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Médico, por favor, faça uma anamnese ocupacional e exame físico bem feitos. As LER/DORTs precisam ser combatidas precocemente

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Faz sentido trazer neste blog, mais uma vez, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e as Doenças Osteoarticulares Relacionadas ao Trabalho (DORTs)?

Considerando que os benefícios por incapacidade concedidos aos pacientes de LER/DORTs representam, nos últimos anos, mais de 50% daqueles concedidos aos portadores de doenças ocupacionais em geral, é claro que sim. A persistência é uma virtude e, inclusive, vou além, recomendando aos médicos que façam durante os atendimentos aos trabalhadores com sintomas da doença, uma avaliação clínica completa. Mas quem você pensa que é? Médica? Não, não sou doutora Emily, mas entrevisto muitos médicos que criticam os colegas (em off, obviamente), porque estes incorrem na negligência de não realizarem uma consulta detalhada para que, ao final, uma hipótese diagnóstica possa ser evidenciada. Ora, não critico apenas por criticar. Há médicos excelentes e médicos ruins. Adiante, pois faço meu papel de divulgar e conscientizar as boas práticas em prol da saúde do trabalhador. O médico que atende um trabalhador que se queixa, principalmente de dores no punho, nos cotovelos, ombros, pescoço e braços, deve fazer uma anamnese ocupacional e um exame físico bem feito. A anamnese ocupacional inclui perguntar sobre as atividades e jornadas de trabalho, métodos utilizados pela empresa para garantir a produtividade, e posições e movimentos exigidos para executar as tarefas. E muita atenção para o exame físico, que precisa ser feito cuidadosamente. Ah, importantíssimo também é OUVIR o paciente sobre a descrição dos sintomas de dor, formigamento, fatores de melhora e piora que podem facilitar o diagnóstico.

Quem é acometido pela LER sabe bem o quanto essa o torna incapaz. Aliás, de todas as doenças relacionadas ao trabalho, as LER/DORTs são as mais incapacitantes. Estas, em geral, decorrem de atividades laborais que exigem esforços repetitivos, que sobrecarregam o sistema músculo esquelético.  No início, a dor só acontece durante a jornada de trabalho e cede a medicamentos e outros tratamentos. Mas, depois a dor invade as noites e os fins de semana. Não nos esqueçamos que a dor é o inferno da terra. Além desse sintoma, podem ocorrer uma sensação de fraqueza, cansaço, formigamento e dormência, facilmente confundidas com um simples incômodo muscular passageiro. Além disso, a lesão muscular, se não for detectada e tratada, pode evoluir para quadros graves de dores crônicas, levando à incapacidade por tempo prolongado ou mesmo permanente. Já, quando detectadas precocemente, as chances de recuperação são grandes. Para terminar, ainda forneço mais uma dica ao profissional de extrema importância: preencha a ficha de notificação compulsória no sistema de agravos de notificação, o SINAN, que faz parte do Sistema Único de Saúde. A subnotificação das doenças ocupacionais é uma realidade no Brasil e é consenso entre os especialistas, que, muitas vezes, os agravos à saúde dos trabalhadores não recebem a devida caracterização, sendo tratadas como enfermidades comuns. Não importa se  o trabalhador pertença ao trabalho formal ou esteja na informalidade, se é funcionário público ou da iniciativa privada. Essas notificações permitem um olhar ampliado sobre o adoecimento nos ambientes profissionais. Por isso, os médicos e outros agentes da saúde devem estar conscientes sobre a necessidade da notificação que abrange toda a população trabalhadora. O preenchimento da notificação é simples e serve para desenvolver políticas públicas de prevenção. Desculpe-me qualquer coisa!

 

3 Comentários

  1. RAFAEL CAMARGO

    Emily simplesmente excelente esta matéria. Trata-se de um entrave nos serviços de saúde públicos e privados, acarretando em prejuízo ao trabalhador(a) a partir do momento que não é realizado o devido nexo com o trabalho, bem como a subnotificação desses casos. Parabéns!!!!

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