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Explosão mortal: há como evitar

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Indústria de fundição contém risco de explosão (Foto Pixabay)

Após uma explosão em uma empresa de fundições do Distrito Industrial de Ibaté (SP), um operário de 27 morreu. Ele pintava uma peça chamada ‘balsa’, que é semelhante a um vagão ou container, e a combinação dos vapores de tinta, com o calor da lâmpada como fonte de ignição, teria provocado o acidente.

Em Andradina, também no interior de SP, três funcionários morreram na explosão de um cilindro de vapor na indústria Citroplast. Pois é, ao escrever toda semana sobre área classificada, espaço no qual está presente uma atmosfera potencialmente explosiva, a ponto de exigir cuidados especiais para a instalação de equipamentos elétricos, trago alguns fatos trágicos para exemplificar esses ocorridos apenas a menos de dois meses atrás.

Para manter a segurança de industriais que contenham produtos que liberam gases, vapores ou poeiras explosivas, deve-se, primeiramente, ‘classificar’ o local por meio de um estudo realizado por especialistas. São profissionais que conhecem tanto as normas de segurança como as propriedades físico-químicas dos produtos fabricados pelas industriais. Faz-se necessário elaborar um plano de ação a partir de análise de risco, para estabelecer um programa de gerenciamentos dessas ameaças. Ora, é evidente que o tema é técnico e requer especialistas que conheçam o processo de dispersão e combustão de uma mistura química gasosa, que sejam capazes de estimar uma possível explosão por causa da nuvem de gás inflamável.

Empresas que ‘jogam’ seus operários em espaços potencialmente explosivos para executar tarefas utilizando maquinários elétricos, são irresponsáveis. Hoje, mais do que nunca, a situação é tão ariscada que até o uso do celular, em uma área onde não se utilizou o equipamento elétrico Ex (específico às áreas classificadas), pode resultar numa tragédia. Relembro o que é o triângulo do fogo: oxigênio, combustível e fontes de ignição. Até uma criança de cinco anos é capaz de entender o conceito de segurança em área classificada. Agora, na vida real, os gerentes de indústrias esquivam-se em tomar as providências preventivas, porque terão de contratar empresas especializadas e fazer investimentos em equipamentos. Assim não dá.

“Especificar corretamente, por exemplo, uma janela de alívio de explosão só será possível depois de uma avaliação de risco da indústria”, afirma Paulo Ranã, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos. Segundo ele, para esses ambientes já há várias tecnologias que incorporam mais proteção contra as explosões. Ou seja, com atenção e investimentos é possível diminuir o risco. Por que não?

 

 

4 Comentários

  1. Zé Hélio

    Não nos esqueçamos que o Brasil está entre os primeiros países em acidentes de trabalho. Ranking de tragédia, o Brasil está sempre em cima. lástima!

  2. Marcelo Bassi

    Parabéns! Esse assunto tem sido relegado a segundo plano. E não é uma coisa fácil ou obvia. É preciso conhecimento e coragem para enfrenta-lo!

  3. Jânio Silveira

    Infelizmente, as empresas jogam os empregados em ambientes potencialmente explosivos, sem nenhum tipo de proteção. Esta é uma realidade lastimável. Parabéns por bater nesta tecla em seus posts semanais sobre áreas classificadas.

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