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Luxímetro, higrômetro e dosímetro. O que são? Só quantificando os agentes nocivos é possível criar ambientes de trabalho saudáveis

Mudar as condições dos ambientes de trabalhos insalubres no Brasil não é tarefa fácil nem banal. Dos anos 90 até hoje, a área de higiene ocupacional que orienta como se fazem “ambientes saudáveis”, cresceu. Mas, ainda precisa avançar, até porque não são apenas fábricas que precisam investir na prevenção e controle de riscos. Quando se imagina uma ciência que se dedica a reconhecer, avaliar e controlar os agentes nocivos e prejudiciais à saúde que estão nos locais de trabalho, não é exagero dizer que se exige tecnologia de ponta. Para o profissional usar ferramentas de medição que quantificam o risco é preciso investimento. Só assim a tecnologia pode entrar em cena nas empresas e beneficiar os trabalhadores. E, hoje, não é isso que acontece no mercado de trabalho. Não é numa fábrica de pequeno porte que o patrão vai se preocupar em contar com uma bomba para amostragem de gases e poeiras. O equipamento possibilita a coleta de gases, névoas, vapores e poeiras. O objetivo é quantificar as concentrações dessas partículas. Se houver excesso no ambiente, ocasionará dano ao trabalhador. E haverá necessidade de reversão dessas causas.

Certamente, o surgimento da legislação na área de segurança do trabalho fez apontar a possibilidade da área expandir-se. Mas, em especial, como brasileiros, sabemos que lei não é tudo. Em geral, são indústrias petroquímicas e química fina que mais contratam higienistas ocupacionais que ajudam a elaborar os Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programas de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT). Detectores de gases, medidor de nível de pressão sonora ou medidor de vibração humana fazem parte dos instrumentos capazes de aferir riscos à saúde do empregado. Segundo Maria de Lourdes de Araújo Menezes, engenheira de segurança e higienista ocupacional, os setores industriais que estão à frente utilizam os instrumentos por causa da exigência de certificações do mercado empresarial. Por exemplo, muitos empréstimos bancários são concedidos, como consequência do desempenho das empresas no cenário de segurança e saúde do trabalhador. Ou seja, o investimento em higiene ocupacional deve-se à concorrência no cenário mundial. As certificações internas dão credibilidade à companhia.

A higienista diz que, o setor de construção civil, exceto de grandes empresas que possuem processos internos de certificação, considera um custo sem retorno o monitoramento com instrumentos para medir os riscos ocupacionais. “A higiene ocupacional melhora as condições do ambiente de trabalho, reduz a exposição aos agentes nocivos e oferece orientação quanto às diversas medidas de controle. É um conhecimento à comunidade a fim de que possa gerenciar a exposição ocupacional”, explica. No entanto, há muitas dificuldades para que a ciência melhore a qualidade de vida de quem labuta, em especial, em ambientes insalubres. Para ela, falta cobrança dos órgãos quanto à implantação dos programas de higiene. Os documentos ficam apenas no papel e não são efetivamente realizados. O investimento ainda é considerado caro e sem retorno.

Menezes lista os obstáculos à utilização da higiene ocupacional pelas diversas atividades laborativas no País. “Os equipamentos de medição para monitoramento dos agentes nocivos são caros e importados com custo alto de calibração. Falta de cursos no Brasil que capacitem profissionais com conhecimento. Há pouca fiscalização dos órgãos públicos pela pequena quantidade de profissionais que atuam na área e, finalmente, falta reconhecimento ao higienista como profissional que pode assinar laudos técnicos pelos órgãos voltados à segurança e saúde do trabalho”, afirma.

Ainda que se tenha um longo caminho a percorrer, Menezes considera que a higiene ocupacional já tem uma tarefa de destaque na prevenção de doenças do trabalho, porque tem conhecimento científico para capacitar os profissionais que são responsáveis pela segurança do trabalho nas empresas.

Por Emily Sobral

5 Comentários

  1. Diego Belzunces Pedrosa

    Excelente matéria,de igual importancia para o trabalhador é a higiene ocupacional assim
    como a higiene mental, psiquica, esta ,eu creio, que é mais dificil de quantificar porem em
    certos casos mais nociva que a saude fisica

  2. Emily

    Diego, observei que você é fã do blog. Pergunto: quais os instrumentos para medir a saúde mental? Obrigada por sua participação.

  3. Maria Aparecida Andreotti

    Muito boa a sua colocação, Diego. E é importante lembrar do assédio moral, que aniquila com a saúde psíquica do trabalhador.

  4. Maria de Lourdes de Araújo Menezes

    Importante falar da parte comportamental que afeta a segurança do trabalhador. O estudo em confiabilidade humana considera fatores humanos fundamentais em qualquer processo produtivo: as relações interpessoais e intrapessoais, lideranças etc.

  5. Vanessa Fernandes

    Emily Sobral, gostaria que me informasse o nome completo do autor Menezes, e o nome da obra que se baseou, para assim eu poder estuda-lo como base para o meu TCC.

    Desde já agradeço.

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