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Faísca fatal

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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A faísca em áreas classificadas compõe o triângulo da explosão

“Nada acontece na vida por acaso, para tudo há um motivo e uma solução”, de autor desconhecido, é uma frase bem familiar entre as pessoas. Uso essa expressão para abrir o post da semana sobre áreas classificadas, para citar as fontes de ignição, cruciais às explosões. Estas não se encontram por acaso em locais de atmosferas explosivas. Até porque há o chamado ‘Triângulo da Explosão em Atmosferas Explosivas’, que consiste de combustível, oxigênio presente no ar e um tipo de fonte de ignição. Quando se planeja um plano de prevenção contra explosão, o que se busca evitar é a ocorrência simultânea desses três componentes. As várias fontes de ignição podem desencadear verdadeiras tragédias em ambientes industriais, sujeitos a gases inflamáveis e pós-combustíveis. Na verdade, a ignição é um dispositivo que inflama o fogo e está presente na energia de superfícies quentes, faíscas, centelhas geradas por atrito, arcos elétricos, ondas de rádio, entre outros.

Os requisitos de segurança previstos nos projetos de instalações Ex especificam como deve ser o controle das fontes de ignição. A norma brasileira NBR 8370, cancelada em 2002 e substituída pela ABNT NBR IEC 60050-426, de vocabulário eletrotécnico internacional, Parte 426: Equipamentos para atmosferas explosivas, definia “a mistura com ar, sob condições atmosféricas, de substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa e substâncias combustíveis, na qual, após a ignição, a combustão se propaga por meio de mistura não consumida” como área classificada passível de proteção.  Portanto, uma fagulha que é uma fonte de ignição deve ser prevista e prevenida. O risco da execução de serviços que possam gerar fontes de ignição em áreas classificadas deve ser mapeado. Em unidades industriais há equipamentos elétricos, mecânicos e de instrumentação que são distinguidos como fontes de ignição. Os aquecedores a gás ou elétricos utilizados em processos industriais ou os trocadores de calor são fontes de ignição que devem ser controlados.

E o objetivo de um plano de prevenção é o de eliminar ou isolar esse dispositivo. Por exemplo, em áreas classificadas, faz parte do controle de fontes de ignição, a não utilização de equipamentos móveis como rádios, lanternas, celulares e máquinas de cartão de crédito. Fumar no local, nem pensar!

Em atmosferas explosivas há ainda o risco associado à eletricidade estática, que também é considerada uma fonte de ignição. Durante os processos industriais, a manipulação de sólidos, líquidos, pós, gases, aerossóis e substâncias explosivas pode levar ao surgimento de descargas eletrostáticas que devem contar com recomendações específicas de prevenção. Os componentes industriais e o monitoramento permanente da operação para as fontes de ignição mapeadas protegem contra possíveis efeitos de uma explosão. Assim como o risco está presente nas operações produtivas, as atividades de manutenção devem ser controladas para que as fontes de ignição não provoquem explosões e incêndios.

Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, lembra que todas as instalações e equipamentos elétricos nas indústrias devem estar previstos no estudo de classificação de áreas. “A partir daí será possível proporcionar medidas de segurança às instalações e empregados, o que poderá requerer sistemas de ventilação adequados, para eliminar o risco de acúmulo de gases e vapores, além de controle de emissões e derramamentos e manutenção preventiva em equipamentos”, explica.

 

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