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FISP e Boat Show: entre a prevenção e o sonho

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Na FISP, não poderia deixar de visitar as amigas do Guia do EPI

Entre 5 e 7 da semana passada, aconteceram duas feiras de negócios, no São Paulo Expo, capital (antigo Centro dos Imigrantes). Uma foi a FISP | Feira Internacional de Segurança e Proteção, maior evento do setor de saúde e segurança no trabalho da América Latina, que foi aberta ao público no dia 5. Estive lá cobrindo o evento. A segunda foi a São Paulo Boat Show 2016, feira de lanchas, veleiros, jets, infláveis e caiaques, motores e equipamentos ligados ao universo náutico. Ganha um chocolate quem adivinhar qual foi dessas a divulgada na sexta-feira (7), pela Globo, no programa SPTV 1ª edição, do apresentador César Tralli? Sim, acertou quem pensou na feira de lanchas.

Como escrevo sempre, até de maneira inconformada, a invisibilidade dos temas de saúde e segurança do trabalho na grande imprensa é lamentável. A escolha da pauta pela Globo foi porque a emissora, certamente, quis apostar em entretenimento. É audiência certa quando, numa sexta-feira, aposta-se e alimenta-se o sonho dos pobres seres humanos, seus telespectadores. Afinal, todo brasileiro pode comprar uma lancha, igual à adquirida, comumente, pelos jogadores de futebol ricos e famosos. Eu, você e toda a torcida do Corinthians podemos comprar barcos caros, não é mesmo? Ah, sei!

Acho que a Globo tem direito de escolher a pauta que quiser, mas avaliando cruelmente os fatos, não seria de melhor tom divulgar a FISP? Conscientizar o trabalhador sobre os riscos inerentes às atividades laborais, mostrar o mercado de equipamentos de proteção individual e todos os serviços  ao mundo da prevenção? E não estou criticando como blogueira e jornalista que cobre SST, mas como trabalhadora brasileira, que convive com os riscos da minha profissão. Ah, Emily, feiras voltadas ao público especializado têm menos apelo. Isso porque a FISP é segmentada e a Boat Show foi aberta ao público em geral. Tá bom, cara pálida, mas quem pode comprar iate?

Bem, passo do protesto (alguns vão dizer que é mimimi) à divulgação sobre a FISP: mais de 400 expositores, novidades e lançamentos para o setor, com soluções e tecnologias voltadas à prevenção de acidentes e doenças no trabalho.  Pelo que vi, as empresas, apesar de toda a crise, investiram no evento e nos estandes, para mostrar que quando há prevenção, os acidentes de trabalho que vitimam tantas pessoas, diminuem ou não são tão graves.

O público que foi, em sua grande maioria, profissionais ligados ao setor, teve chance de participar de cursos e palestras gratuitos. Apesar da conjuntura econômica, o setor de produtos e serviços saiu fortalecido com o tamanho do evento e do publico que compareceu, durante os três dias de feira. Para quem trabalha com segurança e proteção, a feira cumpriu bem seu papel. Ao proporcionar acesso aos novos produtos, tecnologias e conhecimento, com certeza, dá-se mais um passo contra o sofrimento dos acidentados do trabalho ou mesmo o afastamento de um empregado por causa de doença ocupacional.  Aqui, nossa pauta é outra!

 

9 Comentários

  1. Joel Barroso

    Emily, hoje o post está 10. Tem que jogar duro que as mesmices da rede Globo. O país precisa de conscientização, não de alienação. Parabéns!

  2. Beatriz

    Você tem motivos para não se conformar, Emily. Saúde e segurança do trabalhador são assuntos invisíveis para a maioria. Infelizmente a Globo não ajuda em nada na conscientiza\cão. é por isso que este blog é tão importante.

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