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Jane e sua motocicleta. Acidente de trajeto cresce, prejudicando empregado e previdência

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Na época do acidente, Jane usava moto para ir ao trabalho

Hoje, Jane Peralta, 47 anos, é uma palestrante vitoriosa na área de segurança do trabalho do site www.amputadosvencedores.com.br, com sede em Londrina, no Paraná. O site foi criado por seu marido, Flávio Peralta, ex-eletricista que perdeu os dois braços num acidente de trabalho. Assim como ele, Jane também tem sua trajetória marcada por superação.

Com apenas 13 anos ela sofreu um acidente de motocicleta quando voltava do trabalho. Sim, na década de 80, um adolescente podia trabalhar e ser registrado. Jane era auxiliar de escritório da construtora do pai. Estudava de manhã, e à tarde seguia para o endereço do escritório em sua moto. Sim, Jane era quem pilotava sua moto. Essa atitude não podia naquela época como não pode ainda hoje. “O nosso futuro depende das escolhas do presente”, reflete ela. Acontece que Jane se sentia madura mesmo adolescente, tinha paixão pelo guidom, e o pai a ensinou a pilotar o veículo de duas rodas, que tanto seduz inúmeras gerações. Por fim, seu pai deu a autorização para que ela fosse de moto ao trabalho.

Certo dia, ao voltar da construtora para casa, Jane foi pega por um Fusca, que avançou sobre sua moto e fugiu sem prestar socorro. O acidente foi grave. O farol cortou sua perna, abaixo do joelho. O membro não precisou ser amputado, mas como o nervo que levanta o pé foi lesionado, ela perdeu o movimento de parte da perna.

Independentemente do que seja legal ou ilegal, há na história de Jane, que ocorreu há mais de 30 anos, uma semelhança com os dias de hoje. O acidente de trânsito envolvendo trabalhadores com motos ocorre e aumentou de forma significativa nos últimos dez anos no Brasil. E as consequências são terríveis para quem se acidenta. Mas o mercado sobre duas rodas continua crescendo por fatores diversos. Tráfego pesado, transporte público ineficiente e pressa. Muitos acham que a moto é a solução. Infelizmente, milhares de pessoas que se acidentaram com sequelas graves constatam que a moto pode ser um grande problema.

É preciso informar que, na época do revés de Jane não havia um benefício acidentário ao trabalhador, ainda hoje pouco conhecido, chamado de Acidente de Trajeto. O acidente que ocorre entre o percurso entre a casa do trabalhador e o emprego e vice-versa, é considerado acidente que se equipara ao do trabalho. Foi em 91, com a Lei no. 8.213, que esse tipo de sinistro passou a dar ao trabalhador o direito de requerer o benefício da previdência social. O acidente de trajeto gera o benefício correspondente a 91% do salário de contribuição. É claro que é preciso observar as regras para a caracterização do acidente de percurso. Se houver a descaracterização desse evento mórbido, e o perito interpretar de forma errada as informações protocoladas, pode indeferir a solicitação. Aí será necessário recorrer às ações judicias para ter o direito assegurado.

Sem pensão por acidente de trajeto, Jane usa as palestras que ministra para refletir sobre esse assunto.

“São tantos acidentes envolvendo motociclistas, que o de trajeto, que antes era exceção, agora parece que virou regra”, alerta Jane. Hoje, por exemplo, um jovem que se acidenta de moto, que deviria continuar contribuindo com a previdência para as futuras gerações, é quem vai precisar do benefício, em especial se ficar incapacitado para voltar ao mercado de trabalho. Para Jane, o rombo na previdência é ruim, e é desvantajoso para o patrão ficar sem o funcionário que treinou. Mas ela lamenta ainda mais que as condições nos ambientes de trabalho gerem tanto estresse a ponto de, indiretamente, propiciarem os acidentes de trajeto dos empregados. “Sabemos que, na maioria das vezes, ele acontece na volta para casa. A desatenção do empregado deve-se, é claro, a muitos fatores, mas que a falta de ambientes salutares de trabalho podem contribuir para que alguém cometa deslizes e acabe sofrendo acidentes, isso existe”, argumenta. Pode não haver correlação entre acidente de trajeto e ambientes de trabalhos agressivos. O tema é aberto a considerações antagônicas.

Porém, quem trabalha com saúde e segurança do trabalho sabe que promover ambientes laborais saudáveis resulta em qualidade de vida. E quem tem qualidade de vida é atento com a sua.

Por Emily Sobral

É de pequenino que se ensina prevenção de acidentes

Em cerca de 10 anos o Brasil poderá ter a prevenção de acidentes do trabalho como parte da cultura popular. Quem acredita nesta ideia de que, na próxima década, o País manterá a prevenção dos riscos de acidentes do trabalho incorporada à sociedade é Robson Spinelli, diretor técnico da Fundacentro. Para ele, porém, esse estágio não surge ao acaso. 

EPI: compre “gato” e pague por ele

Quando se está em jogo a prevenção de acidentes, não há atitude mais obtusa do que comprar equipamento de proteção individual, tendo apenas como critério o preço. Óculos e calçados de segurança, máscara, capacete ou protetor auricular não são produtos quaisquer. Existe a norma regulamentadora 6 (NR6), do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE),

Precaução: muito além da prevenção

Atualmente, o movimento em busca de ambientes laborais mais seguros é mundial.

Em termos de saúde e segurança no trabalho, a comunidade europeia destaca-se como a mais avançada, e isso se deve à sua cultura prevencionista, já bem enraizada na população.

Em 2014 o governo chinês convidou várias organizações internacionais para discutir a necessidade de inserir no currículo de educação do ensino básico a questão da saúde e segurança,

Experiência mais displicência são iguais a acidentes em tratores

 

No trânsito das cidades há motoristas de carros imprudentes que excedem a velocidade, especialmente quando embriagados. Eles atropelam, matam e matam-se. Ficamos chocados com a frequência com que acontecem. No campo, o trator é o veículo que oferece mais riscos aos trabalhadores. Por ter maior fonte de potência para acionar os implementos agrícolas,

NR 12 – Instrumento de prevenção de acidentes com máquinas e equipamentos. Mesmo em vigor, indústrias pedem mais tempo para cumprir a norma

As máquinas do parque industrial do País ainda não estão em dia com a última versão da NR12. A revisão da norma, que trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, foi necessária por causa das novas tecnologias incorporadas aos maquinários. Logicamente, por fazer parte da legislação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),

Conscientização é a chave

Desde o acidente, Peralta percorre o Brasil dando palestras nas empresas

As empresas brasileiras vêm investindo cada vez mais em equipamentos e no cumprimento de normas e leis de segurança no trabalho, a fim de evitar o que pode ser uma tragédia pessoal para o empregado e uma tremenda dor de cabeça para o empregador.