• Extingue
    Extingue
  • Instituto Treni
    Instituto Treni
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

“Hoje não vou trabalhar”. Por quê? Absenteísmo é um problema de todos

Se alguém dorme mal pode não conseguir levantar para ir trabalhar. Ao fazer uma análise conservadora do problema, parece até preguiça. Mas o distúrbio do sono é um problema sério e complexo, que causa absenteísmo (ausência no emprego). “Se a pessoa não tem uma noite bem dormida, isso começa a acarretar uma série de outros problemas na saúde dela, como hipertensão e diabete. Ou seja, é um ponto importante que deve ser pensado. A verdade é que o absenteísmo tem crescido por vários motivos”, afirma Denise Cantarelli, assistente social e consultora em RH.

Assim como o distúrbio do sono, que tem vitimado um grupo significativo de pessoas e aumentado as faltas no trabalho, hoje, diversas causas levam aos afastamentos profissionais. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, de 20 a 25% dos problemas de absenteísmo têm uma ligação com drogas e álcool. Há também as questões ergonômicas que retiram trabalhadores dos empregos, por motivos médicos relacionados às lesões por esforço repetitivo (segundo a Previdência Social, um dos motivos mais presentes em suas estatísticas). “São pessoas se afastando por problemas de coluna, pelo excesso de tempo ao computador e ao telefone. Isso mostra que falta um olhar mais humanista para o funcionário. Para certas empresas, o empregado vira um robô, que não é visto pelas suas necessidades. Isso leva a uma desmotivação”, afirma Cantarelli .

Outro motivo de absenteísmo é quando o trabalhador passa a ter um problema psiquiátrico num grau mais elevado. Essa pessoa precisa passar pelo médico ou usar medicamento e até afastar-se. “Hoje a depressão é um fato nas empresas. Alguém deprimido contamina o ambiente de trabalho.”, declara Cantarelli. Logicamente, até por razões estratégicas, as empresas deveriam buscar entender o absenteísmo, para saber se é ou não decorrente do ambiente laboral. Entretanto, a questão mais difícil para mudar essa realidade é que não há uma cultura das organizações de cuidarem dos afastamentos de pessoal no dia a dia. Primeiramente, deve-se levantar o quanto dessas faltas são consequência de doenças ou devidas ao ambiente de trabalho. Em segundo, as atribuídas ao trabalho devem ser minuciosamente investigadas para evitar o adoecimento coletivo dos empregados que labutam nas mesmas condições. Uma atribuição do RH que não é vista como estratégica termina por negligenciar o absenteísmo. “Falta cultura em fazer a gestão das ausências dos empregados”, diz Cantarelli.

As empresas que já se “antenaram” no problema, vão além da promoção de programas de qualidade de vida. “Hoje, fala-se em bem-estar do empregado, que é mais amplo do que a qualidade de vida. Mas as empresas estão preocupadas apenas com a produtividade, com foco exclusivamente no negócio, sem pensar nas pessoas, esquecendo que o que faz tudo acontecer são os empregados”, explica, acrescentando: “Esse modelo de negócio que só busca resultados é ultrapassado, pois não consegue sua sustentabilidade. A empresa não deve pensar apenas no presente, mas em seu futuro, com empregados satisfeitos e saudáveis”. Ela cita alguns programas de empresas que fazem gestão adequada do absenteísmo como o “fale conosco”, em que utilizam recursos de internet ou de 0800, em que pessoas são contratadas para ouvir os problemas dos funcionários sigilosamente. Por exemplo, relatos de assédio moral são feitos por meio desses programas e depois levados ao conselho de ética das empresas. A partir de análises, pode-se descobrir quem é o assediador e evitar que novos casos ocorram. Ao punir uma conduta inadequada, muitas possíveis vítimas são preservadas, reduzindo as faltas no trabalho.

Para funcionar, é claro, a liderança precisa “comprar a ideia” de fazer um programa em que todos participem. Afinal, o problema de absenteísmo não é questão de uma área, é de todos, pois com a ausência dos funcionários, todos perdem.

Então, fica a dica às empresas: identifiquem os motivos do absenteísmo, tendo a área médica como um integrante da equipe, pois é quem tem competência técnica para lidar com a saúde do empregado de maneira sigilosa. Façam a estatística do problema e criem um programa contra o absenteísmo para valer.

Amanhã, Denise e Sílvia Conway Gonçalves, psicóloga com especialização em distúrbio do sono, fazem palestra sobre o absenteísmo na sede da Associação Paulista de Recursos Humanos e de Gestão de Pessoas, em São Paulo.

Por Emily Sobral

6 Comentários

  1. Martha Srederer

    Muito boa a ideia de fazer um disque denúncia nas empresas. Pode ser uma boa ferramenta para acabar com os abusadores e assediadores. Emily, volte a falar sobre esse assunto!

  2. Faggner

    Comprar a ideia, tal palavra é a divisora de águas nas empresas “antenadas”, falta a alta administração aceitar o fato e mudar sua própria realidade, sobre.
    Como sugestão de melhoria, uma vez ao mês ouvir os próprios colaboradores ( café com o presidente ou dono,… ) para sugestões ou “feedback”, melhoria nos setores, sentirão como pessoas e não como números da mesma.

  3. Cláudia

    Excelente artigo. O absenteísmo não é uma sacanagem do empregado. As empresas têm mesmo que ter uma visão humanista, o que não quer dizer paternalista.

  4. RAFAEL CAMARGO

    Esta questão do absenteísmo na área pública sem se tornado um agravante para os gestores, visto que diferentemente da área privada onde um aumento no quadro de pessoal e políticas prevencionistas podem reduzir as ocorrências, no setor público as leis que regem a contratação de servidores por meio de concursos públicos, que não permitem ultrapassar porcentagem de gastos com folha de pagamento e os estatutos e previdências próprias implantadas em muitos locais não permitem que se faça uma política de saúde do trabalhador nestes órgãos, visto que não há como suprir as ausências pelo absenteísmo em equipes normalmente enxutas ou no máximo do limite e ausência de SESMTs em virtude da própria legislação que aborda apenas empresas regidas pela CLT. Consequência dessa sobrecarga, mais trabalhadores adoecidos e um serviço público cada vez mais escasso, com menor qualidade e eficiência.
    Abraços.

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.