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Mercúrio, um químico dá pesada que faz mal

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

No amálgama do dentista…
No termômetro…
e na lâmpada fluorescente há mercúrio (Foto Pixabay)

A toxicidade do ambiente laboral, especialmente a provocada pelo mercúrio, estará em pauta hoje e amanhã no auditório da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro. O I Seminário Internacional – Aspectos Toxicológicos do Mercúrio sobre a saúde humana e o ambiente está sendo uma oportunidade para os profissionais brasileiros entrarem na discussão que já vem ocorrendo mundialmente. Inclusive, este ano, o Brasil ratificou a Convenção de Minamata sobre o mercúrio, pacto internacional, que passou a vigorar em agosto, estabelecendo critérios rigorosos para eliminação do uso da substância.

Portanto, trago hoje um tema atual, mas que havia estado ausente neste blog. Assim, acho justo divulgar o seminário e fazer minha análise desse químico pesado, que é o mercúrio. Ora, inicialmente lembro que o mercúrio está presente no amálgama dentário, nas lâmpadas fluorescentes e nos termômetros, o que significa bem perto de todas as pessoas. É claro que os dentistas estão constantemente em contato com a substância de forma aguda ou crônica, e com isso ficam mais expostos aos riscos de contaminação. As principais formas de intoxicação por mercúrio ocorrem por meio da absorção do mercúrio na pele, ingestão do metal ou inalação, e isso, evidentemente, afeta o organismo.

Para se ter ideia do perigo, após penetrar o corpo, o mercúrio pode atingir o cérebro. Além dos efeitos neurológicos, há agravos nos sistemas cardiovascular, digestivo, respiratório, sanguíneo e renal, assim como problemas na pele, endócrino, imunológico e reprodutor. Quer mais? Não, paro por aqui, porque não é difícil imaginar que um elemento químico classificado no grupo de metais pesados pode ser muito útil em suas aplicações, mas que, em contrapartida, causa sérios danos à saúde das pessoas. Porém, em termos científicos, ainda não se conseguiu descrever a relação entre ação tóxica e carga de mercúrio acumulado no corpo para provocar doenças. No entanto, já foi possível verificar que o mercúrio metálico é capaz de inibir enzimas, alterar membranas intracelulares e a síntese proteica, diminuir o transporte dos aminoácidos e sua incorporação no tecido nervoso, facilitando a presença de radicais livres antioxidantes, além de permitir lesões em vasos.

Enquanto não for possível eliminar o uso do mercúrio, é necessário investir em medidas preventivas para evitar a intoxicação. E o controle de exposição ao mercúrio deve ser realizado por meio do programa de vigilância toxicológica, para quantificar a concentração da substância presente no meio ambiente e no organismo. São precauções que devem ser de responsabilidade dos órgãos de saúde e empregadores da iniciativa privada.

 

 

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