

SÉRIE CEREST. Cabo Frio (RJ), não basta ter mar azul, é preciso preservar a saúde dos pescadores

O município litorâneo de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, tem belezas naturais paradisíacas. Os turistas que escolhem a cidade para visitar, além das praias, curtem as atrações para quem busca entretenimento e lazer. Mas, quem trabalha na cidade, especialmente os pescadores, não desfrutam tanto do prazer que a cidade proporciona. Isso porque essa é uma das ocupações na área de abrangência do Cerest Cabo Frio que mais sofrem com os riscos ocupacionais.

Até na capital da Hungria

Apesar deste blog apostar no poder das palavras, ainda que com texto sem bolodório, no post de hoje publico uma imagem e uma mensagem que recebi de uma leitora. Pronto, rendo-me: “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Prezada Emily,

“Sou seguidora do seu blog, pois sou profissional da área de segurança e saúde no trabalho e gosto muito da maneira leve como você aborda esse assunto tão árduo.

Dentista do trabalho ajuda a reduzir o absenteísmo

A odontologia do trabalho, especialidade reconhecida por meio de Resolução do Conselho Federal de Odontologia, de 2001, veio buscar a relação entre atividade laboral e preservação da saúde bucal. Diferentemente da odontologia assistencial, a do trabalho não faz tratamento na cavidade oral. Seu objetivo é promover, preservar e recuperar a saúde bucal do trabalhador, diante de problemas causados no ambiente de trabalho.

Cozinhas industriais podem tornar-se insalubres. “Projeto inócuo e descabido”

A proposta de alterar para insalubres atividades realizadas em cozinhas industriais, do deputado Vicentinho (PT-SP), aguarda parecer do relator na comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), da Câmara dos Deputados. A proposta PL-7824/2014 foi arquivada pela mesa diretora em caráter de processo conclusivo no dia 31 de janeiro, em virtude do fim da legislatura.

SÉRIE CEREST. Batatais, SP, entusiasmo pela causa da saúde e bem estar do trabalhador

Desde 1997 Camille Junqueira Guidorizzi milita com orgulho pela causa da saúde do trabalhador. Coordenadora do CEREST Regional Batatais desde 2008, ela é uma entusiasta da prevenção. “Durante todo este tempo, venho buscando sensibilizar pessoas sobre a importância do trabalho nas nossas vidas e, consequentemente, a relevância de se discutir um trabalho ideal para a saúde de cada um”,

Absenteísmo em hospital é mostrado em pesquisa de enfermeiro

Pesquisa, envolvimento profissional e busca por estatísticas confiáveis são ferramentas que podem ajudar a mudar quadros desanimadores. As doenças de médicos, enfermeiros, auxiliares e todos que trabalham em serviços de saúde, com a função de tratar das doenças dos outros, resultam das más condições hospitalares e de atividade laboral, que, muitas vezes, geram sofrimento.

Quem é do campo da saúde do trabalhador sabe que a NR 32 (segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde) não foi criada ao caso.

Trabalhadores da suinocultura não podem ser tratados como porcos nem porcos devem ser mal tratados

Atualmente, o Brasil é o quarto produtor mundial de carne suína, com mais de 3,3 milhões de toneladas. O sabor marcante e de elevado valor nutritivo fez da carne de porco tornar-se popular. Na suinocultura, os riscos ocupacionais concentram-se no manuseio de máquinas, exposição ao sol e calor, inalação de partículas e vapores dispersos no ar.

Obras da Copa resultaram em 12 mortes. E para as Olimpíadas, pode-se evitar?

As empresas de construção civil estão mais expostas aos acidentes com trabalhadores. Ao tomar conhecimento das estatísticas dos acidentes no setor, percebe-se claramente que as construtoras têm dificuldade de fazer o gerenciamento da segurança e saúde ocupacional. Uma das principais alegações é o perfil do trabalhador da construção civil, que não está apto a encampar a cultura de prevenção nem se cuida como deveria,

Cinco milhões de acidentes de trabalho no País em um ano. Tem-se agora o retrato (mais) real do problema

Recentes dados de Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, indicam que, entre 2012 e 2013, cerca de cinco milhões de trabalhadores se acidentaram no País. Comparando com a única estatística oficial, que são as comunicações de acidentes de trabalho à previdência, o número do IBGE é seis vezes maior. A pesquisa em todo o território nacional também mostrou que os acidentes atingem 3,4% da população de 18 anos ou mais e chama a atenção para a incidência maior nas regiões Norte e Nordeste.