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“Jeitinho” em trava quedas é burrice e pode ser fatal

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Trabalho em andaime deve ser feito com cinturarão trava quedas conforme exige o Ministério do Trabalho (Foto Pixabay)
Trava quedas

Os andaimes suspensos estão por todas as obras do País, pois permitem o acesso dos trabalhadores a locais altos e de difícil acesso. Olhando os andaimes das construções brasileiras constata-se que todos os trabalhadores estão usando cinturarão paraquedista e trava quedas conforme exige o Ministério do Trabalho.

Numa primeira análise, parece que todos eles estão seguros. Só que não. Embora haja normas técnicas destinadas às questões de segurança, no ano passado, os acidentes laborais de empregados enquanto trabalhavam em andaimes foram oficialmente registrados pelas Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs), no total de 3.124. Os números são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho com a OIT. Acontece que, especialmente no setor de construção civil, o ‘jeitinho brasileiro’ na forma de se trabalhar em andaimes está levando aos inúmeros acidentes registrados nas CATs.

Qual será esse ‘jeitinho’ que, na verdade, é uma imprudência que vai contra a prevenção de acidentes de trabalho? Trata-se do trava quedas, utilizado pelos empregados, com aumento indevido no tamanho do seu extensor. Isso porque, em geral, o comprimento do extensor do trava quedas é bem curto, cerca de 40 centímetros. Com isso, a movimentação vertical do trava quedas, apesar de deslizar de forma perfeita, limita muito a mobilidade do trabalhador na movimentação horizontal sobre o andaime suspenso. Além disso, a linha vertical é tencionada com um peso de aproximadamente sete quilos, que dificulta ainda mais a mobilidade do trabalhador. Normalmente, o extensor é curto para que, em caso de quedas, não cause lesões ao trabalhador. Ao aumentar seu comprimento de forma irresponsável, em havendo uma queda, a força de frenagem do sistema poderá provocar graves lesões ou até mesmo a morte do trabalhador, inclusive com ruptura da linha vertical.

O uso do trava quedas ligado de forma errada acontece frequentemente em andaimes suspensos. Agora, é possível trabalhar em andaimes suspensos obedecendo as normas de segurança, ter grande mobilidade e até dobrar a produtividade do trabalhador. Para atender ao item 5 da NR 35, de trabalho em altura, e oferecer boa mobilidade, deve-se utilizar, por exemplo, um sistema com trava quedas retrátil, que possui dois metros de fita sintética retrátil, equipado com absorvedor de energia.

Buscar as alternativas de mercado, que atendem as exigências das normas regulamentadoras, é uma maneira racional e segura. O que não se deve fazer nunca são mudanças manuais em equipamentos de segurança individual. Cair de andaimes suspensos é uma possibilidade, que trará consequências graves aos trabalhadores, especialmente se os EPIs não forem adequados ou modificados por gambiarras. As estatísticas vêm demonstrando isso, não é?

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