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‘Funcionários-polvo’: pressionados e com medo de perder o emprego

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Há trabalhadores transformando-se em ‘polvo’ (Foto Pixabay)

O sofrimento dos 12 milhões de desempregados que hoje estão sem trabalho no Brasil é bem conhecido. Agora, como vão os empregados que estão trabalhando, ainda.

Por causa desse cenário, surgiu a figura do “funcionário-polvo”, que passou a acumular as funções de ex-colegas. Hoje, destaco neste post, justamente as consequências do desemprego sobre os ombros de quem está empregado. E repercuto reportagem da BBC Brasil, que ouviu especialistas em RH, que comprovaram a necessidade dos que ficam no emprego em se virarem nos trinta.

O perfil dos funcionários que não são demitidos é sempre o mesmo: versáteis, flexíveis e capazes de aprender novas tarefas. São esses que se tornaram os tais “funcionários-polvo”. O acúmulo de funções vem espalhando-se por indústrias, comércio e serviços.  São vendedores que acumulam a função de caixa, estoquista e ‘faz-tudo’, com um expediente de trabalho que vai além do registrado.

Trabalhar mais e ficar encarregado por atividades mais propícias a um estagiário passou a ser considerado normal. Assim, para dar conta de mais tarefas, muitos desses empregados diminuíram o horário do almoço. A pressão por fazer o que era reservado a uma equipe traz consequências sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. O esforço dos que ficaram para manter suas vagas pode resultar em doenças. Ultrapassar limites físicos por um período não é sustentável.

“As pessoas não conseguem dar 100% o tempo inteiro, pois não são máquinas”, diz a professora Regina Madalozzo, do Insper (uma instituição de ensino e pesquisa sem fins lucrativos, que atua nas áreas de Negócios, Economia, Direito e Engenharia).

O lado positivo de numa época de crise para o empregado é que ele vai ter oportunidade de aprender novas atividades, tornando-se mais completo profissionalmente. Mas, o dano da pressão é quase certo. O medo do desemprego, de certa forma, é um sentimento constrangedor e humilhante. Em determinados ambientes há, inclusive, uma ameaça velada de demissão àqueles que não aceitam multiplicar as funções.

Por razões óbvias, a relação entre patrões e funcionários piorou. Por canta do cenário recessivo, surgiu um discurso recorrente: “se você não quer, tem milhares que querem”. Ninguém é cego para não entender que os próprios empregadores estão sob pressão, contabilizando perdas e lutando para não quebrarem. Porém, a saúde e a segurança dos empregados ainda devem ser prioridade e obrigação das empresas. Não é aceitável que por conta de excesso de trabalho, os empregados tenham crises de dor de cabeça e até depressão. O bom senso precisa prevalecer.

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