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Normas “EX” discutidas em Frankfurt sobre atmosferas explosivas

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Grupo do TC 31, que esteve em Frankfurt, para mais uma etapa de trabalhos

Há uma porção de coisas que se deve saber sobre normas técnicas, que são procedimentos que garantem que os produtos e serviços estejam de acordo com o que foi previamente pré-estabelecido, em prol da qualidade, segurança e confiabilidade. Mas, esta semana, neste post sobre áreas classificadas quero dar um destaque ao voluntarismo de pessoas na elaboração das normas e suas atualizações.

Em geral, engenheiros e técnicos que se envolvem com o escopo e as diretrizes dos documentos o fazem graciosamente. Tempo e recursos são gastos pela causa da normatização. E como dizia aquela antiga frase, ‘não basta ser pai, tem que participar’. Feita essa ressalva, quero lembrar que para a atualização das normas técnicas IEC sobre atmosferas explosivas ocorreram recentemente em Frankfurt, na Alemanha, reuniões do Comitê Técnico 31. “Nas reuniões dos Grupos de Trabalho foram analisados os comentários apresentados pelos países participantes do TC 31 da IEC, inclusive os do Brasil para as Normas IEC 60079 – Partes 14, 17 e 19”, conta Roberval Bulgarelli, consultor técnico da Petrobras e membro-coordenador do TC 31, que esteve presente em Frankfurt. Segundo ele, esses comentários foram enviados para o TC-31 da IEC pelo Cobei, que representa o Brazil National Committee.

Estiveram presentes cerca de 20 delegados, representantes dos Comitês Nacionais de diversos países, tais como Austrália, Suíça, Brasil, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, África do Sul, Malásia, França, Itália, Noruega, Reino Unido, Finlândia, Suécia, China e Holanda.

“Estiveram reunidos em Frankfurt, dentre outros, os Grupos de Trabalho (WG – Work Groups), Equipes de Manutenção (MT – Maintenance Teams) e Subcomitês (SC) do TC-31 da IEC”, afirma. Bulgarelli assegura que a participação de profissionais brasileiros na atualização das normas técnicas IEC sobre atmosferas explosivas contribui para a integração dos fabricantes, laboratórios de ensaios, empresas usuárias, organismos de certificação de produtos e de pessoas e provedores de treinamentos brasileiros com o mercado e a comunidade internacional “Ex”. “Essa participação eleva os níveis de segurança, saúde, meio ambiente, avaliação de risco, ensaios, qualidade, desempenho, confiabilidade, procedimentos de execução de serviços e competências pessoais relacionados às instalações nacionais “Ex””, disse. De acordo com ele, esse nível de participação dos profissionais brasileiros na normalização técnica internacional da IEC sobre o tema “Ex” permite também que sejam elaborados comentários, sugestões e propostas de melhoria, tendo como base as experiências dos fabricantes de equipamentos “Ex” e usuários de instalações “Ex” do Brasil.

Seguindo a tendência e a convergência normativa mundial dos países membros da IEC, as normas técnicas nacionais que envolvem os processos de avaliação da conformidade de empresas de prestação de serviços “Ex”, de competências pessoais “Ex” e de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex” são adotadas, equivalentes às respectivas normas internacionais da IEC.

Em todas as etapas, os países participantes do TC 31 da IEC têm a oportunidade de apresentar comentários e votos para a aprovação das novas edições. A próxima “rodada” de reuniões técnicas dos Grupos de Trabalho do TC 31 da IEC está programada para abril de 2017 em Sydney, na Austrália. “Nas reuniões, serão analisados os comentários a serem elaborados pelos diversos países, tendo como base os “rascunhos” que foram elaborados em Frankfurt”, explica, acrescentando que, “à medida em que forem sendo publicadas as novas edições das Normas das Séries IEC 60079 e ISO/IEC 80079, são iniciados, pelas Comissões de Estudo do Subcomitê SC-31 do Cobei, os respectivos serviços de revisão e atualização das Normas ABNT NBR IEC 60079 e ABNT NBR ISO/IEC 80079, incorporando os novos requisitos”, afirma. Para ele, esses esforços e serviços voluntários, realizados ao longo da última década, fazem com que as Normas Técnicas Brasileiras estejam totalmente alinhadas, harmonizadas e atualizadas, em relação às respectivas normas técnicas “Ex” da IEC.

“Sob o ponto de vista de segurança industrial, levando em consideração a grande quantidade de não conformidades que são verificadas nas inspeções das instalações “Ex” existentes, bem como os graves acidentes e explosões que ainda ocorrem, observa-se que somente a existência de Normas Técnicas Brasileiras (ABNT) ou internacionais (IEC) ou o atual sistema nacional certificação dos equipamentos “Ex” não é suficiente para garantir a segurança das instalações em atmosferas explosivas, nem das pessoas que nelas trabalham”.

Bulgarelli reforça que, para a elevação dos níveis de conformidade normativa e de segurança industrial, ao longo do ciclo total de vida das instalações “Ex”, há também a necessidade da certificação prioritária das empresas de prestação de serviços “Ex” (incluindo classificação de áreas, projeto, montagem, inspeção, comissionamento, manutenção e reparos de equipamentos e instalações “Ex”), bem como da certificação prioritária das competências pessoais “Ex” dos profissionais que executam tais atividades. “Devem ser realizados no Brasil esforços no sentido de disponibilizar para os profissionais brasileiros e para as empresas de prestação de serviços “Ex” nacionais, os sistemas de certificação elaborados pelos países membros do IECEx, do qual o Brasil é membro desde 2009”, afirma.

Os Documentos Operacionais do IECEx sobre esses sistemas de certificação “Ex” estão disponíveis para acesso público, em português do Brasil, no website do IECEx: www.iecex.org/operational.htm

Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, fabricante de produtos com tecnologia contra atmosferas explosivas, considera que a utilização de normas é um excelente argumento para vendas ao mercado, bem como para garantir ao seu cliente que seu produto está de acordo com o que foi definido previamente. “Na relação de negócio, a norma protege os dois lados”, completa Raña.

 

4 Comentários

  1. Carmen Viana

    Acompanho seus posts semanais sobre áreas classificadas, pois é um tema invisível às empresas. No entanto, de grande importância para que tragédias não aconteçam.

  2. Anthony Kelper

    Parece haver um conflito na informaçao que o Brasil tenha “enviado comentarios para as normas IEC”, pois segundo registrado em atas de reuniao do COBEI, comumente sao efetuados votos de aprovaçao sem comentarios nos FDIS, bem como as normas ABNT teem sido emitidas como traduçoes integrais das IEC neste segmento de atmosferas explosivas. Eu achei na internet um artigo muito interessante a respeito, em: http://www.centralmat.com.br/Artigos/Mais/conflitos_normas_abnt.pdf

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