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Ruído no trabalho: em busca do silêncio perdido

Por Emily Sobral

Tenhamos de admitir, o mundo está cada vez mais barulhento. No verão, tudo piora. Nas ruas e nas casas (estou referindo-me ao Brasil), o som de aparelhos são postos nas alturas, incomodando a todos, como se as pessoas quisessem chamar a atenção ou simplesmente porque não sabem respeitar o direito alheio. É lamentável.

Agora, e no ambiente laboral, como fica o controle de ruídos, uma vez que as perdas auditivas estão entre as mais recorrentes doenças do trabalho? Um ponto a esclarecer: a saúde auditiva do trabalhador pode ser atingida por exposição a ruído, radiações ionizantes ou agentes químicos, entre outros fatores. Segundo pesquisas, mais da metade dos empregados de indústrias laboram em ambientes com ruído e outros agentes. Ainda que os dados sobre o número de trabalhadores com problemas auditivos não sejam precisos, as informações divulgadas pelas indústrias apresentam que de 10 a 60% dos empregados expostos a essas situações têm algum grau de dano auditivo. O agravo é inquietante quando se adiciona outras atividades, como comércio, agropecuária e algumas modalidades de serviços.

Sem dúvida, o agente nocivo que mais impacta a audição do trabalhador é a exposição ao ruído. Na maior parte dos processos industriais, por causa de máquinas, motores e ferramentas, o sonido está presente, podendo ser constante ou intermitente. A gravidade do agravo à saúde está relacionada ao tempo de exposição, à intensidade e à sensibilidade do indivíduo. A exposição ao ruído, além da perda auditiva, pode implicar em distúrbios emocionais, estresse, fadiga e até problemas cardiovasculares. São as células ciliadas da cóclea no ouvido humano que sofrem com o barulho, o que pode resultar numa perda auditiva “neuro-sensorial”.

Claramente, as perdas auditivas induzidas pelo ruído progridem enquanto persistir a exposição. No início, não há sintoma. À medida que a lesão estende-se para outras regiões auditivas, a manifestação clínica potencializa-se. O trabalhador passa a ter dificuldade para compreender o que é falado em ambientes barulhentos, na TV e no telefone. Nessa fase, a queixa do trabalhador é escutar a fala com proporção ampliada, mas não compreende o que está sendo dito. Em estágios avançados do agravo, a identificação da fala fica comprometida até mesmo em ambientes silenciosos. O zumbido pode ser a primeira manifestação da doença. Em casos severos, o trabalhador pode ficar incapacitado e até precisar ser afastado do ambiente laboral com ruído. Logo, a prevenção é feita por meio da eliminação ou controle do ruído pela engenharia do trabalho, com melhorias dos controles coletivos. E, também, as medidas de proteção individual, com o uso de protetores auditivos. Bem, se no trabalho não há como obter o silêncio budista, que, ao menos, a gestão de SST contra os danos auditivos seja eficaz e responsável. O que não dá é a empresa se fingir de surda e não adotar as medidas preventivas.

Estamos de volta outra vez. Vem você também!

 

Por Emily Sobral

Há um ano escrevo de segunda a sexta-feira neste blog (foi inaugurado em 6 de janeiro de 2015) sobre os impactos das atividades laborais na saúde dos trabalhadores e a necessária gestão das empresas em saúde e segurança do trabalho.

As férias foram necessárias para que pudesse recuperar as energias e não me furtasse de fazer o que recomendo.

Estar com os leitores diariamente foi extraordinário

No primeiro ano deste site, que encerro hoje para entrar em merecidas férias, escrevi diariamente sobre SST e proteção contra incêndio, o que foi uma experiência inimaginável. O mundo digital permite interações imediatas, e o contato direto com o internauta do planeta, que nos acessa, chega a ser algo espantoso. Fazendo um paralelo, como até hoje há quem duvide que o homem pisou na lua,

Este blog cresce, abre área de currículos & vagas, textos de colaboradores e infográficos: vão encarar?

Quando em 6 de janeiro inaugurei este espaço digital em saúde e segurança do trabalho e proteção contra incêndio, não imaginava que, em apenas 11 meses, este tivesse passado por duas modernizações de sua interface. Conheço site de grandes empresas que estão engessados e com a mesma “cara” e conteúdo há anos, mas, mesmo assim,

Manutenção, manutenção e manutenção! Assim previnem-se acidentes em caldeiras

Às vezes, recebo críticas porque escrevo sobre um tema técnico sem ser graduada em, por exemplo, engenharia de segurança do trabalho ou medicina do trabalho. Acham os críticos que não posso ter opinião sobre os temas de SST. Sei não, como estou sempre pautada na busca por fontes confiáveis, vou em frente, traduzindo o tecnicismo inerente à área,

Dez passos para uma segurança contra incêndio, sem meias palavras

No Brasil, só haverá a verdadeira segurança contra incêndio quando, no mínimo, houver um ciclo permanente e constante de atualização, contendo os itens necessários ao processo de prevenção. A avaliação é de Carlos Cotta Rodrigues, engenheiro civil e de segurança do trabalho e tenente coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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Fiquei de escrever mais um post sobre o tema da pesquisa de pós-graduação, realizada pelo bombeiro voluntário em Joinville, SC, e também engenheiro Luciano Mendonça Seiler, cujo título é “A determinação de tempos de trabalho e descanso para bombeiros em situações de combate a incêndios estruturais”, para contar sua conclusão.

Agora cumpro com o que prometi.

Sem fogo no mar!

Não são raros os casos de incêndio em embarcações no País. A Superintendência de Segurança do Tráfego Aquaviário da Diretoria de Portos e Costas (DPC), da Marinha do Brasil, divulgou recentemente os números dos sinistros: dos 144 incêndios em embarcações registrados no Brasil nos últimos três anos, 63 ocorreram na categoria de esporte e recreio,