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Não basta ser máscara de proteção respiratória, tem que saber o tipo e a concentração dos agentes no ambiente

Por Emily Sobral

Nova versão do Programa de Proteção Respiratória (PPR), da Fundacentro, será divulgada nos próximos meses. Quem antecipa a informação é José Damásio de Aquino, tecnologista do serviço de equipamentos de Segurança da Fundacentro. “O programa não trará grandes mudanças em relação aos requisitos estabelecidos, mas sim em seus anexos, para incluir novos conhecimentos sobre a proteção respiratória”, diz ele. Depois de mais de 20 anos como referência em proteção respiratória, o PPR, que foi lançado em 1994, por meio de instrução normativa do Ministério do Trabalho e Emprego, com sua segunda alteração em 2002, chega em 2016, com o propósito de se tornar ainda mais bem-sucedido.

Mesmo com informações detalhadas sobre seleção e uso de respiradores por trabalhadores expostos a agentes nocivos, o maior desafio em proteção respiratória chama-se a escolha do equipamento correto, segundo o contaminante existente no ambiente. “Isso gera dúvidas e questionamentos por parte das empresas, que são responsáveis por comprar os equipamentos para seus empregados”, afirma. Não basta saber que um ambiente laboral de determinada atividade contém contaminantes e sair comprando máscaras. É obrigatório conhecer o tipo de agente agressivo e sua concentração, para saber se está acima ou abaixo dos limites de tolerâncias explicitados no programa.

Em sua grande maioria, a seleção do EPI é feita sem a avaliação prévia. Logo, o Serviço Especializado de Engenharia e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa precisa de um profissional que saiba executar a coleta de amostra do agente (poeiras, por exemplo), para encaminhar ao laboratório de análises. A dificuldade é esta. Se não contar com um profissional com esta capacitação, a empresa pode contratar uma consultoria para fazer essa função. Sem a análise, a escolha do EPI pode ser um erro e seu uso, ineficaz. Segundo José Damásio, é comum a Fundacentro receber consulta de empresas para saber que tipo de máscaras deve comprar, sem saberem qual é o grau de concentração no ambiente em que os trabalhadores laboram. “Não podemos indicar qualquer equipamento. Por exemplo, uma máscara descartável, que é tecnicamente conhecida como peça facial filtrante para partículas, é indicada somente para poeiras, ou seja, partículas sólidas. Sua capacidade de proteção é de até 10 vezes a concentração no ambiente do limite de tolerância. Se a concentração for acima de 10 vezes, esse tipo de equipamento não vai proteger o trabalhador. Será uma enganação”, explica. Daí, ter o dado preciso sobre os níveis de concentração é essencial.

Por causa dessa falta de informação, muitas empresas não selecionam o equipamento a ser indicado a cada situação específica e única do ambiente que contém agentes contaminantes. Além do erro no tipo de máscara, também não se conseguirá saber em quanto tempo deve ser feita a troca do equipamento.

Mesmo que o EPI seja um ótimo equipamento que retém as partículas e protege o trabalhador, com o uso, chegará um determinado momento que vai saturar e precisará ser trocado. “No caso de equipamento de proteção respiratória que tem filtro mecânico, se entupir, o que acontece? O contaminante não passará, mas também não passará o ar. Ao ter dificuldade para respirar, o trabalhador vai levantar um pouco a máscara, que, logicamente, não vai fazer sua função”, afirma. O tecnologista ressalta que a maior dificuldade para uma boa gestão de proteção respiratória é obter dados fidedignos pelo responsável pela empresa, sabendo exatamente qual é o contaminante no ambiente de trabalho e qual a concentração.

A responsabilidade de conhecer a medida de concentração do ambiente é da empresa, que irá comprar o equipamento para o empregado usar. Porém, os fabricantes podem colaborar com a eficiência dos protetores faciais, apresentando instruções de uso na embalagem da forma mais clara possível. “Os fabricantes devem informar no manual de instrução e embalagem, que a utilização dos equipamentos sem avaliação prévia não será efetiva. Não adianta fornecer o equipamento ao trabalhador, sem ter a garantia de que realmente o está protegendo”, explica.

Outro aspecto que deve ser esclarecido é que a peça (máscara) que cobre as vias respiratórias e fica em contato com a pele do trabalhador não pode ter nenhuma espécie de fendas, em que o ar contaminado possa entrar. Isso quer dizer que, na prática, um trabalhador com barba que utiliza um equipamento de proteção respiratória poderá não estar sendo protegido como especificam os requisitos do programa de proteção respiratória.  Além do “fator” barba, há outras situações em que a gestão de segurança deve avaliar sobre a proteção aos riscos. Trata-se de um ambiente em que o trabalhador tenha de usar a peça de proteção facial simultaneamente aos óculos de proteção. Nesse caso, deve-se avaliar também a compatibilidade entre os dois equipamentos de proteção individual, pois a fenda proporcionada pelas hastes dos óculos pode fazer com que entrem contaminantes pelas vias respiratórias do trabalhador. Assim, quanto ao PPR, a gestão de SST precisa ser ainda mais rigorosa e atenta aos itens que implicam em que todo o trabalho de proteção seja incapaz de obter efetividade.

4 Comentários

  1. Luzia Maria

    Muito bom você contar sobre a nova versão do PPR. Suas noticias são bem analisadas e ainda atuais. Sempre na frente. Parabéns!

  2. Jéssica

    Realmente é isso que muitas empresas fazem tem exposição a poeira ai compram qualquer mascara e pronto pensam que o problema está resolvido, mas nos da área de SST sabemos que não é bem assim, parabéns mais um tema ótimo a ser abordado.

  3. Rodrigo

    Muito culpam a empresa os donos de empresas, pela minha vivência em áreas fabris muitos TST não estão nem ai para o PPR. Fazem do para cuprir a norma. Eles fazem de qualquer geito. Precisam levantar de trás do computador e ir fazer as avaliações.

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