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Músicos sofrem com problemas ergonômicos, e jamais desistem das canções

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Orquestra Sinfônica de São Gonçalo durante cerimônia do 3º Prêmio Juíza Patrícia Acioli de Direitos Humanos no Theatro Municipal (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Muitas horas de ensaio e dores musculares não fazem o músico desistir de sua arte (Frazão/Agência Brasil)

Quais seriam os fatores de risco para doenças e acidentes de trabalho dos músicos? Lembro que, no geral, eles desenvolvem suas atividades artísticas com tamanha dedicação e prazer, que é até contraditório pensar que a arte lhes trouxesse sofrimento e doença. Nessa área, pode haver espaço para os infortúnios laborais? Vamos ver, hoje resolvi avaliar os aspectos ergonômicos, que poderiam resultar em dores musculoesqueléticas, exposição ao ruído e jornadas exaustivas, com ensaios, horas de estudo e shows.

De fato, há inúmeros instrumentos musicais e tanta beleza extraída por esses profissionais, que fica difícil enumerar quais poderiam gerar algum fator de risco. Ah, falei tanta beleza? Descontada a subjetividade inerente à arte, também há muita porcaria sendo produzida por artistas, não é mesmo? Mas, aqui, meu ponto é outro. Se há riscos ocupacionais na profissão dos músicos, buscarei falar das recomendações para eliminá-los. Inicialmente, quero lembrar que na atividade musical, não apenas os instrumentos fazem parte do contexto, mas há também de se avaliar as condições do ambiente, incluindo aí a iluminação, ventilação, temperatura e ruído, que podem prejudicar a integridade física do músico.

Violão, piano e instrumentos de sopro (saxofone, trombone, flauta, clarineta). Serão esses os vilões dos artistas?  É preciso investigar também aspectos que envolvem a acústica das salas, a exposição dos músicos ao ruído, ao dimensionamento dos mobiliários, com cadeiras, encosto e presença de regulagens, além das condições de iluminação dos espaços.

Durante o período de ensaio, é importante haver pausas, assim como exercícios de alongamento. Segundo pesquisa realizada com músicos, houve relato de algum tipo de sintoma musculoesquelético. As regiões do corpo mais atingidas são ombros, bem como coluna lombar e mãos e punhos. Normalmente, os sintomas aparecem durante a prática da música, mas podem ser sentidos após a apresentação musical. Por vezes, podem ser percebidos durante e após as práticas. Os músicos sentem dor praticamente toda semana ou até diariamente, mas há ainda aqueles que não relatam nenhum incômodo doloroso. Os riscos da profissão não sucedem do instrumento em si, mas da maneira como a atividade é exercida.

Cada músico tem sua dor para chamar de sua, sendo intensa, moderada ou leve. Como há ainda os músicos sem-dor. Agora, nessa profissão, não é a presença de dor, por razão ergonômica, que proíbe o artista de continuar apresentando-se. Em situações mais agudas, o músico é impedido de trabalhar por causa da dor.

Será que os músicos ficam incomodados pelo ruído, ou melhor, com as altas intensidades sonoras às quais estão expostos e são produtores? Uma parte deles até sente-se incomodada, durante as apresentações, e muito poucos profissionais utilizam protetores auriculares. Na verdade, essa utilização seria um contrassenso, já que a audição é o órgão que dirige toda a expressividade da prática musical. Porém, é importante que se façam avaliações periódicas audiométricas, pois o diagnóstico precoce de danos auditivos é uma forma de controlá-los.

No campo preventivo aos riscos aos quais estão expostos, vale a prática da atividade física, para se atingir um condicionamento muscular para preservar a saúde do músico. O posto de trabalho, no caso de orquestras, deve ter um arranjo que permita um excelente posicionamento, possibilitando a visão alternada entre partitura e batuta. E, logicamente, a escolha de cadeiras que permitam um suporte postural adequado. Nunca nos esqueçamos de que músicos saudáveis são nossa garantia de boa melodia para a alma.

 

5 Comentários

  1. Sílvia Mansur

    “…também há muita porcaria sendo produzida por artistas, não é mesmo?”. Fina ironia com a péssima música tocada por muitos artistas. muito bom.

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