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Mentir no exame admissional, todo cuidado é pouco

Por Emily Sobral

Hipertenso e desempregado há algum tempo, um pedreiro, com bastante experiência, na faixa de 50 anos, foi submetido a testes para conseguir um novo trabalho. Depois de aprovado na fase de conhecimento operacional, ele, na última etapa do processo, teve que se submeter ao exame médico admissional. Você acha que ele contou ao médico do trabalho que toma remédio para a pressão alta? O exemplo que abre este post é fictício, mas retrata uma situação recorrente no campo da medicina do trabalho.

O trabalhador, em geral, quando não chega a mentir sobre seu estado de saúde, ao menos, omite informações com medo de ser prejudicado. Segundo Antonio Javier Salán Marcos, médico do trabalho e presidente do departamento de Medicina do Trabalho da Associação Paulista de Medicina, em exames admissionais, os candidatos podem omitir certas particularidades sobre sua saúde, porque julgam que será um impeditivo para conseguir entrar na empresa. Ainda no exemplo do pedreiro, o médico também levanta outra hipótese: “Nessa idade, e pela profissão que exerce, ele pode, com certeza, ter um problema de coluna, como uma hérnia de disco, por exemplo. Ao entrar na concorrência para conseguir o emprego e, no final do processo, ao ser submetido ao exame médico, quando também o empregador está querendo seu início imediato, nem o trabalhador vai se queixar da dor da coluna nem o colega vai indicar exames mais aprofundados”, conta Salán. Segundo o médico, além de frequente, a situação é acompanhada por aspectos humanos que tornam um procedimento que poderia ser simples, complexo. “Veja bem, nesse caso do pedreiro que tem um problema de coluna, não recomendo que ele vá exercer suas funções com as mãos sobre a cabeça, trabalhando num prédio de 20 andares e fazendo reboco de teto. Mas, se não aprová-lo, ele vai acionar o serviço médico, dizendo que não sente nada. De fato, é uma situação bastante dúbia. Então, no exame admissional, se o candidato perceber que o médico está com pressa, ele não vai, de livre e espontânea vontade, comentar que tem uma dor na coluna ou que tem pressão alta”, analisa.

Outro ponto levantado por Salán é que uma empresa da área de construção civil ou comércio, que não é obrigada por lei a ter o SESMT, costuma manter contratos com prestadores de serviços em saúde ocupacional. “E os médicos que trabalham nessas assessorias acabam tendo uma demanda grande, o que também os leva a não se aterem ao aprofundamento na consulta, não se perguntando sobre o histórico de doenças, ou alguma patologia que necessita de afastamento. Quando essas perguntas ficam no ar, o candidato não vai fazer prova contra ele. Não diria que é de má-fé, mas é porque está ansioso para ter acesso ao emprego. Mas, claro, muitas vezes, as doenças acabam aparecendo depois”, afirma.

Segundo ele, cabe aos médicos terem um critério um pouco mais apurado. “Não dá para censurar os médicos, pois tanto o excesso de atendimento para suprir a demanda como o trabalhador que não quer contar seus problemas de saúde é um binômio não muito fácil de ser resolvido”, explica. Salán diz que a omissão pode, em alguma circunstância, não impedir o trabalhador de laborar numa determinada função que não seja adequada à sua situação de saúde. “Mas isso não quer dizer que ele não possa ser aproveitado numa atividade em que não haja risco para ele nem para a empresa”, explica.

Nesse contexto, segundo Salán, a área de medicina do trabalho deve saber ser criteriosa para não deixar que a empresa sofra punições posteriores. “Mesmo quando o médico está sobrecarregado ou pelo pouco tempo que tem para solicitar o exame do trabalhador, o que não se deve esquecer é de fazer com que o candidato assine a ficha do exame admissional com o questionário preenchido, em que se pergunta se ele já sofreu acidente, se fez cirurgia, se tem alergias ou outras questões de saúde, pois nesse documento ele mostra que está ciente de que suas declarações devem ser verdadeiras, pois isso tem força de lei. Se a pessoa omitiu deliberadamente à empresa, qualquer acusação futura contra ela, não será aceita na Justiça”, diz. Por isso, trabalhador, não se esqueça: mentir ou omitir pode ser prejudicial à saúde!

8 Comentários

    1. Fabio

      Marcos, você pode ser desligado da empresa por outro motivo, por assassinar nossa língua portuguesa. Pelo amor de Deus, como escreve errado.

      1. John

        Talvez ele não tenha tido as mesmas oportunidades que você, Fabio. Aliás, o seu Português parece carecer de pontuação adequada. Você não domina nossa língua escrita tão bem quanto imagina, não, querido! Pelo amor de Deus, quanto preconceito desnecessário, quanta falta de empatia e quanta cara-de-pau!

  1. Ednei Santos de Almeida

    Eu tomo remédios controlados e omitir isso na admissão de um concurso publico. Posso perder o meu emprego por conta disso. Trabalho como professor em uma escola com alunos da faixa etária de 8 a 13 anos.

  2. Elienai

    Corrigir alguém porque escreve errado não significa humilha-lo… pois, “o saber não ocupa espaço”… torna-se até vaidoso procurar a melhoria… porém a forma como Fábio escreveu foi deselegante… mais, ainda foi enfatizado pelo colega john que mudou o foco e a esfera, aumenta com comentários mais desnecessário ainda.

  3. Dulce marina (Curar dor nos ossos)

    Obrigada mesmo pelo bom conteúdo. Hoje pude aprender boas dicas com sua matéria e assim amplimar meus conhecimentos. Fica a dica também para quem sofre de problemas nos ossos. Gratidão!

  4. Anonimo

    Eu disse a empresa que nao tenho filhos mais tenho uma bebe de 1 ano no exame respondi nao para perguntas como se fiquei internada se ja sofri cirurgia se ja fiquei afastada pelo inss fiquei devido a licenca isso me pode causar algo

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