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Indústria do ramo têxtil explode em Nova Odessa. Uma gama de setores está vulnerável à explosão

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Explosão na indústria Jofege (Foto divulgação Bombeiros)

No final do mês passado, uma caldeira explodiu na Comercial Jofege (antiga Feltrin), indústria do ramo têxtil, em Nova Odessa (SP). No momento da explosão, o estabelecimento operava normalmente. Segundo o Corpo de Bombeiros, o estouro lançou estilhaços do teto e de maquinários a 300 metros de distância.

Felizmente nenhum funcionário se feriu. A partir desse fato, as investigações vão buscar as causas do acidente. Não sei como os responsáveis pela Jofege manifestaram-se diante do sinistro. Mas já soube de outros eventos explosivos em que o gerente disse apenas: “Acidentes acontecem”. Ora, qualquer pessoa que tenha um compromisso mínimo com a proteção da vida alheia, sabe que quem faz uma consideração desse nível não pode ser gestor numa indústria. Por isso escrevo toda semana sobre áreas classificadas, que são locais, geralmente em empresas com processos produtivos, com probabilidade de explosão.

Para se evitar esse problema, toda indústria deve classificar os ambientes de acordo com o risco apresentado. A explosão numa indústria será sempre o resultado da combinação de uma determinada proporção de produto inflamável (gás, vapor ou pó), oxigênio e faísca (fonte de ignição). A Jofege é do ramo têxtil. Será, então, que todos os segmentos indústrias estão propensos às atmosferas explosivas?

Roberval Bulgarelli, engenheiro da Petrobras e coordenador do COBEI, o órgão responsável pela elaboração das normas técnicas brasileiras nas áreas da eletricidade, eletrônica, iluminação e telecomunicações, lista os setores com maiores riscos. “A indústria do petróleo terrestre, pelas grandes pressões e vazões de substâncias explosivas, tais como nas refinarias e nos terminais de armazenamento de derivados. A indústria marítima do petróleo, também pelas grandes pressões e vazões de líquidos e gases inflamáveis, tais como nas plataformas offshore de perfuração e de produtos e nos navios FPSO – Floating Production, Storage and Offloading. Nas instalações do pré-sal, por exemplo, as maiores profundidades de perfuração e de extração de gás petróleo fazem com que as pressões sejam muito maiores do que as prospecções existentes, fazendo com que os riscos de vazamentos sejam também maiores. Nas indústrias do setor petroquímico, com a presença de gases inflamáveis e poeiras combustíveis, pelas grandes instalações, com grande número de equipamentos de processo que podem representar fontes de liberação de substâncias explosivas (tais como bombas, válvulas, vasos de armazenamento, torres de destilação, fornos e reatores). Nas indústrias de grãos e de alimentos, pela presença de enormes quantidades de poeiras combustíveis, tais como nos silos de armazenamento de grãos nos terminais portuários e usinas de açúcar. Nas indústrias do setor sucroalcooleiro, pela quantidade de etanol, que possui um ponto de fulgor muito baixo, favorecendo a existência de grandes volumes de vapores explosivos, mesmo em temperaturas ambientes de armazenamento. Os setores de armazenamento de combustíveis, em função do grande inventário das instalações, com a presença de enormes tanques de armazenamento de líquidos ou de esferas de GLP, que podem dar origem a grandes explosões, em casos de falhas de equipamentos de processo, falhas de operação, falha de manutenção e de vazamentos. E, finalmente, na indústria farmacêutica, de tintas, de solventes, de cosméticos e de tecelagem, em função da presença de gases, vapores, líquidos, névoas ou poeiras que, em mistura com o ar, podem dar origem a quantidades significativas de atmosferas explosivas, que podem resultar em explosões e em graves consequências para a vida das pessoas, para o patrimônio e para o meio ambiente”, diz Bulgarelli.

Como não se pode deixar de produzir bens e riquezas, o melhor é promover prevenção e proteção. “Não investir em soluções para controlar o risco identificado no seu projeto e tipos de proteção de equipamentos Ex é ter uma postura negligente, que não condiz com a responsabilidade de um gestor industrial”, finaliza Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos

 

 

 

 

4 Comentários

  1. José Ernesto Solviere

    O estouro foi tão violento que parte do teto desabou, mas graças a Deus ninguem se machucou. Podia ter sido pior, mas o susto foi grande. E o prejuizo tambem.

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