• Vakinha
    Vakinha
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Jogador de futebol que não é das ‘zelites’ sofre acidente e é abandonado pelo clube

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Jogadores sem fama são abandonados quando ficam doentes (Foto Pixabay)

Vou repercutir uma matéria recente do site brasileiro do jornal El País, de autoria do jornalista Breiller Pires, porque o tema tem tudo a ver com este blog. A reportagem trata do abandono dos jogadores de futebol, que não fazem parte da ‘elite’, por problema de saúde. Há, no país do futebol, uma verdadeira negligência dos clubes com os atletas com doenças graves, em geral, adquiridas no exercício de suas atividades profissionais. Ou seja, são doenças e acidentes de trabalho que vêm vitimando os jogadores que não são famosos nem paparicados pela mídia esportiva.

Os exemplos apresentados pela reportagem de Pires mostram o descaso dos clubes com as normas trabalhistas, em especial às que dizem respeito à saúde e segurança do trabalho. Depois de sofrer um acidente de trajeto, que pela Justiça do Trabalho equipara-se ao acidente de trabalho, pois, apesar de ocorrer fora do ambiente laboral, acontece no percurso da residência para o local de trabalho, o meia Kauê, do Penapolense, time do interior de São Paulo, entrou na Justiça contra o clube.  Kauê sofreu o acidente de carro em 2013 quando se dirigia ao centro de treinamento do clube, em Penápolis. Submetido a uma neurocirurgia, que paralisou seu lado esquerdo, o jogador foi abandonado pelo clube. Recém negociado ao clube, em que envolveu a participação do grupo investidor DIS, que adquiriu 50% de seus direitos econômicos, Kauê não contou com o apoio do clube nem do DIS para pagar seu tratamento, que terminou sendo feito pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.

Atualmente, Kauê mantém uma ação na Justiça contra o clube cobrando indenização por acidente de trabalho. Como se não bastasse um caso de desproteção, o Penapolense também está encrencado na Justiça com outros dois processos, abertos pelos zagueiros William e Daniel Miller.

Willian, que durante uma partida sofreu uma pancada na cabeça (acidente de trabalho típico), ficou internado em hospital do município sem auxílio do departamento técnico. Já Daniel, depois de sete cirurgias no joelho, foi dispensado pelo clube.

O escritório de advocacia de Filipe e Thiago Rino, especializado em direito esportivo, informa que a cada mês são protocolados 100 processos em nome de jogadores na Justiça. Já o sindicato dos atletas, em São Paulo, informa que, nos últimos dois anos, 500 processos foram abertos e, cerca de 40% das ações referem-se à saúde dos jogadores.

A matéria do site ainda cita outros casos de trabalhadores da bola negligenciados durante problemas de saúde, muitos desses causados pelo exercício da profissão. Encerro, contando que não são apenas por acidentes e doenças de trabalho que os jogadores escolhem o caminho da Justiça para ver ressarcidos seus direitos, há casos também de condições precárias de trabalho, que colocam os atletas em risco.

Como se vê, se for para ser jogador, que seja da ‘zelite’, ou melhor, do Palmeiras! Xi, contei qual é meu time!

 

 

3 Comentários

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.