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Ninguém deve ser intoxicado pelos defensivos agrícolas

Segundo relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2002 e 2012, o uso de agrotóxicos mais que dobrou no País. Em dez anos, o uso de agrotóxico por hectare atingiu a marca de 6,9 kg em 2012. Esse crescimento faz supor que os trabalhadores rurais estão sendo contaminados e também o meio ambiente. Num País como o Brasil, onde o sucesso de sua agricultura significa um respiro às condições econômicas, não dá para questionar a importância dos defensivos agrícolas. O que se deve saber é se o volume que vem sendo utilizado nas lavouras é proporcional ao tamanho de toneladas de alimentos produzidos. A ciência já relacionou os riscos dos agrotóxicos à saúde humana pela exposição aguda e crônica (carcinogênicos, teratogênicos, mutagênicos, neurotóxicos e de desregulação endócrina).  A aplicação de defensivos agrícolas para imunizar as lavouras de maneira incorreta e exagerada pode chegar à mesa do brasileiro. Quando se fala no trabalhador, aplicando em ambientes rurais, a situação é ainda mais vergonhosa.

A norma regulamentadora (NR) 31 trata da aplicação de defensivos agrícolas, focada nos temas ligados à saúde, higiene e segurança do trabalhador rural. No item da norma que trata especificamente sobre a forma de lidar com os produtos, é estabelecida a proibição de acesso, exceto com equipamento de proteção indicado, em áreas que acabaram de ser tratadas, antes do término do intervalo recomendado. Essa questão é sujeita a dúvidas, já que os trabalhadores entram nas áreas pulverizadas, julgando que o risco termina com a aplicação. A indústria agropecuária deve fazer uma boa gestão, sinalizando, por exemplo, com placas nos tabuleiros das lavouras as recém-aplicações realizadas. O desafio do gestor em SST é cumprir os itens da legislação, observando as variáveis de uma cultura ou processo para outro. Assim, a prevenção, a correção e melhoria devem ser verificadas. A prevenção deve ser feita com medidas de infraestrutura diretamente à aplicação, educação e treinamento à equipe, adequação de técnicas e escolha de equipamentos. A correção tem a ver com a avaliação das não-conformidades e novos treinamentos. O desenvolvimento relaciona-se ao planejamento estratégico, para aferir pontos críticos do processo e pesquisa de tecnologias mais eficazes. É evidente que as empresas rurais devem realizar o Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), para que o médico do trabalho indique os exames para a preservação da saúde do empregado. Além desses, é importante o Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCAT), que define a insalubridade e a periculosidade a que o trabalhador rural está exposto.

A toxicidade dos defensivos agrícolas não é miragem. Logo, o uso correto e as ações de prevenção são necessários para minimizar os riscos nas diferentes etapas do processo. Se você tem direito de comer um tomate saudável, quem o plantou tem direito à saúde.

Por Emily Sobral

 

2 Comentários

  1. Katarina Saldiva

    O artigo trata de um aspecto que é relevante: proteger o trabalhador rural, mantendo nosso setor agrícola em crescimento pelo bem do País.

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