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Fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes de trabalho

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Todo trabalho é ariscado (Foto Pixabay

Um estudo que aborda os principais fatores do ambiente do trabalho que levam à ocorrência de acidentes. “Culpa ou vulnerabilidade do trabalhador?” foi o tema da pesquisa do médico e auditor fiscal, Albino Pereira de Sampaio. Ele avaliou um conjunto de fatores relacionado com o trabalhador e com a organização do trabalho e a sua possível influência na causa das ocorrências.

Muitas vezes, os acidentes de trabalho são interpretados como fatalidades ou falta de atenção e descuido do empregado. A pesquisa de Sampaio foi embasada em relatórios de análises de 452 acidentes de trabalho graves ou fatais, no período 2009/2012, em diferentes estados brasileiros, com empresas de variados ramos de atividade e porte. “Para fazer a análise do acidente de trabalho grave ou fatal como auditor fiscal, o Ministério do Trabalho faz uma análise desse evento, transformado num relatório que é colocado tanto no sistema da fiscalização como no processo administrativo. Notamos que existem algumas variáveis que estão presentes do acidente de trabalho que, muitas vezes, não eram analisadas, por exemplo, a idade da pessoa, quanto tempo ela estava no serviço quando aconteceu o acidente, se tinha experiência e ciência dos riscos e grau de escolaridade”, conta.

Segundo ele, no estudo, foram vistos quais os fatores que levaram causa principal dos acidentes e sugeridas alterações na análise dos acidentes ao Ministério do Trabalho. Dos 452 acidentes analisados, 241 ocorreram em pequenas e micro empresas. Os segmentos de maior ocorrência foram a indústria de transformação, construção civil e reparação de veículos automotores e motocicletas. O principal fator de vulnerabilidade revelado pela pesquisa: “Ausência de capacitação para o risco ao qual estava exposto, no montante de 59,2% dos acidentados, principalmente na faixa de idade entre 13 e 44 anos. A pessoa estar fazendo o trabalho sem conhecer os riscos e as medidas de prevenção mostra a vulnerabilidade dela”, explica. Segundo ele, mesmo com as proteções coletivas no ambiente de trabalho, o trabalhador precisa ter ciência dos riscos na função que exerce. “Muitas vezes, há uma pessoa que está há dez anos na empresa, nunca sofreu acidente e tem capacitação numa determinada função, mas que foi deslocada para outro setor, e com apenas dois dias nesse setor novo, ela se acidenta. Então, o que foi que aconteceu, pois estava há dez anos e nunca sofreu acidente? Isso é uma variável que deve ser mais bem estudada”, aponta. Outra variável que não influenciou na ocorrência dos acidentes foi quanto à escolaridade. “A frequência de acidentes nos trabalhadores com ensino fundamental completo ou incompleto, ensino médio completo ou incompleto, foi extremamente semelhante. 68% das ocorrências aconteceram quando o trabalhador ultrapassou o contrato de experiência. Acreditávamos que houvesse os acidentes com um tempo menor de função, mas ocorreram até com 24 anos na função, ou seja, apesar de tanto tempo de casa, não havia uma capacitação específica na função”, revela o auditor fiscal. De acordo ele, a ausência de uma análise mais aprofundada sobre as causas dos acidentes pode levar a justificativas como fatalidade ou falta de atenção do trabalhador, quando o que está por trás é uma situação de vulnerabilidade do empregado. Bela pesquisa!

 

3 Comentários

  1. Allan-DPROTEÇÃO

    Compartilho com o Auditor e acredito que necessitamos de muitos mais ambientes ,espaços e fóruns de discussões,acercar de diversos temas. Parabéns Emily!

  2. jorge gomes

    Este estudo deve ser ampliado para maior discussão com os profissionais envolvidos na gestão de produção, possibilitando amplo debate para resolução dos focos apontados. No próximo dia 28 de Abril vamos lembrar dos mortos em acidente de trabalho e, acreditem, nada está sendo feito para minimizar as mortes, o que deveria ser feito pelo SESMT, principalmente as Consultorias.

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