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Indústrias devem apostar em quem entende da NR 12, para ter máquinas mais seguras. Todos saem ganhando

Volto sobre o tema que escrevi no post do dia 12 de janeiro, que se refere à nova versão da norma regulamentadora 12, que trata de segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Este post ficou mais longo do que de costume. A Confederação Nacional da Indústria encaminhou proposta para revisão da NR 12, solicitando que seja definida uma linha de corte temporal. A CNI acha que as novas exigências da norma devem ser adaptáveis apenas aos equipamentos novos. Para Walter Luís Künzel, engenheiro mecânico de projetos da B&K Consultoria, estão faltando especialistas que, de fato, entendam do assunto e possam ajudar as indústrias em três aspectos: custos de adequação, produtividade após adequação da NR-12 e, principalmente, segurança dos trabalhadores.

Os padrões da NR-12, criada em 1978, visavam reduzir o impacto dos acidentes de trabalho, num período em que o PIB do País crescia, devido à forte atividade industrial, que se refletia em maior volume de fabricação, contratações e, por isso, resultava em mais acidentes do trabalho. “Até 2010 não se falavam em adequações das máquinas e jamais houve intensa cobrança dos órgãos do trabalho para com a classe empresarial. Nesse período, poucas empresas atendiam requisitos de segurança ou investiam para isso. Ou seja, até 2010 foram 32 anos sem evolução no modo de se projetar máquinas para a segurança”, afirma. Logo, um processo de evolução ocorreu e foram melhorias impostas.

O que desagrada também a CNI é que a revisão da norma elevou-se para 340 itens. Porém, Walter diz que é preciso ver com cuidado o argumento de número excessivo de itens obrigatórios. Na verdade, foram criados também os chamados anexos da norma. Há anexos para motosserras, panificação e confeitaria, açougue e mercearia, prensas e similares, injetoras, máquinas para indústria calçadista e implementos agrícolas. “A introdução desses anexos fez com que máquinas de um segmento fossem adequadas conforme prerrequisitos padrões. A NR-12 pura contempla apenas 156 itens e recomendações. As demais fazem parte dos anexos que se direcionam para cada equipamento específico. Portanto, não são tantos itens assim que devem ser observados numa única máquina. Existem recomendações de sinalização de segurança, treinamentos dos operadores, manuais de instruções, arranjo físico do equipamento na fábrica, aspectos ergonômicos e recomendações de manutenções para o usuário final que demandam investimentos pequenos ou quase nulos. São apenas procedimentos simples. Portanto, é possível atender cada equipamento de uma maneira equilibrada na indústria. Basta que sejam contratados profissionais habilitados e treinados em NR-12”, expõe.

A revisão da norma incluiu ainda instalação de controles eletrônicos em máquinas. Walter apoia esse item porque considera totalmente necessário. Segundo ele, a indústria de insumos evoluiu e com isso a eletroeletrônica trouxe não só benefícios de produtividade, mas também de segurança. Por exemplo, a aviação melhorou, nos últimos anos, com sistemas cada vez mais autônomos e seguros. Os sistemas que incluíram a chamada redundância, que quando um item falha, o outro entra em ação, são importantíssimos. Hoje, não se imagina máquina puramente mecânica. A eletrônica é fundamental para que o sistema se torne seguro e produtivo. “Atualmente há equipamento que permite parametrização para controle de produção, manutenção, receitas e monitoramento de segurança. Quando algo falha e deixa o operador vulnerável a algum risco, o sistema entra em alerta. Encontro equipamentos na indústria que trabalham apenas com motores, correias e engrenagens. Puramente mecânicos. A maioria é das décadas de 70 a 90. É claro que isso não significa que não sejam úteis à função para a qual foram projetados. Porém, não mais competitivos quanto os equipamentos atuais. Antes não se falava ou cogitava o uso de inversores de frequência nas máquinas, agora, qual equipamento não possui servo acionamento ou inversores?”, pergunta.

Para a indústria se preparar para ter equipamentos mais seguros, Walter diz que basta que os responsáveis técnicos com conhecimento sobre máquinas e normas existentes no Brasil façam a sua parte. “A função deles é recomendar, instruir e buscar diminuir os impactos negativos para a empresa, se financeiros, ou de falta de segurança ao trabalhador”, explica. Há também uma polêmica sobre os equipamentos importados da Alemanha, Itália ou EUA, que não vêm com segurança embarcada. Mas, grande parte do mercado americano e europeu já possui normas de segurança satisfatórias. “Não é correto afirmar que estão inseguras e não podem operar no Brasil”, afirma. No entanto, há detalhes que precisam ser adequados ao mercado brasileiro, como sinalizações e manuais de segurança. Os equipamentos do mercado chinês, coreano e taiwanês que também se fazem presentes no País nos últimos anos é que vêm sem segurança embarcada na sua grande maioria. No mercado nacional, os fabricantes precisam fazer a adequação de forma voluntária, e o consumidor dessas máquinas precisa cobrá-los disso. “Infelizmente, apenas algumas empresas estão sendo exigidas e as demais continuam oferecendo preços menores, sem a adequação à NR-12. “A inclusão de dispositivos de segurança não deve ser tratada como item opcional. Talvez, esse seja o maior entrave para que a norma seja definitivamente adotada. Infelizmente, apenas com ações rígidas como multas, é que a indústria acaba realizando o investimento. Realmente, agora, veio tudo num momento só”, analisa Walter. Isso pesa para o empresário. Mas a verdade é que a cultura da NR-12 já está sendo semeada no Brasil. É um passo importante, e a indústria sabe que tem de fazer algo, e fará. Se não houvesse evolução na norma e cobrança do Ministério do Trabalho e Emprego também não haveria desprendimento do empresário em repensar a segurança. O custo de R$ 100 bilhões pode ser alto, mas se comparado aos R$ 75 bilhões gastos com afastamentos, amputações e mortes, a diferença é de apenas R$ 25 bilhões. Ou seja, todos saem no prejuízo. Além de que, esse processo leva a progresso na indústria, pois equipamentos velhos e improdutivos são retirados, gerando novos mercados e alta tecnologia na indústria. E, o melhor, também evitam-se gastos com a saúde dos trabalhadores.

Por Emily Sobral

7 Comentários

  1. Maria Aparecida Andreotti

    Convencer o empresário brasileiro a investir na saúde e segurança do trabalhador ainda é uma tarefa difícil.

  2. Walter Luís Künzel

    Olá Maria e Emily,
    De fato é uma tarefa difícil convencer, por isso precisamos estar orientando sempre nas melhores diretrizes e mostrar com números quando há prejuízos a longo prazo. Sempre tento de alguma forma mostrar ao empresário um planejamento de investimentos. Então quando realizo o trabalho de adequação da NR-12 numa fábrica, faço um cronograma de investimento que as vezes dura de 06 a 24 meses, ai o empresário vê isso como forma de diluir o investimento. E ainda sai ganhando quando o índice de acidentes diminui. De qualquer forma, sempre tem de haver um profissional que oriente de maneira correta e equilibrada. O bom senso vale sim nestes momentos. Walter

  3. Walter Luís Künzel

    Continuando com o tema de adequação dos parques fabris, considero importante comentar um fato observado por mim numa indústria que estou atendendo. Lá 95% dos equipamentos foram adquiridos antes de 2010, e num destes equipamentos que se chamam Tupia, usado para usinagem em peças de madeira, ocorreu um acidente amputando 5 dedos do operador (3 dedos mão direita e 2 dedos mão esquerda). Este é proprietário do estabelecimento, talvez seja esse o motivo que o fez investir em NR-12 e entender a importância desse tema. Fico a pensar como um juiz juntamente com o sindicato das indústrias de madeira, na cidade de Caçador SC, pode estabelecer um decreto, liminar ou ordem, de que apenas máquinas após 2010 devem ser adequadas à NR-12. Fica aqui a questão, será que está certa essa decisão?

  4. Maximiliano Almeida

    Pessoal eu particularmente como futuro Engenheiro de Segurança apoio a NR-12, pois infelizmente temos uma determinada cultura de dar jeitinho para a Segurança, estive fazendo levantamento de riscos em algumas empresas e pude ver que realmente as pessoas estão despreparadas para as mais simples tarefas como por exemplo: Uma análise de riscos do equipamentos e principalmente maquinas e equipamentos com partes móveis exposta e pior onde o funcionário precisa acessar para iniciar um processo de produção….caso alguém precise de um apoio pode me contatar…
    Fiz um laudo de NR-12 em uma empresa do ramo Automotivo e Pisos vinilicos em conjuntos com diversos profissionais e hoje estamos acompanhando o Plano de Ação até seu fechamento e o mais interessantes foi trabalhar com Automação devida a minha formação em Engenharia de Controle e Automação, onde podemos melhorar os acessos e robotizar e assegurar as condições para os trabalhadores.

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