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Luva cirúrgica, história de amor e dupla proteção

Quando li sobre a história do surgimento da luva cirúrgica fiquei emocionada. Como toda mulher, carrego o “DNA” do romantismo. Não estou dizendo que os homens não possam ser apaixonados. Pelo contrário, as luvas cirúrgicas só existiram graças ao amor platônico de um médico. Quer saber? O cirurgião americano e chefe de um hospital em Baltimore (USA),William Stewart Halsted (1852-1922), inventor de instrumentos cirúrgicos e hospitalares, apaixonou-se, platonicamente, pela enfermeira Caroline Hampton, sua auxiliar nas cirurgias. Até então, os médicos e assistentes não utilizavam luvas durante as operações. Os profissionais usavam soluções antissépticas, pois não havia luvas. Caroline, sua enfermeira nas cirurgias, começou a ter uma progressiva dermatite por causa dos produtos de esterilização. Para ajudá-la, ele recorreu ao amigo, Goodyear, um microempresário, pedindo que fabricasse um par de luvas de borracha para a enfermeira. A partir daí, início do século XX, quando todos os membros da equipe do cirurgião também passaram a usar as luvas, verificou-se o desaparecimento das infecções pós-operatórias. A conduta foi difundida em todo o mundo. Hoje, as luvas cirúrgicas são imprescindíveis. Então, o amor foi ou não o ente impulsionador da descoberta?

Muito bem, agora vou entrar numa questão que interessa aos leitores deste blog: norma técnica para equipamentos de proteção individual (EPI), especificamente das luvas cirúrgicas de borracha. Estamos no século XXI, num País que conta com forte legislação e normas tanto para a fabricação de EPIs como para que sejam efetivas as ações de prevenção aos agravos à saúde e acidentes de trabalhadores. Produzida com borracha natural (látex) ou borracha sintética ou misturas de borrachas natural e sintética, a luva cirúrgica deve ter formato anatômico, com borda ou dispositivo de ajuste ao braço do usuário. Com a regulamentação no âmbito do MTE (agora Ministério do Trabalho e Previdência Social), o EPI, nacional ou importado, só pode ser posto à venda ou utilizado, com a indicação do Certificado de Aprovação (CA), expedido pelo ministério.

No caso específico das luvas cirúrgicas, a inovação está atrelada aos materiais sintéticos com aplicação específica e a evolução dos controles em todo o sistema para a obtenção do selo de conformidade Inmetro. As luvas também devem ser embaladas com material que permita protegê-la, da fabricação ao uso. O armazenamento deve ser apropriado para não afetar a integridade do produto. Deve-se evitar calor, umidade e luz. O transporte da fábrica ao usuário também deve ser seguido de procedimentos para proteger a qualidade da luva. Se for armazenada inadequadamente ou fora do prazo garantido pelo fabricante, a luva não deve ser usada. Além disso, após o uso, deve-se descartar a peça de proteção. Hoje, as luvas cirúrgicas já fazem parte do sistema de selo do Inmetro. Explico: em 2008 havia a obrigatoriedade de obtenção do CA e registro do produto pela ANVISA. Também foi estabelecido o certificado de boas práticas de fabricação (BPF). Em fevereiro de 2008, criou-se o primeiro regulamento técnico que estabeleceu os requisitos mínimos de identidade e qualidade para as luvas cirúrgicas de borracha natural, borracha sintética ou mistura de borracha natural e sintética, para atender aos requisitos de certificação de conformidade do Sistema Inmetro. A partir daí tornou-se compulsória a certificação para as luvas e estabeleceram-se as normas ABNT/NBR 13391 e 13392 a serem cumpridas. Em 2012, a publicação da Portaria 332 do Inmetro substituiu a anterior, estabelecendo a norma ISO 10282 para as luvas cirúrgicas. Também em 2012, outra portaria incluiu a impermeabilidade (presença de furos), que volta a ser 0,65.

Finalmente, o fabricante de luvas cirúrgicas deve seguir as orientações da Resolução da Diretoria Colegiada 55 da Anvisa e a Portaria 332 do Inmetro. Para ser comercializada, a luva deve atender aos requisitos da norma e ter certificação. Bem, é melhor que o fabricante siga as normas e legislação, pois a luva oferece proteção contra os riscos biológicos e tem uma dupla função: protege o médico e o paciente.

William e Carol não podiam imaginar o quanto a luva já evoluiu para o bem dos trabalhadores.

Por Emily Sobral

5 Comentários

  1. Givailson Santos

    É impresssionante como você abrange todos os assuntos, de A a Z! Assuntos importantes com muito senso de humor. O blog está cada vez melhor.

  2. Glecy

    Parabens Emily pela excelente reportagem!
    O amor presente sempre! Tambem em nossa profissao se nao houver amor, nao havera sucesso no trabalho junto aos trabalhadores!
    Abraços prevencionistas.
    Glecy

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